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Coluna 20/04/2017

Discurso de ódio não é opinião!

Nos últimos tempos, temos nos deparado com um turbilhão de opiniões, a respeito de tudo. Todas as pessoas, através de conversas e textos, ao vivo ou por meio de redes sociais, expressam aquilo que pensam, e isso é bom! Temos – ou pensamos que temos – cada vez mais a tão sonhada “liberdade de expressão”. No entanto, como tudo na vida, isso também tem seu lado ruim. As pessoas sentem dificuldades em diferenciar opinião de discurso de ódio. Opinião é quando você diz que prefere chocolate amargo do que chocolate ao leite. Discurso de ódio é outra coisa.

Discurso de ódio é quando você, através de palavras ou atitudes, ofende pessoas ou grupos sociais. Racismo, homofobia, machismo e demais preconceitos são discurso de ódio. Dizer que uma mulher não dirige bem porque ela é mulher e não homem, não é opinar sobre. É proferir ofensas e palavras de desrespeito. Ter atitudes racistas, homofóbicas e segregadoras também é. O mesmo se aplica à religião. Desrespeitar a crença ou falta de crença alheia não é emitir opinião.

E assim também acontece com a política. Será que é mesmo como dizem? Será que realmente política e futebol não se discutem? Creio que não, pois tudo que fazemos, toda nossa convivência em sociedade faz parte da política (vale ressaltar que política não é politicagem). Devemos sempre respeitar as convicções políticas do outro, e sim, esperamos por este respeito também.

Porém, quando defendemos celebridades ou políticos, por exemplo, que, através de palavras ou atitudes, fazem uso do discurso de ódio, fazemos parte deste discurso também. Quando apoiamos um político que diz preferir “ter um filho morto a um filho homossexual” ou quando fazemos piadas com mortes de esposas de ex-presidentes, por exemplo, reproduzimos todo o ódio contido nestas palavras e ações.

E será que pensamos a respeito ao fazê-lo? Será que realmente nos damos conta de que o que falamos e fazemos, nesses casos, é desprezível? Isso que chamamos de “opinião” pode levar pessoas à morte. Parece surreal, não é? Como assim o que eu falo, através das minhas redes sociais, aqui na minha cidadezinha, pode acabar com vidas? Negros, mulheres, índios, LGBTs morrem todos os dias, apenas por existirem, e isso é triste, muito triste. Então, lembremos sempre: opinião nenhuma pode machucar, ferir, desrespeitar, ofender, matar. Opiniões servem, também, para melhorar, para nos ajudar a crescer.

Jacqueline Hilbert - 21 anos, Jornalista


Academia de Letras do Brasil-SC - Seccional Massaranduba

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