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Coluna 08/11/2017

Uma frase

Educação Financeira

“Procure o conselho dos mais velhos, pois os olhos deles já viram as faces dos anos e os ouvidos já se fortaleceram diante das vozes da vida. Mesmo que os conselhos que derem forem desagradáveis para você, preste atenção neles”. (Khalil Gibran). Caro leitor, peço a devida licença para tratar neste artigo de um tema que indiretamente tem a ver com educação financeira.

Na semana passada, a ministra Luislinda Valois, dos Direitos Humanos, apresentou ao governo um pedido para acumular salário integral da atual função com a aposentadoria, o que daria R$ 61 mil, e, entre as justificativas, alegou que trabalhar sem receber contrapartida `se assemelha a trabalho escravo´.

A situação foi a seguinte: Valois recebe por mês R$ 30.400 a título de aposentadoria como desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia. Já como ministra `somente´ recebe R$ 3.300. A razão disto é que o teto do funcionalismo público é de R$ 33.700. A Casa Civil já emitiu parecer negando o pedido da ministra.

Eis a frase da ministra: “O trabalho executado sem a correspondente contrapartida, a que se denomina remuneração, sem sombra de dúvida, se assemelha a trabalho escravo”. A repercussão do caso viralizou pelas redes sociais e demais meios de comunicação, sendo que virou até motivo de diversas piadas, a título de exemplo: frase colocada por usuários em diversas redes sociais - ‘Eu aceito trabalho escravo com remuneração de R$ 33.000”; já numa charge no Jornal Folha de São Paulo, no desenho, consta uma charge da ministra, sentada numa cadeira e escrevendo numa folha, onde consta escrito `REDAÇÃO´, em razão das provas do ENEM feitas no último final de semana, consta o texto: “Direitos Humanos no Brasil são uma lástima. Além de pagar somente 30 mil por mês, nem permite acumular aposentadoria”.

A ministra disse que utilizou o termo `trabalho escravo´ por analogia. Para saber, o Código Penal estabelece que trabalho escravo é aquele forçado, com jornada exaustiva, degradante. Será que a ministra está nesta situação? É claro que não. Não bastasse isto, ela se justificou dizendo que em razão do cargo, necessita arcar com altos custos de vestimenta, de cabelo, de maquiagem e de comida. E não esqueça de que além do salário acima mencionado, a ministra tem direito a outros benefícios, a saber: carro com motorista, viagens de avião da Força Aérea para compromissos profissionais, cartão corporativo e imóvel funcional.

Depois da repercussão, a ministra alegou que já encaminhou um comunicado desistindo da alta quantia. Menos mal. Compartilho com a indignação de muitos brasileiros, em razão da frase proferida pela ministra, e aqui cito duas simples razões:

1 – A ministra de Direitos Humanos deve se preocupar em defender os Direitos Humanos, e não ficar preocupada em como ela vai arcar com despesas de vestimenta, de cabelo, de maquiagem e de comida, até porque, com R$ 33.000 dá para fazer muita coisa;

2 – No nosso país, onde muitos brasileiros sobrevivem com R$ 937 (salário mínimo), é desumano a solicitação da ministra.

Caro leitor, a situação partilhada acima, me leva a duas conclusões:

1 – É de suma importância que homens de boa vontade e de integridade se interessem pela política, e atuem não em prol de benefícios pessoais, mas sim, em benefício do povo brasileiro;

2 – o brasileiro precisa e muito buscar aprender conceitos e dicas simples de educação financeira, para que possa ter uma vida saudável financeira.

No caso da conclusão 2, sinta-se à vontade para enviar questionamentos para o e-mail: cmwatzko@hotmail.com.

Até a próxima.


Cristiano Mahfud Watzko

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