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Coluna 18/10/2018

No Mundo da Lua

Homeschooling é alternativa para educar os filhos?

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu no dia 12 de setembro que o ensino domiciliar não é lícito para que pais garantam acesso à educação dos filhos, pela falta de legislação específica. A prática do homeschooling não é novidade nos Estados Unidos, que em 2015 registrava 2 milhões de adeptos. Porém, no Brasil, ensinar os filhos dentro dos limites do lar ainda é motivo de muita polêmica e demandas judiciais. Na maioria dos estados, a opção dos pais em educar crianças e adolescentes esbarra nos tribunais, juntamente com a determinação de que procurem urgentemente uma escola para matriculá-los. Uma das exceções à regra é o Paraná, onde uma família de Maringá foi autorizada a educar os filhos em casa. Contou para a liberação o fato de que os pais são pedagogos e comprovaram conhecimento intelectual e recursos para sediar uma sala de aula no âmbito familiar. Nessa situação específica, as crianças são avaliadas periodicamente pelo Núcleo Regional de Educação de Maringá.

Há dois anos, a Associação Nacional de Ensino Domiciliar (Aned) apontava a existência de 3.200 famílias que adotaram esse sistema, e em 2018, esse número pulou para 7.500 famílias, correspondente a 15 mil crianças. Agora cabe à Aned arregaçar as mangas e pressionar os legisladores para que o sistema de ensino em casa seja regulamentado... Os que defendem a prática do homeschooling listam uma série de vantagens, como o estreitamento de laços entre pais e filhos, ao estudarem e pesquisarem juntos, e que isso possibilita uma educação mais individualizada e afetiva. Questionam a qualidade do que é repassado nos bancos escolares. Há também o temor quanto aos riscos que o ambiente escolar oferece, como falta de segurança, intolerância e violência.

Confesso que ao saber do julgamento sobre a versão brasileira para o homeschooling, não tinha opinião formada a respeito, até por desconhecimento. E mesmo depois de pesquisar sobre o tema, ainda pairam perguntas no ar. Será que privar um filho de conviver com a diversidade de raças e de pensamento não o tornaria um ser com dificuldades para se relacionar na vida social, profissional e afetiva? Não estaríamos o impedindo de cultivar amizades e da socialização? Por outro lado, se esse sistema funciona bem em outros países, por que não poderia dar certo no Brasil? Conhecemos muito bem as mazelas da educação brasileira, as deficiências curriculares, o baixo aproveitamento, a violência crescente. Nesse contexto, Jaraguá do Sul é um oásis, considerando os investimentos do poder público e os avanços no aprendizado. Acredito que o meio termo conduz ao equilíbrio. A escola tradicional não deve, nem vai acabar, mas entendo que é preciso avaliar as circunstâncias em que aprender em família pode ser benéfico. E que é preciso abrir a mente para novas possibilidades educacionais. E você, leitor, o que pensa sobre o assunto?


Sônia Pillon

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