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Coluna 19/10/2018

Brasil - O país que clama por respeito

O Brasil enfrentou uma ditadura militar, como muitos outros países enfrentaram também. No meio deste ambiente surgiu o Partido dos Trabalhadores. Este partido teve um crescimento grande ao longo dos anos e ganhou notoriedade com a eleição do Presidente em 2002. A partir de então o movimento de esquerda, eleito com a bandeira anticorrupção, começou a governar o país. 2006 foi reeleito o presidente, que em 2010 indicou o sucessor, no caso, a sucessora, o mesmo ocorrendo em 2014 que sofreu o impeachment em 2016. Neste período de 13 anos, a maior parte da população não queria saber de política. Existia uma esquerda bem militante, em torno de Lula, uma figura carismática. Mas não havia uma direita forte.  

Ao longo dos anos, Lula sobreviveu ao mensalão, mas não sobreviveu ao petrolão. Foi condenado em primeira e segunda instância, e o STJ e o STF resolveram mantê-lo na prisão. Foi o final de uma era com o único líder político realmente relevante para o país. E assim, com o líder de esquerda afetado pela condenação judicial surge um líder de direita: forte, militar, que reúne todos aqueles que estavam profundamente insatisfeitos com a esquerda. Agora, resta a eleição presidencial que tem gerado muita discussão em grupos de amigos e família. É preciso entender que o tom da campanha quem dá são os movimentos de dentro dos comitês (de direita ou de esquerda). A hashtag #EleNão foi usada para “jogar a rede” e abarcar do lado petista, movimentos feministas. Assim, o movimento foi utilizado usando a boa-fé dos seus seguidores para fins políticos.

Evidente que quem defende agora, às vésperas da eleição,  a hashtag #EleNão, em sua defesa, está embutida a hashtag #PTSim. E aí muitos artistas, familiares, e amigos compraram uma briga, sem saber onde estavam se metendo. Tiveram a reação dos que entendem que #elesim, e que #PTNão. Houve, e está havendo o choque destas campanhas. Agora, a questão é: falar de política é fundamental. Ter um povo politizado também. Mas é preciso respeitar a opinião alheia. Uns acham Bolsonaro um Mito. Outros acham Lula um Deus, “mais honesto que Jesus Cristo” como ele diz. Isso faz parte das crenças de um povo. Idolatrar ídolos, líderes. Hoje Bolsonaro exerce uma liderança tão grande como foi, e ainda é em alguma escala, a de Lula. Este equilíbrio de força é bom para a democracia.

A democracia está estabelecida em nosso país e cada vez mais forte. Basta ver o que aconteceu nas urnas no dia 7 de outubro. As pessoas estão cada vez mais engajadas na política. E, se há um tempo, a mensagem do político era tentar trazer as pessoas para a conversa política, hoje o desafio é outro, fazer com que as pessoas saibam falar de política com respeito e educação, ao menos dentro de seus grupos de amigos e familiares. Há argumentos “ad terrorem” que parece estar querendo fazer desta campanha eleitoral a campanha entre Venezuela x Alemanha nazista. Estes argumentos de extremo são bobagens. A democracia está consolidada no Brasil com um Congresso atuante e um Judiciário forte, muito forte.  

Dizer que  50 milhões de eleitores de Bolsonaros são nazistas, fascistas, homofóbicos, seria o mesmo que dizer que 30 milhões que votaram no PT seriam corruptos, lavadores de dinheiro, formadores de quadrilha. Estes argumentos são extremos, desrespeitosos, e mais do que tudo, inverídicos. É natural que campanhas eleitorais majoritárias sejam ácidas em relação a um ou outro candidato. Nesta altura da campanha, a hora é de exagerar no respeito. Se esta é a campanha dos extremos, que tenhamos o extremo-respeito. Respeitar o voto do outro, a escolha do outro, respeitar o outro. Não confundir o amigo ou parente com o candidato dele.

Depositar sua confiança em um ou outro candidato faz parte do processo democrático. É mais importante ter esperança e confiança do que não ter. A desilusão e a desconfiança não levam a nada neste cenário binário que se formou no segundo turno. Agora só há dois possíveis candidatos. Uns confiarão no fulano, outros no beltrano. Só o futuro dirá quem estará certo no depósito da sua confiança. E os que não confiarão em ninguém, também não critiquem aqueles que depositam a sua confiança em determinado candidato, porque o pior que alguém pode fazer ao outro e tirar-lhe a esperança. Se há os que não têm esperança, é preciso que estes deixem que as outras pessoas a tenham, ainda que ela esteja depositada em candidatos diversos com os quais não concorda. É bom, muito bom, que todos tenham esperança de um Brasil melhor, porque com ela será difícil, sem ela, impossível. #respeito #esperança #brasil 

Advogado Paulo Thomas Korte, do escritório de advocacia Korte e Korte, doutor pela PUC-SP


Artigo do Leitor

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