Aristides Manoel Gonçalves, educador e ex-diretor do Hospital São José | Foto: Reprodução Redes Sociais
Faleceu nesta segunda-feira, 22 de julho, aos 93 anos, o professor e administrador hospitalar Aristides Manoel Gonçalves, figura marcante da história recente de Jaraguá do Sul e da região Norte de Santa Catarina. Seu sepultamento será realizado nesta terça-feira (23), às 11h, no cemitério vertical municipal de Joinville. Antes disso, amigos e familiares prestam as últimas homenagens na Capela Mortuária Borba Gato (Capela 2), às 19h.
Legado na educação e nas instituições públicas
Nascido em 11 de julho de 1932, Aristides dedicou sua vida ao serviço público e à educação. Atuou por muitos anos como educador, tendo deixado legado importante na formação de gerações em escolas da região. Era irmão de Holando Marcellino Gonçalves, que também se destacou na área educacional e que dá nome à Escola de Educação Básica Homago, no bairro Ilha da Figueira, em Jaraguá do Sul.
Além da atuação em sala de aula, Aristides também esteve presente em momentos decisivos da história educacional do município. No início da década de 1970, participou de articulações importantes ligadas à chegada do ensino superior a Jaraguá do Sul. Em 1971, foi convidado para uma reunião em Joinville onde tomou conhecimento da possibilidade de extensão de cursos universitários para a cidade — iniciativa que ganhou repercussão pública em 1972, com o anúncio da novidade nos meios de comunicação locais.
Um nome à frente do Hospital São José
No início da década de 1990, Aristides assumiu a direção do Hospital São José, período em que buscou modernizar a instituição e transformar sua imagem pública. Enfrentando dificuldades financeiras e estruturais da época, foi um dos principais articuladores para o fortalecimento dos vínculos da unidade com a comunidade jaraguaense, órgãos públicos e entidades como a Acijs e CDL. Em entrevista de 1992, expressou seu compromisso com a valorização da equipe e o foco no atendimento humanizado:
“Trabalhamos com a clientela mais preciosa do mundo: o ser humano, que, por isso mesmo, precisa ser bem atendido.”
A vida simples e poética em Schroeder
Aristides também manteve, por muitos anos, uma chácara na via principal de Schroeder, um espaço que batizou de Âmago — nome carregado de simbolismo, formado pelas iniciais de seu próprio nome: Aristides Manoel Gonçalves. No local, a presença de diversos pôneis compunha uma cena pitoresca, que encantava moradores e visitantes, marcando a paisagem com um toque de sensibilidade e cuidado. O espaço se tornou um símbolo afetivo da relação de Aristides com a simplicidade e a natureza.
Entre seus filhos estão Clécio Gonçalves, odontólogo, e Cleidy Gonçalves, advogada e educadora. Ambos, em diversas ocasiões, prestaram homenagens públicas ao pai, destacando não apenas sua trajetória profissional, mas os valores de integridade, fé e amor que nortearam sua vida familiar.
“Hoje a saudade dói, mas o amor permanece eterno”, escreveu Cleidy em uma de suas últimas manifestações.
Além do reconhecimento profissional, Aristides era lembrado com carinho por sua postura ética, serenidade e fé. Como escreveu seu filho Clécio em uma publicação anterior:
“Parabéns, pai, pois muito do que sou, devo ao Senhor. Obrigado por ter me ajudado a ser quem sou.”
Foto: Cleidy Gonçalves, reprodução
Como isso impacta sua vida?
A despedida de Aristides Manoel Gonçalves representa não apenas o adeus a um cidadão respeitado, mas o encerramento de um capítulo importante na história social e institucional de Jaraguá do Sul e região. Sua atuação como educador, sua presença no movimento pelo ensino superior, sua passagem pelo Hospital São José e sua marca afetiva em Schroeder mostram como seu legado vai além da biografia: ele está presente na memória coletiva e no cotidiano de uma cidade que ele ajudou a construir com dedicação, visão e humanidade.
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Profissional da comunicação desde 1992, com experiência nos principais meios de Santa Catarina e no poder público. Observador, contador e protagonista de histórias, conheço Jaraguá do Sul como a palma da mão
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