Após seca histórica em Palmeiras, Rio do Cedros, Celesc se manifesta sobre nível da represa
Companhia afirma que operação segue normas ambientais, enquanto moradores e setor turístico relatam prejuízos e cobram planejamento.
Foto: Divulgação
Após a repercussão sobre a pior seca já registrada na Represa de Palmeiras, em Rio dos Cedros, a Celesc se manifestou oficialmente para esclarecer a situação do complexo energético e responder às críticas de moradores, empresários do turismo e frequentadores da região.
Nos últimos dias, imagens de margens secas, barcos encalhados e o esvaziamento do distrito de Palmeiras reacenderam o debate sobre a gestão da água no local. O reservatório, tradicionalmente utilizado para lazer, esportes náuticos e turismo, enfrenta um cenário atípico em razão da baixa ocorrência de chuvas, o que provocou prejuízos econômicos e mobilização da comunidade.
Celesc diz que geração não depende diretamente da represa de Palmeiras
Em nota à imprensa, a Celesc esclareceu que, do ponto de vista técnico, a geração de energia da Usina Palmeiras não ocorre diretamente a partir da água da represa local, mas sim do reservatório do Rosina, cuja principal contribuição vem do reservatório do Bonito.
Segundo a companhia, mesmo diante da estiagem, o reservatório do Bonito permanece dentro dos limites estabelecidos pela licença ambiental, operando no mínimo técnico permitido. A empresa também informou que a comporta de fundo está aberta, garantindo a vazão ecológica mínima do rio, conforme exigido pela legislação ambiental.
Monitoramento 24 horas e acompanhamento da estiagem
A Celesc afirmou ainda que as usinas Palmeiras e Rio dos Cedros têm seus reservatórios monitorados 24 horas por dia pelo Centro de Operação da Geração, por meio de sensores e câmeras técnicas. A empresa diz acompanhar de forma permanente a redução de afluência na região do Bonito, provocada pela falta prolongada de chuvas.
Do ponto de vista operacional, a companhia sustenta que o sistema segue funcionando dentro dos parâmetros legais e técnicos, mesmo em um cenário climático desfavorável.
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Debate divide moradores e usuários nas redes sociais
A situação também gerou debates intensos nas redes sociais. Parte dos comentários defende que a represa não tem função recreativa, mas sim energética.
“Não entendi, cobrando o quê afinal desse povo? Se a barragem está vazia é porque falta chuva. Ela foi feita para isso. Não é um lago de entretenimento, é um reservatório para a usina elétrica”, escreveu um internauta. Outro comentário reforça: “Uma espécie de caixa d’água que armazena a água da chuva e nada mais”.
Por outro lado, moradores e empresários do turismo contestam essa visão e afirmam que a represa, ao longo das décadas, se consolidou como área urbana, turística e econômica, com investimentos privados e pagamento de impostos.
Setor turístico cobra planejamento e diálogo
Uma proprietária de estabelecimento turístico da região afirma que a situação vai além da questão técnica da geração de energia.
“Pagamos IPTU, e as áreas ao redor das barragens são classificadas como zona urbana. Isso nos dá direito a infraestrutura, respeito e planejamento adequado”, destacou.
Outro comentário, também repercutido nas redes, aponta insatisfação com a falta de diálogo:
“Quem tem imóvel aqui paga impostos e investe com esforço merece ser ouvido, respeitado e valorizado.”

Crise expõe conflito entre uso energético, ambiental e turístico
Construída entre 1959 e 1963, a Represa Palmeiras sempre teve papel estratégico na geração de energia, mas, ao longo do tempo, passou a integrar o cotidiano da população regional como espaço de lazer, turismo e contemplação. A atual crise hídrica escancara um conflito histórico entre o uso energético, ambiental e social do reservatório.
Enquanto a Celesc afirma cumprir rigorosamente as normas ambientais e técnicas, moradores e empresários defendem que o impacto social e econômico da seca exige maior transparência, diálogo e planejamento de longo prazo.
Marcio Martins
Profissional da comunicação desde 1992, com experiência nos principais meios de Santa Catarina e no poder público. Observador, contador e protagonista de histórias, conheço Jaraguá do Sul como a palma da mão