[Opinião] 2026: O ano do fim da criatividade
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“♫ Can’t stop, addicted to the shindig/ Chop Top, he says I’m gonna win big/ Choose not a life of imitation/ Distant cousin to the reservation/ Defunkt, the pistol that you pay for/ This punk, the feeling that you stay for/ In time, I want to be your best friend/ East side love is living on the West End” (Can’t stop; Red Hot Chili Peppers)
Na realidade, não é uma certeza. É uma dúvida. Será 2026 o fim definitivo da criatividade das pessoas. Na realidade, 2026 é só um ano qualquer. A criatividade vem morrendo ano a ano, paulatinamente. Está na UTI, vegetando há alguns bons anos. Na realidade, o que me parece é que pouca gente está se importando com isso. As pessoas estão mais preocupadas em produtividade, ainda que rasa, ou em visibilidade, ainda que mais rasa ainda. E efêmera, muitas vezes.
Nessas curtas férias, dei algumas zapeadas em algumas redes sociais, em especial no Instagram. O que vi? Adivinhem! Sim, a criatividade morrendo…
O que mais se vê são pessoas imitando outras pessoas, que, por sua vez, já estavam imitando outras pessoas. Desde as mais enfadonhas das bobagens, até postagens engraçadas, passando por ensinamentos de pessoas sérias de diversas áreas. Fisioterapeutas, nutricionistas, médicos e cozinheiros (ou chefs, como queiram) parecem ser os campeões.
Vi uma postagem interessante sobre os alimentos mais completos e, de repente, outra, e outra, e outra, e, na maioria das vezes, sem o mínimo pudor na cópia. Ou com pequenas variações.
Uma postagem interessante sobre postura e dores nas costas e tchan de um profissional oriental e, não mais do que o previsível de repente, tantas outras iguais, e iguais, e iguais, mudando única e exclusivamente o cenário e o protagonista. Bizarro!
Conteúdos em alta
E como sou daqueles que costuma ler os comentários (já o fazia desde antes das redes sociais, nas matérias jornalísticas em geral; diga-se que é o lugar onde se pode ter certeza de duas coisas: do grau de ignorância e desrespeito das pessoas e de que esse país não tem futuro mesmo), não estou isolado nessa percepção. Muitas observações no mesmo sentido, de que as pessoas estão copiando umas as outras para tentar se destacar nessem muito de informações das redes sociais. Como é se destacar copiando? Não sei; respondam os especialistas.
A contribuição das IAs
Seria mais certo falar da “descontribuição” dos aplicativos de inteligência artificial. Com a popularização do ChatGPT e seus primos Claude, Gemini, Grok e tantos inúmeros outros, a criatividade (humana) fica ainda mais debilitada.
Com a utilização dessas ferramentas, a preguiça tem tomado conta do intelecto das pessoas. Se por um lado, podem ser um instrumento para facilitar, otimizar e aumentar a produtividade de profissionais de praticamente todas as áreas, por outro, em pouco tempo será praticamente impossível conversar qualquer coisa com esses profissionais se não tiverem uma IA às mãos.
A criatividade das IAs está, indiscutivelmente, minando a criatividade humana. Junte-se a isso o vício nos vídeos curtos, o beisterol de boa parte do que circula nas redes sociais, as bolhas ideológicas que os algoritmos criam, a crescente indisposição das pessoas para a leitura de livros ou textos longos e a rolagem infinita (que também pode ser traduzida como a falta do necessário ócio, especialmente, mas não só, para crianças e adolescentes) e tem-se a fórmula pronta para uma próxima geração neurótica, apática e incapaz de imaginar criativamente.
Como eu disse no texto passado, o fim está próximo.
Raphael Rocha Lopes
Disrupção.TUDO! - Raphael Rocha Lopes é advogado e professor. Escreve sobre educação, comportamento e transformação digitais | @raphaelrochalopesadvogado