Empreendedorismo e legado: Eike Batista conta os bastidores da própria trajetória em podcast jaraguaense
Foto: Reprodução/Podcast Investidor com Propósito
Empreender com propósito no Brasil é um desafio de coragem, persistência e visão. E poucos personagens da economia brasileira encarnam essa trajetória com tanta intensidade quanto Eike Batista. No último episódio do podcast O Investidor com Propósito, apresentado por Luiz Sérgio e Orlandinho, Eike revisita os altos e baixos de sua jornada, desde os primeiros empregos até as maiores cifras do empresariado nacional.
Com histórias que misturam superação, quedas e novos recomeços, Eike fala sem filtros sobre o que deu certo, o que deu errado e o que continua aprendendo.
Infância, esporte e formação: a forja da resiliência
Aos 9 anos, Eike conta como superou a asma junto da mãe enfermeira, e descreveu esse momento como um “bullying da natureza”, pelo ineditismo da situação. Anos depois, enfrentou as dificuldades financeiras da juventude vendendo seguros de porta em porta, numa rotina em que era preciso bater em 100 residências para fechar um ou dois negócios.
Segundo ele, foi no esporte e na exposição ao mundo real que desenvolveu a disciplina que o ajudaria a construir impérios.
“Treinar para uma maratona é como empreender. A parede dos 28km está sempre ali”, diz. Ele inclusive afirma que tem ideias brilhantes enquanto corre, pois o esforço físico oxigena o cérebro e liga novas sinapses.
Negócios na Amazônia e a fase de ouro
Sua primeira grande virada veio aos 23 anos, negociando ouro na região amazônica. Após levar um golpe de 800 mil dólares de um sócio, convenceu joalheiros do Rio a investirem mais 500 mil para operar o chamado “circuito Avon” na mata.
Conteúdos em alta
Com agilidade e ousadia, acumulou um patrimônio inicial milionário. A aposta seguinte foi comprar garimpos e profissionalizar a extração, alcançando margens operacionais de 90% e rendimentos de 1 milhão de dólares por mês. “Comprei a mina mais rica que conhecia e cubamos com tecnologia canadense. O resultado mudou tudo”, relata.
Chegou a operar 12 minas de ouro e prata, incluindo uma nos Estados Unidos, ao lado do parque Yellowstone. Após enfrentar multas ambientais de 100 milhões de dólares, decidiu doar a área ao parque nacional, tornando-se o brasileiro que aumentou sua extensão.
Riscos, tecnologia e os aprendizados da OGX
A entrevista também aborda o colapso da OGX. Eike denuncia a conduta de diretores que esconderam dados reais sobre a produtividade dos poços, mascarando resultados por três anos para garantir bônus milionários.
Em contraste, lembra da venda bilionária da MMX para a Anglo, em um projeto sustentado por reservas e infraestrutura robusta, incluindo o maior mineroduto do mundo. Para ele, o segredo está em ter um olhar técnico, apostar em megatendências e evitar ser engolido pela própria empolgação.
Com olhar no futuro, Eike aposta em três grandes movimentos: a revolução da energia limpa com baterias de sódio, a nova era da tecnologia com empresas como a Nvidia e os investimentos digitais, via tokenização.
Ele cita a startup BWB Digital Assets, que usa tecnologia para democratizar o acesso ao mercado imobiliário, eliminando burocracias e contando com licença da CVM. “Estamos entrando na era da abundância robotizada. E quem não se adaptar, vai ficar para trás”, alerta.
Legado, legado, legado
Para além do dinheiro, Eike reforça que empreender com propósito é construir algo maior. Ele fala da doação de uma mina aos EUA para ampliação do parque Yellowstone, e da proteção de 900 mil hectares em Carajás.
Compartilha também paixões pessoais, como lanchas de alta velocidade e sua visão de que os anos entre 60 e 80 são os mais produtivos para o empreendedor, pois é quando se tem experiência para fazer perguntas profundas à Inteligência Artificial.
Ele ainda narra o fechamento de um negócio de 2,3 bilhões de dólares com o Sheik Mohamed em Abu Dhabi, selado com um gesto simples: dividir uma salada e um pote de Nutella.
“O que mais me motiva é a ideia de legado. Dinheiro vai e volta. Mas valores, conhecimento e contribuição ficam”, resume.
Um episódio que conecta passado, presente e futuro, com lições que inspiram empreendedores, gestores e quem busca construir com sentido.
Como isso impacta sua vida?
É um mapa sobre os riscos e aprendizados de quem decide empreender em um país desafiador como o Brasil. Ao compartilhar seus acertos, fracassos e visões de futuro, Eike mostra que o sucesso não é linear, e que a capacidade de se reinventar pode ser o diferencial entre desistir e deixar um legado.
Maria Eduarda Günther
Jornalista em formação na FURB, nascida em Jaraguá. Cresci entre filmes, livros e peças teatrais. Após criar conteúdo para redes socias sobre Formula 1 e esportes descobri a paixão por jornalismo e a área de comunicação. Nunca perco a oportunidade de conhecer novos lugares e novas histórias por ai.