Colunistas | 30/01/2026 | Atualizado em: 30/01/26 ás 14:47

Pomerode e o legado de Hermann Blumenau, Eugênio Zimmer e Rafael Ramthun: a evolução de uma identidade territorial e cultural

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Pomerode e o legado de Hermann Blumenau, Eugênio Zimmer e Rafael Ramthun: a evolução de uma identidade territorial e cultural

Foto: Divulgação

A história de Pomerode é uma construção de camadas, onde a visão administrativa se funde ao sentimento de pertencimento. Se Hermann Blumenau foi o arquiteto da colonização , estabelecendo as bases do assentamento no Vale do Rio do Testo, Eugênio Zimmer foi, sem dúvida, o arquiteto da identidade municipalista. Em 1983, ao vislumbrar a Festa Pomerana, Zimmer não buscava apenas um evento de calendário, mas uma estratégia de resiliência.

O legado de Eugênio Zimmer: o coração do município

Zimmer compreendeu que a cultura era o ativo mais valioso de Pomerode para enfrentar a sazonalidade econômica. O simbolismo dessa visão manifestou-se no esforço físico: a construção dos pavilhões originais em sistema de pau a pique, com chão de brita, não era apenas uma limitação orçamentária, mas uma reafirmação consciente das raízes coloniais. O próprio prefeito “chamou para si” e para os servidores a responsabilidade de erguer, com as próprias mãos, o palco onde o orgulho pomerodense voltaria a brilhar. Para ele, a festa era, em essência, “o coração” do município.

Rafael Ramthun: a sincronia entre governança e tradição

A gestão do prefeito Rafael Ramthun em 2026 representa a maturação desse pensamento histórico. Ao sintonizar suas ações com o legado de Zimmer, Ramthun elevou a celebração ao status de política de Estado:

Reconhecimento como Patrimônio: Sob sua perspectiva de valorização, o Projeto de Lei 0030/2024 (dos vereadores Cleide Kamchen e Jean Carlos Nicoletto) consolidou a Festa Pomerana como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial.

Modernização com Essência: Ramthun integrou o desenvolvimento econômico — impulsionado pelos polos têxtil e metal-mecânico — com a preservação das tradições. Isso garantiu que Pomerode se mantivesse como uma “cidade-museu viva”, e não apenas um centro industrial.

A 41ª Festa Pomerana: consagração da Pequena Pomerânia

A edição de 2026, encerrada neste último domingo, foi o reflexo prático dessa governança alinhada à história. Sob o comando de Ramthun, a festa celebrou o auge da sinergia pomerana:

O Festival do Bandoneon: No sábado, 24 de janeiro, o festival do instrumento reafirmou o entroncamento cultural eslavo-germânico. O bandoneon serviu como o fio condutor que uniu o passado de Zimmer ao presente de Ramthun.

Chave de Ouro: O encerramento demonstrou que a “identidade de pertencimento” está mais sólida do que nunca. A festa reafirma o munícipe em seu território, deixando de ser um evento meramente turístico.

Organismo vivo

A ponte histórica entre 1984 e 2026 mostra que a Festa Pomerana é um organismo vivo. Enquanto Zimmer plantou a semente da resistência cultural para salvar a economia, Ramthun colhe os frutos de uma cidade que se tornou referência nacional em turismo cultural e coesão social. Pomerode mantém viva a chama da Província da Pomerânia em solo catarinense , sendo o retrato simbólico da frase que define sua alma: “Pomerode Minha Pequena Pomerânia”.

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Ademir Pfiffer

Historiador e criador de conteúdo digital para as plataformas do Kwai, Tik Tok e You Tube. Dedicado à pesquisas sobre memória e patrimônio histórico-cultural em comunidades tradicionais

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