Cotidiano | 13/02/2026 | Atualizado em: 13/02/26 ás 10:12

Quem foi João Januário Ayroso, o professor que é nome de rua e deixou herdeiros na vida pública de Jaraguá do Sul

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Quem foi João Januário Ayroso, o professor que é nome de rua e deixou herdeiros na vida pública de Jaraguá do Sul

Imagem ilustrativa IA JDV

Antes de Jaraguá do Sul se transformar no município industrial que é hoje, quando ainda era distrito de Joinville e o acesso às comunidades exigia atravessar mata fechada, um professor percorria a região a cavalo para ensinar as primeiras letras. João Januário Ayroso ajudou a estruturar os primeiros passos da educação formal no município e deixou um legado que atravessou gerações, na escola, na vida pública e na memória urbana.

Seu nome identifica hoje uma das ruas mais importantes da cidade, ligando os bairros Jaraguá Esquerdo e São Luiz.

Das origens à chegada em Jaraguá do Sul

Natural de Florianópolis, filho do militar Domingos Marcos Ayroso e de Jovita Costa Ayroso, João Januário esteve entre os primeiros professores estaduais a pisar em Jaraguá do Sul, em 1916, juntamente com Heleodoro Borges, quando a cidade ainda era distrito de Joinville.

Enquanto Borges ensinava crianças em uma pequena casa na região central, Ayroso seguia rumo ao interior, em direção a Três Rios do Sul, embrenhando-se pela mata. Amarrava o cavalo em árvores onde, anos depois, seriam erguidos prédios comerciais, como os da firma Breithaupt, e seguia a pé para cumprir seu dever.

Lecionou também no Garibaldi, foi transferido para Porto Franco (município de Brusque), retornou a Jaraguá do Sul e lecionou nos bairros Rio Cerro, Santa Luzia-Itapocuzinho e Ilha da Figueira, atuando tanto em áreas urbanas quanto rurais.

O episódio que marcou sua trajetória

Um dos episódios mais marcantes de sua trajetória ocorreu quando foi designado para lecionar no bairro Garibaldi.

Hospedado na casa do pai de Inácio Steinmacher, homem considerado severo e exigente, foi questionado diretamente, à queima-roupa, se sabia falar alemão.

A resposta foi imediata e segura:

“Ja, Sprechen, Schreiben und Lesen.”

João Januário falava, escrevia e lia o idioma de Goethe, conhecimento adquirido em Itajaí, onde estudara com um professor descrito como “linha dura”. Em uma região marcada pela imigração germânica, essa habilidade era decisiva.

Professor por vocação

Descrito como disciplinado, levava uma vida completamente identificada com a profissão. O registro histórico afirma que nunca recorrera a medicamentos e que “nascera para professor”.

Mais do que ensinar conteúdo, formava gerações. A narrativa afirma que “virou o Município pelo avesso e transformou os moradores em seus alunos”.

Também escrevia para jornais, registrando aspectos das matas, dos rios e do cotidiano local. Em seus textos, comentou inclusive os “moços bossa nova”, demonstrando atenção às mudanças comportamentais de seu tempo.

Família e continuidade do legado

João Januário Ayroso foi pai de Lilia, Lélia, Cecília, João, Irene e Ruth. Sua esposa foi Tarcília Gonçalves Ayroso.

Parte de sua descendência manteve vínculo com a educação e com a vida pública de Jaraguá do Sul.

Ruth Ayroso Kienen atuou como professora e posteriormente dedicou-se à atividade empresarial, tornando-se diretora na empresa Luiz Kienen Bebidas. Era casada com Helmut Kienen, da família proprietária.

Ruth Ayroso Kienen Foto: acervo familiar Jean C. Kienen

Irene Ayroso também exerceu o magistério em localidades rurais do município.

Lillia Ayroso (Oechsler, após o casamento), foi homenageada como nome da Escola Lilia Ayroso Oechsler, na Ilha da Figueira.

Cecília Ayroso Konell, neta de João Januário e filha de Cecília, foi professora, primeira-dama, secretária municipal e prefeita de Jaraguá do Sul.

Neta Cecília Ayroso Konell Foto: reprodução/Facebook

Outros parentescos

João Januário Ayroso era irmão dos também professores Antônio Estanislau Ayroso, igualmente homenageado com nome de rua em Jaraguá do Sul, no bairro Nova Brasília, e de Luiz Gonzaga Ayroso, que nomeia uma escola municipal no bairro Jaraguá 84.

A despedida e a homenagem

João Januário Ayroso faleceu em 12 de junho de 1965, aos 73 anos. Seu enterro foi descrito como uma “última aula”, acompanhada por ex-alunos que compareceram em massa para se despedir do mestre.

Após sua morte, foi homenageado como nome de uma das principais vias de Jaraguá do Sul, perpetuando na paisagem urbana a memória do professor que ajudou a formar gerações.

Como isso impacta sua vida?

Se você mora em Jaraguá do Sul e já passou pela Rua João Januário Ayroso, talvez não soubesse que ali está o nome de um dos educadores que ajudaram a formar as primeiras gerações do município. A história dele revela como a educação estruturou o desenvolvimento da cidade e como um legado iniciado na sala de aula pode atravessar décadas, influenciar famílias, alcançar a vida pública e permanecer na memória urbana. Conhecer essa trajetória é compreender parte da própria formação de Jaraguá do Sul.

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Marcio Martins

Profissional da comunicação desde 1992, com experiência nos principais meios de Santa Catarina e no poder público. Observador, contador e protagonista de histórias, conheço Jaraguá do Sul como a palma da mão

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