Bugios e outros mais! Conheça as espécies de macacos que habitam em Jaraguá do Sul
Saiba quais são as principais espécies que vivem na cidade e o que fazer ao se deparar com um desses animais.
Foto: Reprodução/Instagram @biologo.giba
A aparição de um bugio no bairro Ilha da Figueira, nesta semana, fez lembrar da riqueza que Jaraguá do Sul abriga em sua fauna. Cercada por áreas de Mata Atlântica, a cidade convive com esses animais desde sempre, e esta não foi a primeira vez que um macaco saiu das matas para dar as caras em áreas urbanas.
Mas o que torna esse caso dessa aparição ainda mais simbólica é que o bugio chegou a ficar ameaçado de extinção na região após um surto de Febre Amarela, em 2020. A boa notícia pode, sim, ser comemorada, mas ela também traz um lembrete importante: como bons cidadãos, precisamos ajudar a preservar.

Então que tal entender um pouco mais sobre a fauna local? O JDV procurou a Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama) para saber quais são as espécies de primatas que vivem em Jaraguá do Sul e de que forma a população pode contribuir para preservá-las e conviver com elas da melhor maneira sempre que surgirem perto de casa.
Quais primatas vivem em Jaraguá do Sul?
De acordo com o biólogo Gilberto Ademar Duwe, diretor da Fujama, atualmente, três espécies de primatas são encontradas na região:
- Bugio – espécie nativa e considerada vulnerável no estado
- Macaco-prego – espécie nativa da região
- Sagui – espécie exótica, originária do Sudeste e Nordeste do Brasil
Ele explica que o sagui não é natural de Jaraguá do Sul. Ele foi trazido para cativeiro e, com o tempo, alguns foram soltos ou fugiram, formando populações que hoje vivem e se reproduzem na cidade.

Além disso, a presença de primatas próximos a residências não é incomum. Cada espécie tem um comportamento diferente. O bugio pode aparecer na cidade quando é expulso do bando ou quando está desorientado, buscando alimento.
Conteúdos em alta
Já o macaco-prego costuma se aproximar mais das casas por causa da oferta de comida feita por moradores. Com o tempo, o animal pode se acostumar com essa facilidade e passar a frequentar áreas urbanas com mais frequência.

O sagui, por ser uma espécie que já vive em ambientes modificados, também pode ser visto em regiões próximas às moradias.
O que fazer ao encontrar um macaco perto de casa?
O diretor da Fujama esclarece que nem todo animal silvestre visto na cidade precisa ser resgatado. O resgate é indicado apenas quando:
- O animal está ferido
- Está preso dentro de uma residência
- Está em risco iminente, como em ruas muito movimentadas
- Representa risco à população
Caso contrário, a orientação é observar de longe e não interferir. “Existem duas coisas muito importantes que a população deve ter em mente: conhecer o animal e respeitar o espaço dele”, explica Duwe.
A recomendação é:
- Não tentar tocar ou capturar
- Não se aproximar
- Não oferecer alimento ou deixar restos expostos no quintal
Oferecer comida pode fazer com que o animal se acostume à presença humana, tornando-se cada vez mais urbano e aumentando o risco de conflitos.
>> O resgate de animais silvestres em Jaraguá do Sul é feito pela Fujama de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h – pelo telefone (47) 3409-0290. Fora desse horário, os Bombeiros Voluntários atuam com apoio técnico do órgão ambiental pelo 193.
Bugio reacende esperança ambiental
O avistamento de um bugio macho na Via Verde repercutiu, principalmente entre especialistas ambientais da região, porque este registro tem peso histórico. Duwe explicou que a população de bugios foi praticamente dizimada no início de 2020 devido à Febre Amarela.
Na época, a situação teve pouca repercussão, já que coincidiu com o início da pandemia de Covid-19. O impacto, porém, foi sentido diretamente nas matas.
“A gente tinha muito bugio em tudo quanto é canto e simplesmente a floresta ficou quieta, porque não se ouvia mais o ronco do animal”, explicou.
Como isso impacta sua vida?
Para quem mora na cidade, isso significa conviver com a fauna silvestre de forma responsável. Conhecer as espécies, evitar alimentar e respeitar o espaço dos animais ajuda a preservar não apenas os macacos, mas todo o ecossistema local.
Maria Eduarda Günther
Jornalista em formação na FURB, nascida em Jaraguá. Cresci entre filmes, livros e peças teatrais. Após criar conteúdo para redes socias sobre Formula 1 e esportes descobri a paixão por jornalismo e a área de comunicação. Nunca perco a oportunidade de conhecer novos lugares e novas histórias por ai.