Cotidiano | 24/02/2026 | Atualizado em: 24/02/26 ás 16:36

Ary Pradi: o jaraguaense que transformou o sonho de voar em indústria global de parapentes

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Ary Pradi: o jaraguaense que transformou o sonho de voar em indústria global de parapentes

Foto: Divulgação/Sol Paragliders

O que começou como um sonho de infância, mais tarde se transformaria em uma das mais importantes indústrias de Jaraguá do Sul e também do mundo. Inspirado ainda quando criança, por histórias sobre um Zeppelin que cruzou os céus de Jaraguá do Sul, Ary Pradi construiu a Sol Paragliders e levou o nome da cidade para o cenário internacional do parapente.

Do fascínio infantil à decisão de voar em Jaraguá

Tudo começou com um relato contado pelo pai, Angelo Pradi, sobre um Zeppelin que sobrevoou a América do Sul e despertou encantamento. Para Ary, ainda menino, aquilo ia muito além de um simples acontecimento, era também uma possibilidade.

Em 1982, no mesmo ano em que se formou em Metalurgia pela Escola Técnica Tupy, começou a voar de asa-delta. Mas o interesse não era apenas esportivo. Ele queria entender a engenharia por trás do voo.

A busca por conhecimento continuou. Formou-se em Computação em 1985 e, em 1992, concluiu Administração de Empresas, ambos os cursos pela FURB. A formação técnica e estratégica seria determinante nos anos seguintes.

Ary Pradi voando de asa-delta no início da carreira em Jaraguá do Sul
Foto: Arquivo pessoal

Alemanha, parapente e a visão de futuro

Em 1990, incentivado pela esposa – na época namorada – Kerstin Huber, Ary foi para a Alemanha como aluno convidado em uma universidade. Além dos estudos e da imersão no idioma, viveu experiências decisivas no universo do voo.

Ao observar a prática na Europa, percebeu que o parapente ganhava espaço em relação à asa-delta. Era mais portátil, dobrável e acessível. Enquanto a asa-delta exigia estruturas maiores e logística mais complexa, o parapente oferecia praticidade.

“Tinha somente um bondinho para levar as asas-delta para o alto da montanha, o que demorava muito. O parapente tinha a vantagem de ser dobrável, mais prático. Quando vi aquilo, entendi que ali estava a oportunidade.”, relatou.

Jaraguá do Sul reunia condições favoráveis. A cidade já tinha acesso ao morro das antenas, um ponto adequado para saltos, e estava inserida em um forte polo têxtil. O conhecimento técnico, a estrutura local e a oportunidade de mercado começaram a se conectar.

Vídeo do primeiro voo de teste do parapente

O nascimento da Sol Paragliders

Em agosto de 1991, aos 26 anos, Ary efetivou a empresa, e a primeira venda de parapente ocorreu em abril de 1992.

Dois anos depois, em 1993, a empresa realizou sua primeira exportação, para a Áustria. A trajetória seguiu com acordos tecnológicos internacionais, a criação de setor próprio de pesquisa e desenvolvimento em 1999, certificação como indústria aeronáutica na Alemanha em 2004 e conquistas de títulos mundiais ao longo dos anos seguintes.

A Sol também expandiu suas operações. Em 2012, iniciou a linha de vestuário para esportes ao ar livre. Em 2016, passou a atuar com asas para voo motorizado, o paramotor.

Ary Pradi analisa planejamento estratégico da Sol Paragliders em Jaraguá do Sul
Foto: Divulgação/Sol Paragliders

Crescimento mesmo em meio às crises

Ao longo de toda essa trajetória, Ary enfrentou desafios como a burocracia da legislação brasileira e momentos econômicos difíceis, como o período de dólar baixo em 2012, que impactou a indústria nacional.

Mas em meio a momentos de incerteza, ele viu oportunidades e buscou ser estratégico. Durante a pandemia, segundo Ary, foram os anos de maior crescimento da empresa, impulsionando inclusive fornecedores e escolas de voo ligadas ao setor.

Hoje, com mais de três décadas de atuação, a Sol opera com produção sob demanda e conta com cerca de 160 colaboradores internos e 40 terceirizados, mantendo histórico de baixa rotatividade.

Caixa da Sol Paragliders pronta para envio na sede da empresa em Jaraguá do Sul
Foto: Divulgação/Sol Paragliders

Uma empresa construída com pessoas

Ary conduz a Sol ao lado da esposa Kerstin e do irmão Ademir Fernando. A empresa desenvolveu programas de valorização interna, benefícios aos colaboradores e ações de integração. Para o fundador, o que o move é a transformação.

“Se pudesse voltar ao começo, faria tudo de novo. O que me fascina é o poder da transformação. Há magia em transformar um material bruto em algo útil para a vida das pessoas.”

Costura de parapente na fábrica da Sol Paragliders em Jaraguá do Sul
Foto: Divulgação/Sol Paragliders

Como isso impacta sua vida?

A história de Ary Pradi mostra que inovação pode nascer da combinação entre visão técnica, oportunidade local e coragem empreendedora. Jaraguá do Sul é polo industrial tradicional, mas também sede de uma empresa que atua em um mercado global altamente especializado. Para quem vive na região, a trajetória reforça o potencial local de gerar tecnologia, emprego e reconhecimento internacional, mostrando que grandes projetos também podem nascer olhando para o céu.

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Max Pires

Já criei blog, portal, startup… e agora voltei pro que mais gosto: contar histórias que fazem sentido pra quem vive aqui. Entre um café e um latido dos meus cachorros, tô sempre de olho no que importa pra nossa cidade.

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