Mata Atlântica vira laboratório pedagógico em imersão de professores
Formação docente usa Morro dos Stinghen como laboratório.
O Parque Natural Municipal Morro dos Stinghen se transformou em um laboratório a céu aberto para professores da rede municipal de Jaraguá do Sul. Cerca de 60 docentes dos 4º e 5º anos participaram de uma imersão na Mata Atlântica para planejar atividades que serão aplicadas ao longo de 2026.
Formação conecta currículo à realidade ambiental
A ação foi realizada em parceria entre a Secretaria de Educação e a Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama). O objetivo foi aproximar o currículo escolar da realidade ambiental do município, utilizando o parque como espaço de aprendizagem prática.
Durante as visitas técnicas, os educadores mapearam possibilidades pedagógicas alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), transformando trilhas, solo e biodiversidade em ferramentas de ensino.
A iniciativa integrou a programação da primeira Semana de Formação Continuada 2026 da Rede Municipal, que busca qualificar os professores para utilizar espaços públicos como extensões da sala de aula.
4º ano: biodiversidade e o símbolo regional Pixoxó
Os professores do 4º ano concentraram o planejamento no estudo da fauna e flora da Mata Atlântica. O foco esteve nas cadeias alimentares e no papel de fungos e bactérias no equilíbrio ecológico.
Um dos destaques foi o projeto interdisciplinar envolvendo o pássaro Pixoxó (Sporophila frontalis), ave símbolo da região. A proposta prevê trabalhar medidas matemáticas, geografia do habitat e conscientização ambiental por meio da arte.
Conteúdos em alta
A observação direta do solo da floresta e da decomposição da matéria orgânica serviu de base para estruturar conteúdos sobre ciclo da matéria e fluxo de energia, conectando teoria e prática.
5º ano: corpo humano e saúde da floresta
Já os professores do 5º ano ampliaram a abordagem para a Unidade Temática “Corpo humano e saúde”. Durante a trilha, exploraram analogias entre os sistemas biológicos humanos e o funcionamento da floresta.
Digestão, respiração e circulação foram comparadas aos processos naturais, facilitando a compreensão dos alunos a partir da vivência no ambiente natural.
Também foi estruturada a proposta pedagógica “A água e a vida no Morro dos Stinghen”, voltada ao entendimento do ciclo hidrológico e da importância da cobertura vegetal na preservação das nascentes e do clima local.
Projetos envolvem alimentação sustentável
Outro eixo trabalhado foi a saúde nutricional. A atividade “Cardápio da Floresta Saudável” propõe que os alunos elaborem dietas com base em alimentos naturais e de origem vegetal observados na Mata Atlântica.
A ideia é estimular reflexões sobre hábitos alimentares e combater distúrbios nutricionais, como a obesidade, contrapondo alimentos naturais aos ultraprocessados.
Como isso impacta sua vida?
A formação fortalece a qualidade do ensino na rede municipal e amplia o uso consciente dos espaços naturais de Jaraguá do Sul. Ao conectar educação e meio ambiente, a iniciativa contribui para formar estudantes mais atentos à preservação da natureza e à própria saúde.
Martin Petry
Nasci em Jaraguá do Sul, mas estudei e vivi grande parte da minha vida em Massaranduba, onde sempre vou carregar no coração esse pedaço do interior Catarinense.