Cotidiano | 22/03/2026 | Atualizado em: 20/03/26 ás 16:56

Como chega e para onde vai a água da torneira da sua casa? Entenda o ciclo em Jaraguá e região

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Como chega e para onde vai a água da torneira da sua casa? Entenda o ciclo em Jaraguá e região

Foto: wirestock/Freepik

Basta virar o registro da torneira que, em poucos milésimos de segundos, temos água para beber, cozinhar, tomar banho ou limpar a casa. E uma coisa é fato: a gente quase nunca para para pensar no caminho que esse recurso tão essencial percorre até chegar em cada casa, não é?

Além disso, e depois? Para onde vai a água que usamos e desaparece pelo ralo?

Na região do Vale do Itapocu, esse percurso faz parte do sistema natural do ciclo da água, que envolve rios, chuvas, solos, florestas e até o oceano. Mas entre a água que corre nos rios e a que chega às torneiras das casas existe um longo processo de captação, tratamento e distribuição.

Nesta reportagem da série especial do Dia da Água, celebrada neste 22 de março, o JDV, em parceria com a Amvali (Associação dos Municípios do Vale do Itapocu), mostra como funciona o caminho da água desde os rios da região até chegar às torneiras das casas.

>> Leia também: Quais são, onde nascem e para onde vão os rios de Jaraguá do Sul e região? Veja nos mapas

Como a água do rio fica água potável?

Rio Itapocu ao entardecer com vegetação nas margens no Vale do Itapocu
Rio Itapocu é principal fonte de água para abastecimento na região | Foto: Divulgação/Amvali

Em Jaraguá do Sul, cerca de 70% da população é abastecida com água captada do Rio Itapocu, pelo Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae).

Esse rio faz parte da Bacia Hidrográfica do Itapocu, sistema de rios que atravessa o Vale do Itapocu e reúne águas de diversos afluentes da região. É desse conjunto de rios que parte a água utilizada no abastecimento das cidades.

>> Quer entender melhor sobre isso, então leia: Quais são, onde nascem e para onde vão os rios de Jaraguá do Sul e região? Veja nos mapas

Porém, a água retirada do rio não pode ser consumida diretamente. Antes de chegar às casas, ela passa por um processo completo de tratamento dentro da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto).

Estação de tratamento de água em Jaraguá do Sul cercada por área verde
Estação de tratamento de água em Jaraguá do Sul | Foto: Divulgação/Samae

A captação começa em um pré-sedimentador, onde as partículas maiores de sujeira ficam retidas. Depois, a água passa por várias etapas:

  • coagulação
  • floculação
  • decantação
  • filtração

Nesse processo, produtos químicos ajudam a unir as partículas de sujeira em pequenos flocos, que se depositam no fundo dos tanques, separando-se da água.

Após a filtragem, são adicionados cloro, para desinfecção, e flúor, que ajuda na prevenção de cáries. Além disso, a água passa por análises físico-químicas, microbiológicas e sensoriais para garantir que esteja própria para consumo.

>> Leia também: Pode beber a água da torneira em Jaraguá? Descubra se é seguro!

Todo esse processo leva cerca de uma hora e meia, desde a captação até a água tratada estar pronta para distribuição.

Veja como funciona na prática em vídeo produzido para o Programa de Educação e Valorização da Água (Proeva), voltado à educação ambiental para crianças:

Mesmo depois disso tudo, o monitoramento continua. As análises operacionais são feitas aproximadamente a cada duas horas, enquanto sensores enviam dados constantemente sobre a qualidade da água bruta e tratada.

Depois de aprovada, a água é armazenada em reservatórios e distribuída pela rede até chegar diretamente às torneiras ou caixas d’água das residências.

Além do uso doméstico, a água captada nos rios da região também abastece atividades econômicas como a agricultura, a indústria e a produção de alimentos.

Sistema de irrigação por aspersão em plantação agrícola com fileiras de cultivo
Foto: Ottó/Pixabay

>> Leia também: Da indústria ao café da manhã: quais setores mais utilizam as águas do Rio Itapocu?

Embora o Samae seja responsável pelo abastecimento de água em Jaraguá do Sul, nas demais cidades do Vale do Itapocu a gestão do sistema é feita pelas próprias prefeituras ou autarquias municipais. Como é o caso do Águas de Guaramirim, Águas de Corupá e Águas de Schroeder.

Em geral, esses órgãos atuam de forma semelhante, administrando todo o processo, desde a captação da água bruta nos rios da região até o tratamento, armazenamento e distribuição para a população, além de serem responsáveis pela manutenção das redes, consertos de vazamentos, novas ligações, leitura de consumo, emissão de faturas e fiscalização dos serviços.

O papel da chuva no abastecimento

A chuva é um dos elementos fundamentais do ciclo da água. Quando chove nas áreas de montanha e nas nascentes da bacia hidrográfica, parte dessa água infiltra no solo e alimenta lençóis freáticos. Outra parte escorre pela superfície, formando córregos e rios que deságuam no Rio Itapocu.

Lago com folhas de vitória-régia durante chuva com gotas caindo na água
Foto: Freepik

O relevo da região influencia diretamente esse processo. As montanhas funcionam como barreiras para massas de ar úmido vindas do oceano, o que favorece a ocorrência de chuvas em determinadas áreas da bacia. Essas chuvas são essenciais para manter o volume dos rios e garantir o abastecimento das cidades.

Apesar de ser fundamental, o excesso de chuva também pode trazer desafios para o sistema de abastecimento.

Em períodos de chuvas intensas, o nível do Rio Itapocu sobe rapidamente e aumenta a turbidez da água, ou seja, a quantidade de partículas em suspensão. Quando isso acontece, o processo de tratamento precisa ser adaptado.

Antes da captação, podem ser instaladas balsas que funcionam como filtros rápidos, reduzindo a quantidade de material que chega à estação de tratamento. Mesmo assim, esse processo pode atrasar a operação. Eventos extremos como enchentes ou estiagens fazem parte da dinâmica natural da bacia hidrográfica e têm ocorrido com frequência na região.

E depois que usamos a água, pra onde ela vai?

Depois de utilizada nas casas, a água segue outro caminho. Ela vai para sistemas de coleta de esgoto ou retorna ao ambiente por meio de redes de drenagem.

Esquema de sistema de esgoto residencial mostrando ligação da casa à rede coletora
Sistema de esgoto nas casas de Jaraguá do Sul | Imagem: Divulgação/Samae Jaraguá do Sul

Em Jaraguá do Sul, grande parte da área urbana já conta com rede de coleta e tratamento de esgoto. Segundo o Samae, a cobertura urbana de coleta e tratamento chega a mais de 90%, um dos índices mais elevados do Brasil.

Nesse sistema, o esgoto gerado nas casas é conduzido por redes subterrâneas até estações de tratamento, onde passa por processos que removem grande parte dos poluentes antes de ser devolvido ao ambiente.

>> A cidade também segue ampliando essa estrutura. Novas redes coletoras estão sendo implantadas em diversos bairros e uma nova Estação de Tratamento de Esgoto, a ETE Centenário, está em construção para aumentar ainda mais a capacidade de tratamento.

Em alguns casos, após tratamento, essa água volta aos rios, onde passa novamente pelos processos naturais do ciclo hidrológico.

Esse retorno faz parte de um ciclo contínuo: a água é captada nos rios, tratada para consumo, utilizada pela população e pelas atividades econômicas e, depois de tratada novamente, retorna ao ambiente.

Esse movimento constante entre atmosfera, solo, rios e oceanos é o que garante que a água esteja sempre circulando na natureza.

Cuidar dos rios é garantir água no futuro

Especialistas em recursos hídricos alertam que o crescimento das cidades, da agricultura e da indústria aumenta a pressão sobre os rios da região.

“As pessoas ainda acham que os rios são depósitos de contaminantes e que, ao ‘jogar fora’ no rio, esses resíduos deixam de ser um problema. Essa é uma ideia muito equivocada”, explica Karine Holler, engenheira florestal da Amvali e presidente do Comitê Itapocu.

Segundo ela, toda a água da região está conectada dentro de uma mesma bacia hidrográfica, que abrange vários municípios e tem um único destino: o Oceano Atlântico, na região da Boca da Barra, entre Araquari e Barra Velha.

Foto do Clube de Caique limpamdo o rio
Ação de limpeza dos rios pelo Clube de Canoagem Kentucky | Legenda: divulgação

“A contaminação dos rios não para ali. Além de poder afetar o nosso abastecimento e de outras cidades, ela segue até o mar, impactando a vida marinha, as praias e diversas atividades que dependem de água de qualidade”, completa.

Por isso, o planejamento e a gestão da bacia hidrográfica são fundamentais para garantir água em quantidade e qualidade para as próximas gerações. Quem atua nesse sentido é o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu, um colegiado que reúne representantes do poder público, usuários da água e entidades da sociedade civil para discutir o uso e a preservação dos recursos hídricos da região.

Entre os principais desafios apontados para o futuro da região estão:

  • melhorar o tratamento de esgoto
  • ampliar o monitoramento da qualidade da água
  • preservar nascentes e áreas de mata
  • reduzir a poluição nos rios

Sem essas ações, o equilíbrio do ciclo da água pode ser comprometido – e isso afeta diretamente o abastecimento das cidades, a produção de alimentos e a qualidade de vida da população.

Como isso impacta sua vida?

A água que chega à torneira da sua casa percorre um longo caminho — das montanhas ao rio, do rio à estação de tratamento, e finalmente à rede de distribuição. Quando abrimos a torneira, estamos usando um recurso que depende diretamente da preservação das nascentes, da qualidade dos rios e da gestão responsável da bacia hidrográfica.

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Maria Eduarda Günther

Jornalista em formação na FURB, nascida em Jaraguá. Cresci entre filmes, livros e peças teatrais. Após criar conteúdo para redes socias sobre Formula 1 e esportes descobri a paixão por jornalismo e a área de comunicação. Nunca perco a oportunidade de conhecer novos lugares e novas histórias por ai.

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