Quais são, onde nascem e para onde vão os rios de Jaraguá do Sul e região? Veja nos mapas
Na torneira de casa, no café que a gente prepara de manhã, no banho do dia a dia. A água está em todo lugar; principalmente na paisagem lá fora: debaixo das pontes que atravessamos todos os dias, corta bairros e liga Jaraguá do Sul às cidades da região.
Mas você já parou para pensar quais são e para onde vão os rios que você vê pela cidade?
Em comemoração ao Dia da Água – 22 de março – o JDV, em parceria com a Amvali (Associação dos Municípios do Vale do Itapocu), preparou uma série de matérias especiais e curiosas sobre as águas que banham a região.
Um convite para conhecer melhor o lugar que você vive a partir da espinha dorsal que movimenta as cidades e mantêm todos nós vivos: a água.

Da serra ao mar, o caminho da água
A jornada da água que abastece o Vale do Itapocu começa nas áreas mais altas da Serra do Mar, nos municípios de Campo Alegre e São Bento do Sul.
Ali, entre montanhas cobertas por Mata Atlântica e a cerca de mil metros de altitude, surgem nascentes que dão origem a pequenos cursos d’água. Eles descem pelas encostas da serra, encontram outros riachos ao longo do caminho e, pouco a pouco, formam uma rede que atravessa todo o Vale até chegar ao Oceano Atlântico, em Barra Velha.
Conteúdos em alta
Todo esse sistema compõe a Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu, uma das bacias da vertente atlântica de Santa Catarina. O estado divide seus rios em diferentes regiões hidrográficas para organizar a gestão da água, agrupando bacias que seguem trajetos semelhantes até o mar.

No centro dessa rede está o Rio Itapocu, o principal curso da bacia. É ele que recebe a água de diversos rios menores e conduz esse fluxo ao longo do vale em direção ao litoral.
Ao todo, a área de drenagem da bacia ultrapassa 2.900 quilômetros quadrados, conectando diferentes municípios do Vale do Itapocu e do litoral norte catarinense: Corupá, Jaraguá do Sul, Schroeder, Guaramirim, Massaranduba, São João do Itaperiú, Barra Velha, além de Araquari e também uma parte de Blumenau, Joinville, Campo Alegre e São Bento do Sul.

>> “Itapocu” é um nome de origem tupi-guarani que não tem uma única tradução definida. Entre as interpretações mais conhecidas está “pedra comprida” ou “pedra alta”, possivelmente relacionada ao Pico Jaraguá, visível ao longe, inclusive da foz do rio, em Barra Velha.
Outros possíveis significados seriam “caminho antigo” ou “caminho comprido”, ligados às rotas indígenas que conectavam o litoral ao interior.
Onde nasce o Rio Itapocu?

O Rio Itapocu se forma oficialmente no município de Corupá, a partir da confluência dos rios Novo e Humboldt – este último continuação do Rio Vermelho. É nesse encontro de águas que o curso principal passa a receber o nome de Itapocu e inicia sua jornada em direção ao litoral norte catarinense.
Mas a origem da água que forma o rio começa ainda antes. A nascente mais distante do sistema está no Rio Vermelho, nos municípios de Campo Alegre e São Bento do Sul, nas áreas mais altas da Serra do Mar.

Desde sua formação em Corupá até a foz em Barra Velha, o Rio Itapocu percorre cerca de 109 quilômetros. Mas se considerarmos a nascente mais distante do sistema, no Rio Vermelho, o percurso total pode chegar a aproximadamente 136 quilômetros.
O relevo tem papel fundamental na formação do sistema hídrico da região. A altura e formações geográficas da Serra do Mar funcionam como uma espécie de parede natural que direciona o fluxo da água. E essa cadeia montanhosa é uma das formações geológicas mais antigas do Brasil.
Os rios que formam o sistema do Itapocu
A Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu é formada por oito sub-bacias que alimentam o curso principal. Veja todas elas no mapa abaixo:

Cada um desses rios capta água de diferentes partes do território e ajuda a formar a rede hídrica que sustenta o Vale do Itapocu.
O Rio Jaraguá, por exemplo, nasce em áreas altas dentro do próprio município: do bairro Garibaldi passa pelo Jaraguá 84, 99, Barra, Jaraguá Esquerdo, Vila Nova e Centro, para desaguar no Itapocu, na região da Ilha da Figueira.

Já o Itapocuzinho atravessa Jaraguá do Sul, Schroeder e Guaramirim antes de encontrar o rio principal.
O que é uma bacia hidrográfica?
A bacia hidrográfica é o território por onde a água da chuva e das nascentes escoa em direção a um mesmo rio principal. Dentro dessa área, tudo está interligado – riachos, ribeirões, afluentes, rios, solo, vegetação e paisagem – formando uma rede de drenagem que conduz a água até o curso principal, neste caso o Itapocu, em um sistema contínuo que segue até o oceano.
Esse conjunto de rios e cursos d’água é o que desenha o chamado “esqueleto hídrico” da região.

Jaraguá do Sul está totalmente inserida na bacia hidrográfica do Itapocu. Isso significa que o município faz parte de um sistema hídrico mais amplo, que conecta diferentes cidades e paisagens. Os rios que atravessam o território jaraguaense são parte dessa rede maior, que recebe contribuições das áreas de serra e conduz a água ao longo do vale até o litoral.
Além de formar a paisagem e conectar municípios, a água da bacia do Itapocu também está presente em diversas atividades da região.
O uso da água inclui abastecimento humano, agricultura, aquicultura, indústria e outras atividades econômicas. Entre esses usos, destaca-se a presença da agricultura irrigada em áreas da bacia, especialmente em lavouras localizadas nas regiões de planície.

Diante dessa diversidade de usos, a gestão da água precisa ser planejada de forma integrada entre diferentes setores da sociedade. É nesse contexto que atua o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu, um colegiado que reúne representantes do poder público, usuários da água e entidades da sociedade civil para discutir o uso e a preservação dos recursos hídricos da região.
Entre os participantes deste comitê está a Associação dos Municípios do Vale do Itapocu (Amvali), que contribui com apoio técnico e articulação entre os municípios da bacia.
Fim do percurso: quando o rio encontra o mar
Depois de atravessar o Vale do Itapocu, o rio segue em direção ao litoral norte catarinense. A foz fica na região de Barra Velha, na divisa com Araquari, onde as águas deságuam no Oceano Atlântico.
Nesse trecho final, o rio forma um estuário, área de transição onde a água doce encontra a água salgada do mar. Esse ambiente dá origem a ecossistemas importantes, como manguezais e áreas de restinga.

Esse encontro marca o fim da longa jornada da água que começou nas montanhas da Serra do Mar e percorreu dezenas de rios e afluentes até chegar ao oceano.
Como isso impacta sua vida?
Compreender o caminho do Rio Itapou ajuda a perceber o gtande sistema formado por montanhas, florestas, nascentes e cursos d’água que se conectam até chegar ao mar – e o quanto precisamos cuidar de cada pedacinho desse grande sistema que nos abastece e dá vida.

Gabriela Bubniak
Jaraguaense de alma inquieta e jornalista apaixonada por contar boas histórias. Tenho fascínio por livros, música e viagens, mas o que me move é viver a energia de um bom futsal na Arena e explorar o que há de melhor na nossa terrinha.