Tiago Coelho e Alcir Oldenburg falam pela primeira vez sobre a liquidação extrajudicial da Dank SCD
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Com a decretação da liquidação extrajudicial da Dank Bank SCD pelo Banco Central do Brasil, na última quarta-feira (11), os nomes de Tiago Coelho Przywitowski e Alcir Vidau Oldenburg vieram à tona, mesmo sem qualquer vínculo ativo com a fintech desde 2023. Os ex-fundadores e ex-administradores da instituição concederam entrevista exclusiva ao JDV para esclarecer os fatos e defender publicamente suas posições.
Ao longo da conversa, eles explicam que as pendências que mantiveram seus nomes vinculados à instituição são de caráter burocrático, relacionadas à atualização cadastral e societária que ainda não teria sido concluída pelo regulador. Os empresários também destacam que, durante o período em que estiveram à frente da empresa, a instituição não chegou a realizar operações de crédito, ressaltando que a decisão de vender o negócio foi estratégica e transparente.
Tiago Coelho Przywitowski e Alcir Vidau Oldenburg reforçam ainda que não possuem qualquer ligação com a gestão responsável pelos fatos que motivaram a liquidação extrajudicial da empresa e defendem que eventuais problemas ocorreram após sua saída. Confira a entrevista:
A decisão do Banco Central pegou vocês de surpresa?
Tiago Coelho: De certa forma, sim, especialmente pelo fato de nossos nomes ainda aparecerem no processo. Precisamos ser muito claros: saímos da Dank SCD em 2023. Vendemos nossa participação, solicitamos formalmente todas as alterações necessárias junto ao Banco Central e entregamos a documentação exigida. O processo de transição estava nas mãos do próprio regulador para ser concluído.
Alcir Oldenburg: Exato. Não exercemos nenhuma função administrativa, operacional ou de gestão desde então. A menção aos nossos nomes neste momento decorre exclusivamente de uma pendência burocrática interna do Banco Central, que ainda não havia finalizado o registro das mudanças que nós mesmos protocolamos.
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Quais eram essas mudanças que estavam pendentes de formalização junto ao regulador?
Tiago Coelho: Eram alterações completamente corriqueiras em qualquer processo de venda e reestruturação societária: mudança de endereço da instituição, substituição formal dos acionistas, registro dos novos aportes de capital realizados pelos novos controladores e a solicitação de conversão do modelo operacional de SCD para SCFI — Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento. Tudo isso foi protocolado formalmente. O Banco Central tinha em mãos todos os elementos para concluir essa transição.
Alcir Oldenburg: É importante frisar: não se trata de omissão ou irregularidade da nossa parte. Cumprimos todos os ritos legais. O que houve foi um delay no processamento interno do regulador, algo que, lamentavelmente, é mais comum do que se imagina no sistema financeiro brasileiro.
A Dank SCD chegou a operar sob a gestão de vocês?
Alcir Oldenburg: Não. A Dank recebeu a autorização do Banco Central para funcionar em 2022, o que por si só já é um processo rigoroso e criterioso. Mas durante todo o período em que estivemos à frente, a instituição não realizou nenhuma operação de crédito. Era uma decisão estratégica e consciente — queríamos garantir uma base sólida antes de iniciar qualquer operação.
Tiago Coelho: Obtivemos a licença, estruturamos a empresa e, em 2023, entendemos que fazia sentido buscar novos acionistas com capacidade de dar continuidade ao projeto numa escala maior. Foi uma decisão de negócio, transparente e dentro dos conformes legais.
Por que, então, seus nomes continuam associados à instituição?
Tiago Coelho: Porque o Banco Central ainda não concluiu o processo de atualização cadastral e societária que nós mesmos solicitamos. É uma situação que nos incomoda profundamente, porque cria uma associação pública que não reflete a realidade. Somos os primeiros a defender a atuação do regulador, mas neste caso específico, há um gap burocrático que nos prejudica de forma injusta.
Alcir Oldenburg: E é fundamental que o mercado, a imprensa e a sociedade compreendam essa distinção: os fatos que motivaram a liquidação extrajudicial ocorreram sob uma gestão da qual não fazemos parte. As decisões operacionais, os eventuais descumprimentos regulatórios posteriores à nossa saída — nada disso tem qualquer relação com nossa atuação.
Qual é a posição de vocês daqui para frente?
Alcir Oldenburg: Estamos totalmente à disposição do Banco Central e de qualquer instância regulatória para prestar os esclarecimentos necessários. Nossa conduta foi sempre pautada pela transparência e pelo cumprimento estrito das normas. Temos documentação que comprova cada etapa do processo.
Tiago Coelho: Minha trajetória fala por si. Atuei como Secretário da Fazenda de Jaraguá do Sul, conduzi empresas com rigor de governança e compliance. Não vou permitir que uma pendência administrativa, que nós próprios solicitamos a resolução, comprometa uma reputação construída com muito trabalho e integridade. Seguimos confiantes de que os fatos, devidamente apurados, confirmarão o que estamos dizendo aqui.
Tiago Coelho Przywitowski e Alcir Vidau Oldenburg afirmam manter toda a documentação referente à venda da participação societária, aos protocolos de mudança cadastral e às solicitações formais encaminhadas ao Banco Central, colocando-se à disposição para colaborar com qualquer processo de apuração.