Piscicultura em Jaraguá do Sul pode gerar mais de R$ 6 milhões: conheça o projeto
Foto: Prefeitura de Jaraguá do Sul
Jaraguá do Sul apresentou ao Ministério da Agricultura um projeto para fortalecer a piscicultura local, com foco no reaproveitamento de lagoas inativas e aumento da produção. A iniciativa projeta crescimento expressivo da atividade, com potencial de ultrapassar R$ 6 milhões em valor bruto de produção.
Projeto aposta em estruturas já existentes no município
Projeto aposta em estruturas já existentes no município
Uma equipe da Secretaria de Desenvolvimento Rural esteve em Florianópolis para apresentar o projeto Piscicultura Ativa à Superintendência Federal de Pesca e Aquicultura.
A proposta parte de uma lógica direta: utilizar estruturas que já existem, mas hoje estão paradas ou subutilizadas. Entre elas, lagoas espalhadas pelo município que podem voltar a produzir.
Além disso, foi apresentada a abertura do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi) para um produtor local, o que pode permitir a comercialização de pescado em todo o território nacional e ampliar a demanda pela produção no município.
Segundo o diretor de Agricultura, Jorge Inácio de Andrade, a iniciativa tem como foco gerar empregos, ampliar a produção de pescado e fortalecer o abastecimento, inclusive da merenda escolar.
Conteúdos em alta
Cidade já tem base produtiva consolidada
Os dados apresentados, com base em levantamentos da Cidasc e da Epagri, mostram que Jaraguá do Sul não está começando do zero.
O município possui cerca de 1.943 propriedades com algum tipo de atividade agropecuária, além de características naturais que favorecem a piscicultura, como disponibilidade de água, clima adequado e áreas que podem ser reaproveitadas, principalmente regiões antes utilizadas para rizicultura.
A localização próxima a grandes centros urbanos também é apontada como fator estratégico para escoamento da produção.

Produção atual mostra que há espaço para crescer
Hoje, a piscicultura já movimenta números relevantes na cidade.
Jaraguá do Sul conta com 11 estabelecimentos voltados ao turismo e pesque-pague. Um deles também atua como abatedouro, com produção própria de 52 toneladas por ano, além de absorver outras 130 toneladas de produtores parceiros.
Há ainda a atuação de uma associação local, cuja produção de filé chegou a 53 toneladas em 2022.
Mesmo com essa estrutura, o diagnóstico aponta que a atividade ainda não atingiu todo o seu potencial.
Diagnóstico aponta gargalos e oportunidades
O levantamento técnico indica que a produtividade atual pode avançar com medidas relativamente claras.
Entre os pontos levantados estão a necessidade de ampliar a assistência técnica, fortalecer políticas públicas e incentivar a profissionalização dos produtores.
A piscicultura amadora, por exemplo, hoje produz cerca de 42 toneladas por ano. Com ajustes e apoio, esse volume pode chegar a aproximadamente 190 toneladas no médio prazo.

Áreas abandonadas podem elevar produção em até 35%
Outro dado relevante é a existência de cerca de 15 hectares de estruturas consideradas obsoletas, abandonadas ou subutilizadas.
A recuperação dessas áreas pode gerar um aumento estimado de 35% na produção total.
Na prática, isso representa uma evolução das atuais 409 toneladas para cerca de 710 toneladas por ano.
Projeção econômica passa dos R$ 6 milhões
Com base no valor médio pago ao produtor, estimado em R$ 8,50 por quilo, o cenário projetado aponta para mais de R$ 6.000.000,00 em valor bruto de produção.
O número reflete o potencial da cadeia produtiva caso as melhorias previstas sejam implementadas.
Próximo passo é mobilizar produtores locais
Após a apresentação em Florianópolis, considerada positiva pelos participantes, o município deve avançar na articulação local.
Um encontro com piscicultores está previsto para o dia 14, na Secretaria de Desenvolvimento Rural, na Barra do Rio Cerro. A ideia é apresentar o projeto e alinhar os próximos passos para implementação.
Como isso impacta sua vida?
O avanço da piscicultura pode fortalecer a economia local, gerar novas oportunidades de trabalho e ampliar a oferta de alimentos produzidos no próprio município. Na prática, isso significa mais circulação de renda e maior integração entre produção rural e consumo na cidade.
Marcio Martins
Profissional da comunicação desde 1992, com experiência nos principais meios de Santa Catarina e no poder público. Observador, contador e protagonista de histórias, conheço Jaraguá do Sul como a palma da mão