A atleta jaraguaense que transformou a dor da perda em uma trajetória vitoriosa no atletismo
Iolanda Legal durante participação em competição internacional de atletismo master | Foto: Arquivo Pessoal
Perder um ente querido pode mudar completamente o rumo da vida de uma pessoa. Para a jaraguaense Iolanda Aparecida Rodrigues Legal, a morte do pai foi um dos momentos mais difíceis que viveu, e o luto exigiu dela uma nova forma de lidar com a dor. Foi nesse processo que encontrou na corrida uma maneira de enfrentar aquele momento.
O que começou como uma tentativa de espairecer e se distrair, anos mais tarde se transformou em uma trajetória de pódios internacionais. Hoje, aos 56 anos, ela já representou o Brasil em competições de atletismo master em 14 países, conquistando medalhas e o reconhecimento de atletas e treinadores de diferentes partes do mundo.
O início de uma trajetória nas pistas
Iolanda conta que começou a correr aos 34 anos, momento em que teve que enfrentar a perda do pai. Na época, ainda não imaginava que o esporte faria parte da sua vida de forma tão intensa.
Somente em 2011 decidiu participar da primeira corrida de rua. A estreia foi em Joinville e terminou com um quinto lugar na classificação geral feminina.
“O esporte mudou minha vida para melhor. Saí das corridas de rua para as pistas do mundo”, resume.
Em janeiro de 2012, passou a treinar com o professor Alexandre Manoel de Oliveira, que também a incentivou a migrar para as provas de pista. Desde então, a rotina passou a ser guiada pelos treinos e pelas competições.
Uma rotina de atleta de alto rendimento
Iolanda atuou como servidora pública por mais de três décadas e, após se aposentar, em outubro de 2020, passou a dedicar ainda mais tempo ao esporte. Atualmente mora em Balneário Piçarras, mas mantém a rotina de treinamentos sob orientação de Alexandre.
Conteúdos em alta
Ela treina seis vezes por semana, com quatro sessões específicas de corrida e dois dias de musculação. Cada treino dura, em média, uma hora e meia.

Segundo Alexandre, um dos aspectos que mais chamaram atenção desde o primeiro contato foi a disciplina. “Ela sempre foi extremamente responsável e dedicada aos treinamentos. Nunca faltou comprometimento”, afirma.
O treinador explica que, além da dedicação, Iolanda também apresenta características fisiológicas diferenciadas. Em uma pesquisa realizada em 2016 com mais de 400 atletas de Santa Catarina e Paraná, foi identificado nela um gene associado ao desempenho aeróbico.
“Ela possui dados de aptidão física muito acima da média. Somando isso ao comprometimento, ela reúne características de uma excelente atleta. Se tivesse iniciado no atletismo ainda na adolescência, afirmo com propriedade que teria sido atleta olímpica”, diz Alexandre.
Reconhecimento nos campeonatos internacionais
Um dos momentos mais marcantes da carreira aconteceu no Campeonato Mundial Master realizado na França, em 2015, sua primeira competição mundial.
Logo após disputar os 5 mil metros, Iolanda terminou entre as dez melhores atletas do mundo da categoria. O desempenho chamou a atenção das adversárias.

Segundo Alexandre, atletas de outros países perguntaram em qual edição dos Jogos Olímpicos ela havia competido, por considerarem sua técnica semelhante à de atletas olímpicas que enfrentaram durante a carreira. Treinadores estrangeiros também elogiaram seu desempenho e disseram que gostariam de treiná-la.
Para o treinador, aquele reconhecimento foi determinante para fortalecer ainda mais a confiança da atleta.
Medalhas em diferentes continentes
Ao longo da carreira, Iolanda competiu em 14 países representando o Brasil. Entre as conquistas que mais guarda na memória está a medalha de ouro nos 10 mil metros durante o Campeonato Asiático.

Ela lembra que, além da preparação esportiva, competir em outro continente exigia adaptação a uma nova realidade, com mudanças de fuso horário, condições climáticas diferentes e uma rotina longe de casa. Mesmo diante dessas dificuldades, conseguiu superar os obstáculos e subir ao lugar mais alto do pódio.
Mais recentemente, voltou a enfrentar outro grande desafio durante o Campeonato Mundial Master disputado em Valência, na Espanha, onde as altas temperaturas exigiram ainda mais resistência.

“É sempre maravilhoso representar o Brasil e, acima de tudo, ser respeitada como atleta”, afirma.
Nunca é tarde para começar
Mesmo aposentada do serviço público, Iolanda afirma que vive hoje uma das fases mais especiais da vida. Com mais tempo para treinar e viajar, ela segue conciliando competições internacionais com a rotina de preparação física.
A mudança de rotina permitiu que ela se dedicasse ainda mais ao atletismo. Entre treinos, viagens e provas em diferentes países, Iolanda mantém o foco nos próximos desafios e segue encontrando no esporte uma fonte de motivação.

A trajetória também mudou a forma como ela enxerga o envelhecimento e os limites pessoais. Para Iolanda, começar uma nova atividade depois dos 30 anos mostrou que o tempo não precisa ser uma barreira para buscar novos objetivos.
Para quem pensa em começar um esporte mais tarde, ela deixa um conselho baseado na própria história.
“Nunca é tarde para nada. É só ter força de vontade, determinação e, acima de tudo, amar o que faz.”
Como isso impacta sua vida?
A trajetória de Iolanda mostra que o esporte pode transformar vidas em qualquer fase. Para os moradores de Jaraguá do Sul, a história da atleta reforça que a cidade também forma personagens que levam o nome do município para competições internacionais, além de servir de inspiração para quem acredita que já passou da idade de começar um novo desafio.
Maria Eduarda Günther
Jornalista em formação na FURB, nascida em Jaraguá. Cresci entre filmes, livros e peças teatrais. Após criar conteúdo para redes socias sobre Formula 1 e esportes descobri a paixão por jornalismo e a área de comunicação. Nunca perco a oportunidade de conhecer novos lugares e novas histórias por ai.