WEG vai fornecer as turbinas da expansão bilionária da Usina Jaguara
A empresa de Jaraguá do Sul entrega duas máquinas de 116 MW para a Engie ampliar a usina em Rifaina (SP). O valor do contrato não foi divulgado.
Dividendos da WEG disparam atenção de investidores após anúncio de R$ 1,9 bilhão - Foto divulgação / montagem
Resumo completo
Contratante: Engie Brasil Energia
Fornecimento: duas unidades geradoras de 116 MW cada
Investimento do projeto: R$ 1,2 bilhão, aporte da Engie
Ganho de potência: 232 MW, elevando a usina de 424 MW para 656 MW
Início da operação: previsto para 2030
Valor do contrato da WEG: não divulgado
Hidrelétrica antiga com espaço construtivo sobrando virou o caminho mais barato de o setor elétrico brasileiro ganhar potência sem erguer usina nova. É essa conta que a Engie Brasil Energia vai fazer na Usina Hidrelétrica Jaguara, e as duas turbinas do projeto sairão da WEG.
A empresa de Jaraguá do Sul informou ao mercado nesta segunda-feira que foi contratada para fornecer duas unidades geradoras de 116 MW cada. Elas serão instaladas em poços já existentes da usina, estruturas construídas décadas atrás e que nunca receberam máquina.
O que a WEG vende nesse negócio
O número que circulou desde cedo nas manchetes é o R$ 1,2 bilhão. Ele se refere ao investimento total que a Engie fará na ampliação, incluindo obras civis, montagem e todo o resto do projeto. Quanto desse total fica com a WEG, a companhia não informou.
O que está confirmado é o objeto do contrato: as duas unidades geradoras. Uma unidade geradora reúne a turbina, que é movimentada pela água, e o gerador, que converte esse movimento em eletricidade. É o conjunto que define quanta energia a usina consegue produzir.
Sobre o negócio, a WEG declarou em comunicado que a expansão da Jaguara reforça o papel estratégico das hidrelétricas na transição energética, pela contribuição no atendimento à demanda nos horários de maior consumo.

De onde veio o projeto de R$ 1,2 bilhão
A ampliação nasceu em março, quando a Engie venceu o Leilão de Reserva de Capacidade de 2026, operado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. A companhia vendeu 195,78 MW de potência da Jaguara por 15 anos, com receita fixa anual estimada em R$ 270,4 milhões.
Conteúdos em alta
O leilão garantiu a receita antes de a obra começar, o que explica a decisão de investir. A Engie vinha adotando postura conservadora com capital em 2026 e chegou a dizer, em janeiro, que não via condições econômicas para novos projetos de geração renovável do zero no curto e médio prazo. A expansão da Jaguara já aparecia como alternativa de retorno mais previsível.
Faltava definir quem entregaria os equipamentos. Essa era a informação que o comunicado desta segunda trouxe.
A usina fica na divisa entre Minas e São Paulo
A Jaguara opera no Rio Grande, rio que separa os dois estados, no município de Rifaina, em São Paulo. Tem hoje 424 MW de capacidade instalada distribuídos em quatro unidades geradoras, e a concessão vai até junho de 2048. Entrou no portfólio da Engie em 2017.
A usina já passa por modernização desde julho de 2023, obra separada desta, com mais de R$ 500 milhões previstos. Com as duas máquinas novas da WEG somadas às quatro atuais, a potência chega a 656 MW por volta de 2030.
O contrato chega depois de um trimestre de margem em recuperação
A WEG divulgou na semana passada os resultados do segundo trimestre de 2026. O lucro líquido somou R$ 1,55 bilhão, com recuo de 2,1% sobre o mesmo período do ano anterior e alta de 7% na comparação com o trimestre anterior.
A receita líquida ficou em R$ 10,14 bilhões, praticamente estável no ano. A margem Ebitda alcançou 21,8%, acima do que o mercado projetava para um período pressionado pelas tarifas dos Estados Unidos e pelo dólar mais baixo.
No pregão desta segunda, a ação da WEG fechou cotada a R$ 46,40, com alta de 0,89%, acima do Ibovespa, que subiu 0,74% no dia. Já a Engie encerrou a R$ 30,04, com valorização de 2,21%.
Como isso impacta sua vida?
Jaraguá do Sul acompanha os contratos da WEG porque a carteira de pedidos da empresa é o que sustenta emprego industrial na cidade. Um fornecimento de duas unidades geradoras de grande porte ocupa engenharia e produção por anos, com entrega prevista para 2030. O que ainda não se sabe é onde essas máquinas serão fabricadas, e essa é a pergunta que interessa a quem trabalha aqui.
Max Pires
Já criei blog, portal, startup… e agora voltei pro que mais gosto: contar histórias que fazem sentido pra quem vive aqui. Entre um café e um latido dos meus cachorros, tô sempre de olho no que importa pra nossa cidade.