Coronavirus

"Deu muito medo de não sair daquela situação", relata jaraguaense de 25 anos que ficou internado na UTI com covid

Foto: Acervo pessoal

Leonardo Koch

Jornalista formado com experiência em jornal impresso, digital e audiovisual

Mesmo jovem, vivendo em meio a uma pandemia e respeitando o isolamento social, o jaraguaense Rodrigo Jordan, 25 anos, não imaginava que seria infectado pelo novo coronavírus. 

Morando atualmente em Itajaí, no litoral norte do estado, a rotina de Jordan era resumida de casa para o trabalho, do trabalho para casa. Quando necessário, ia no mercado, mas sempre tomando os cuidados necessários com a utilização de máscara e álcool gel. 

Leia mais:

Os primeiros sintomas começaram no dia 1 de junho com muita dor de cabeça, tosse e depois começou a evoluir para febre e falta de ar. Ao perceber que algo estava errado com a sua saúde, Rodrigo procurou ajuda médica. 

Após a realização de uma tomografia, veio o diagnóstico: Jordan acabara de descobrir que havia contraído a covid-19. 

Desde o início dos sintomas, foram seis dias para que o jaraguaense fosse internado. No dia 6 de junho, um sábado, ele deu entrada no hospital Marieta Konder Bornhausen de Itajaí e ficou hospitalizado durante 15 dias, sendo 6 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e nove na enfermaria. 

Foto: HUGO BARRETO/METRÓPOLES

Apesar de infectado, Rodrigo não sabe como pode ter contraído a doença. Ele possui hipertensão e obesidade, o que ajudou a complicar o seu estado de saúde e evoluir para o quadro mais crítico da doença.

Mas, segundo especialistas, não há uma média clara de idade. A covid não escolhe o  alvo e pode adoecer até os mais saudáveis. 

“Por ter comorbidades dá muito medo de não sair daquela situação. Fiquei muito fraco e cheguei a emagrecer sete quilos”,conta o jovem. 

Seus familiares também foram contaminados. Conforme relata, sua esposa foi internada e ficou somente na enfermaria. Já os seus sogros, sentiram apenas sintomas leves, como febre e dor de cabeça. 

No corredor da angústia 

Quando foi encaminhado para o leito de UTI destinado a pacientes infectados pelo coronavírus, Rodrigo não precisou ser entubado. Ficou apenas utilizando a máscara de oxigênio. 

Foram semanas combatendo a doença em meio a um cenário de apreensão. Do barulho da chegada de pacientes que precisavam de respiradores ao silêncio do isolamento e das mortes sem despedidas.

Enquanto Jordan lutava contra a morte, outros não tiveram a mesma sorte e perderam a batalha contra o inimigo invisível. “´É muito triste. Vi várias pessoas que precisaram ser entubadas e também presenciei a morte de um senhor”, relembra. Eu nunca duvidei da doença, sempre me cuidei e nunca imaginei que fosse contrair”, lamenta.

Foto: Ilustrativa

Recuperação e sequelas

Após sair da UTI, o jaraguaense comenta que continuou com o tratamento no quarto de enfermagem com cateter de ar e tomando antibióticos.

Segundo ele, os médicos não fizeram uso da ivermectina e nem da polarizada hidroxicloroquina.

Leia também:

Durante a recuperação, o tratamento humanizado foi essencial para aliviar a tensão. “No quarto eu podia usar o celular, na UTI todo fim de tarde eles ligavam para minha família pra se comunicar”, salienta. 

Ele recebeu alta hospitalar no dia 21 de junho. Mesmo recuperado da doença, Rodrigo conta que ainda tem dificuldades para respirar.  

“Fiz uma semana de fisioterapia para melhorar a minha respiração. Estou aguardando o resultado de uma tomografia para ir no médico e ver se ficou sequelas no meu pulmão. Mas ainda me sinto cansado”, comenta. 

Passado o susto, Jordan comenta que desde que recebeu alta não voltou ao trabalho e que está saindo de casa somente quando for necessário.

Do diagnóstico ao período da internação, o jaraguaense faz um alerta para quem não está respeitando as recomendações sanitárias.

“A doença é séria. Não desejo o mal da covid a ninguém, o sofrimento é muito grande tanto para o doente quanto para família”, comenta. “Não confiem em quem subestima a doença. Acredito, respeito a ciência e espero que em breve disponibilizam a vacina”, completa Rodrigo.