Mãe biológica x Mãe afetiva: uma guerra de amor?

Samantha Hafemann

Advogada na Brugnago Advogados, inscrita na OAB/SC 54.861, pós-graduanda em Direito Civil e Gestão Empresarial.

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Talvez a pessoa que mais possua amor dentro de seu coração seja ela, essa figura ímpar em nossa vida: MÃE.

Biológica? Adotiva? De criação? Será que isso realmente importa?

Muitas vezes a mãe é avó, é vizinha, é pai, é madrasta. E tudo bem!

Ser mãe não depende de gênero, de espécie, de forma, de estado civil, de orientação sexual. Em todos os casos, o que sempre fala mais alto é justamente o amor, o cuidado, o zelo, a proteção.

Mãe é sinônimo de tantas outras coisas boas, e se vamos falar desse ser iluminado e preenchido pelo amor, por que não falar sobre adoção também?

Ora, adotar certamente é praticar um ato de extremo amor, é tomar a frente nos cuidados de uma criança porque os pais que a geraram, por algum motivo que seja, não puderam fazê-lo, sem nunca julgar ou tomar conclusões precipitadas.

Aquele que adota possui um papel de grande importância na vida daquela criança que foi acolhida, na vida dos pais biológicos que a geraram, mas também perante toda a sociedade.

Lembremo-nos, contudo, de que o dever dos pais de modo geral, é agir no interesse da criança buscando o melhor para esta, não de substituir alguém. Adoção não é substituição assim como o amor não é limitado.

Muito pelo contrário, o amor é infinito, e só aquele que verdadeiramente ama sabe que quanto mais se ama mais se é capaz de amar. Desde os primórdios pode-se ler nas Escrituras Sagradas que o “amor é bom, não quer o mal, não sente raiva ou se envaidece” (1Cor, 13:4).

Por isso questiono: há distinção entre o amor de quem gera e de quem cria?

Ainda assim, apesar de todos os pesares e considerações, não é raro nos depararmos com situações em que há conflitos entre mães (e quando digo mães me refiro a todas as figuras que possuem o zelo materno que se necessita, envolvidas na vida de uma criança).

Mães que não aceitam que os filhos também amem e sejam amados por suas madrastas (e vice e versa), mães biológicas que lutam para conhecer seus filhos e são boicotadas pelas mães que os adotaram, mães que são impedidas de verem seus filhos por outros familiares, mães que não permitem que avós/avôs/outros familiares tenham contato com seus netos...

E o pior em comum em todas estas situações é que além de machucarem a si próprias, essas mães machucam também seus filhos.

Por isso eu repito: o amor não pode ser substituído, ele deve ser somado.

Tantos são os adultos que carregam dores dentro de si em razão de traumas do passado. Tantos são os filhos adotados que nunca tiveram a oportunidade de conhecer seus pais biológicos.

Por tal razão, a partir da Lei Nacional da Adoção (Lei nº. 12.010/2009) passou a ser garantido que a criança adotada conheça sua origem biológica. A revelação pode ocorrer após esta completar 18 anos de idade, ou até mesmo antes (com autorização judicial, sendo assegurada orientação e assistência jurídica e psicológica).

Muitos podem criticar tal visão, mas pense bem: se há o interesse por parte de quem foi adotado, por que lhe ceifar a oportunidade de conhecer suas origens? Seria o mesmo que recriminar quem busca saber sobre seus ascendentes no passado.

É chegado mais um Dia das Mães. Rezo para que nesta data tão importante saibamos compartilhar o amor, somá-lo e não iniciar uma guerra por causa dele.

Batalhas foram travadas para conquistar direitos, para dar voz a uma causa e por tantos outros motivos. Mas as lutas não devem ocorrer por causa do amor.

O caminho do amor é simples: está em um toque, em uma risada, em um abraço. Está em amar puramente e saber que é preciso dar para receber, sem cobranças, exigências, egoísmos.

Amar está em deixar o ego de lado, soltar as rédeas e se entregar a felicidade, sabendo que aquele filho tão precioso também é amado e zelado por outra pessoa, por outra mãe.

E se uma mãe já é capaz de milagres, o que um time de mães será capaz de fazer?

 

Um Feliz Dia das Mães à TODAS as MÃES. Sem distinções ou classificações.