Show politico em cima das vacinas

Celso Machado

Nascido em Blumenau, 70 anos, 53 de profissão, incluindo passagens pelo rádio. E em jornais diários como A Notícia (Joinville), Jornal de Santa Catarina (Blumenau) e O Correio do Povo (Jaraguá do Sul).

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Depois da pantomina encenada por políticos sem escrúpulos, que se aproveitam da tragédia brasileira provocada pela Covid-19 para ganhar espaços na imprensa canalha, caolha e partidária - destaque para o Rio de Janeiro e São Paulo - voltemos à realidade catarinense sobre a vacina contra o coronavírus.

No primeiro grupo a ser imunizado estão 68,5 mil pessoas: 56 mil profissionais de saúde, 8 mil indígenas, 3,3 mil idosos acima de 60 anos e 237 deficientes abrigados em instituições de longa permanência. Mas, no total, são 426.678 pessoas, segundo o Estado, incluindo todas as faixas de idosos.

Mais números

Santa Catarina recebeu 144 mil doses, para os 295 municípios. São duas aplicações. Ou seja, atingirá, agora, cerca de 30% dessa população, apenas.

A segunda fase prevê vacinação de 844.644 pessoas entre 60 e 70 anos. A terceira etapa envolverá indivíduos com comorbidades (diabetes, obesidade, hipertensão, tuberculose, doenças renais crônicas e cardiovasculares, por exemplo).

São 1.365.028 pessoas, diz o governo. Na última fase, professores, profissionais da segurança pública e funcionários do sistema prisional, um grupo estimado de 166.289 pessoas.

Nossa realidade

É preciso dizer que não temos sequer noção de quando Santa Catarina receberá novos lotes desta ou de outra vacina. E isso se uma nova tragédia não se materializar pela falta de insumos. Que são importados para a produção de imunizantes no Instituto Butantã (SP) e Fiocruz (RJ).

Ou seja, um país (o nosso) que produz vacinas para o mundo pode não ter matéria-prima para suas próprias necessidades. E nem ter de quem comprar. A realidade é essa.

Dia histórico, como parte da imprensa rotulou imitando, como papagaios amestrados, o secretário estadual da saúde e o próprio governador? Um dia para se lamentar, isso sim!

Sem rodeios

"Se tudo der certo, passaremos o ano de 2021 vacinando. Por isso, precisamos continuar com as normas editadas pelo governo de Santa Catarina e apoiadas por cada prefeitura. Estamos recebendo, ainda de forma incipiente, essas primeiras doses, que serão encaminhadas a cada uma das populações estabelecidas como preferenciais". Discurso realista do governador Carlos Moisés (PSL).

Um alerta

"Este é um passo importante (a vacina), temos a certeza absoluta de que vai fazer a diferença nos próximos meses. Mas é preciso lembrar que, apesar do início da vacinação, continuamos com a pandemia entre nós. Precisamos continuar com isolamento, uso de máscara e álcool gel para higienizar as mãos. Isso é fundamental". O alerta é do secretário estadual da Saúde, André Motta Ribeiro.

Garcia preso

O presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia (PSD), foi preso ontem (19) em Florianópolis, na segunda fase da Operação Alcatraz. Garcia prestou depoimento à Polícia Federal, na capital.

O mandato prevê prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. Garcia foi indiciado em inquérito, com outras pessoas, inclusive parentes, acusado de lavagem de dinheiro, corrupção, favorecimentos e enriquecimento ilícito, entre outras coisas. 

Histórico

Às vésperas do início da vacinação no município (18), a vice-prefeita de Blumenau, Maria Regina Soar (PSDB) assumiu o comando da prefeitura interinamente até amanhã (21).

O prefeito Mário Hildebrandt (Podemos) se recupera de um procedimento cirúrgico para injeção de medicamentos na coluna vertebral. Por conta de dores ocasionadas por uma hérnia de disco, que já na campanha eleitoral restringiu suas andanças pela cidade.

A transferência do cargo se deu segunda-feira, quando Hildebrandt ainda estava internado no Hospital Santa Isabel. Ela é a primeira mulher, em toda a história de Blumenau, a assumir a Prefeitura.

Ontem e hoje

Maria Regina foi secretária de Saúde no governo do ex-prefeito Napoleão Bernardes (então no PSDB).

Quando Bernardes renunciou para se candidatar ao Senado, ela deixou o cargo por não querer trabalhar com Hildebrant, que era o vice-prefeito à época e a quem ela própria pediu exoneração.

Também foi gerente do Hospital Municipal Santo Antônio e secretária de Saúde da Prefeitura de Pomerode. Até o ano passado ela prestava serviços de consultoria em Gestão de Saúde para a Federação Catarinense de Municípios.