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A maratona começa antes da largada
Foto: Divulgação/ Romero Training
Seja para 21 ou 42 quilômetros, o dia da prova é apenas a parte visível de uma preparação construída ao longo de semanas e meses.
No dia 14 de agosto, reunimos nossos atletas que estão se preparando para os 21 km e 42,195 km da Maratona Internacional de Floripa, em Florianópolis, para um daqueles treinos que têm um significado especial dentro da preparação.
A foto que acompanha esta coluna registra esse momento. Mais do que cumprir quilômetros, a proposta era aproximar os atletas da realidade da competição, que acontece neste fim de semana, nos dias 29 e 30 de agosto.
As distâncias são diferentes e as exigências também. Mas existe algo em comum: uma boa prova começa muito antes da largada.
Quem olha para uma meia maratona ou uma maratona enxerga a distância. Quem trabalha com treinamento enxerga semanas e meses de construção. É isso que chamamos de periodização: organizar volume, intensidade, recuperação e treinos específicos para que o atleta desenvolva as capacidades necessárias e chegue preparado ao seu objetivo.
Dentro desse processo, existem os treinos-chave. Eles permitem testar ritmo, alimentação, hidratação, equipamentos e até a rotina que antecede a largada. Sair do conforto de casa, deslocar-se até outro local, cumprir um horário e largar ao lado de outras pessoas também faz parte desse ensaio.
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E existe um motivo para esse tipo de treino não ficar tão próximo da prova. Um estímulo mais longo e específico precisa ser seguido de recuperação. Por isso, o principal treino de simulação deve acontecer com antecedência suficiente, em geral, pelo menos cerca de duas semanas antes, dependendo do atleta, da distância e da carga realizada, para que o corpo assimile o estímulo e a fadiga diminua.
Esse intervalo é tão importante quanto o próprio treino. Afinal, treinamento não é apenas estímulo: é estímulo mais recuperação. É nesse processo que buscamos chegar à prova com o condicionamento construído, mas sem carregar uma fadiga desnecessária.
Há ainda algo que nenhuma planilha consegue reproduzir completamente: o componente emocional.
Correr ao lado de pessoas que estão buscando o mesmo objetivo muda a experiência. Um incentiva o outro, surgem as conversas sobre a prova, as expectativas e também as inseguranças. Aquilo que durante meses parecia distante começa a ficar real.

E é justamente por isso que um treino como o do dia 14 vai além dos quilômetros percorridos. Ele ajuda o atleta a se imaginar dentro da prova, testar sua estratégia e ganhar confiança naquilo que construiu durante toda a preparação.
Agora, às vésperas da Maratona Internacional de Floripa, o trabalho está feito. Não é mais hora de tentar recuperar o que faltou ou acrescentar condicionamento. É hora de diminuir, descansar, organizar os últimos detalhes e confiar no processo.
Neste fim de semana, cada atleta levará para a linha de largada muito mais do que os quilômetros daquele treinão. Estarão ali os longos dos finais de semana, os treinos que começaram cedo, os dias bons e os difíceis, os ajustes, as dúvidas e a disciplina de semanas e meses de preparação.
Seja diante de 21 ou 42 quilômetros, a chegada acontecerá neste fim de semana.
Mas o caminho até ela começou muito antes.
Ana Paula Romero Richter
Treinadora de corrida e triathlon, especialista em Fisiologia do Exercício e esportes de endurance, fundadora da Romero Training e triatleta amadora. Apaixonada pelo esporte, escreve sobre corrida, treinamento, saúde, performance e os acontecimentos que movimentam esse universo.