Quem é o gênio da música com raízes em Jaraguá que superou a depressão e virou inspiração global
Foto: Diego Redel/Femusc
Nem todos os jaraguaenses sabem, mas uma das histórias mais inspiradoras da música clássica tem raízes em Jaraguá do Sul. Foi aqui que o maestro e oboísta Alex Klein, reconhecido mundialmente e vencedor de cinco prêmios Grammy, reencontrou o rumo da própria vida – e transformou o destino de milhares de jovens músicos brasileiros e estrangeiros.
Ao longo de sua trajetória, Klein alcançou o topo da carreira internacional, mas viu tudo ruir diante de uma doença neurológica rara e da depressão que se seguiu. Por um tempo, parecia que sua história brilhante havia chegado ao fim.
Mas no meio de um momento de dor, ele descobriu uma nova missão: fazer da música uma ponte para recomeços. Fundador do maior festival-escola do gênero na América Latina, Klein transformou Jaraguá do Sul em um polo de formação cultural que hoje inspira o mundo inteiro.

Da genialidade precoce ao reconhecimento mundial
Alex Klein nasceu em Porto Alegre e cresceu em Curitiba. Seu talento surgiu cedo: aos 9 anos, transcreveu de ouvido a 40ª sinfonia de Mozart. Pouco depois, já se apresentava com orquestras profissionais. Essa genialidade precoce o levou a estudar em universidades de prestígio no Brasil e nos Estados Unidos.
Nos anos seguintes, Klein conquistou espaço entre os maiores nomes da música erudita mundial. Foi membro da Orquestra Sinfônica de Chicago, uma das mais prestigiadas do mundo, e conquistou cinco prêmios Grammy, incluindo um como solista – e, assim, tornou-se o único brasileiro a conquistar este número de prêmios na música erudita.
A queda inesperada e o retorno ao Brasil
Mas, aos 39 anos, sua trajetória foi interrompida por um diagnóstico cruel: distonia focal. A condição neurológica afetou os movimentos finos da mão esquerda, impossibilitando-o de tocar com precisão. Klein deixou a orquestra, mergulhou em depressão; considerou abandonar a carreira musical e chegou a escrever uma carta de despedida.
Conteúdos em alta
No entanto, foi acolhido por amigos e familiares, que o incentivaram a reencontrar um novo sentido para sua trajetória. Foi então que decidiu voltar ao Brasil, em busca de um recomeço.
Jaraguá do Sul como ponto de virada
A reconexão com suas origens levou Alex Klein a Jaraguá do Sul, onde encontrou o espaço e o apoio necessários para um novo começo. Com incentivo da Scar e do então governador Luiz Henrique da Silveira, ele fundou, em 2006, o Femusc, o Festival Internacional de Música de Santa Catarina.
A proposta era clara: oferecer aulas gratuitas, promover o intercâmbio com músicos renomados e criar uma imersão artística acessível e transformadora. Com apoio de instituições locais, o festival cresceu, atraiu participantes de mais de 20 países e colocou Jaraguá no centro do mapa cultural internacional.
A redescoberta de si e a volta por cima
Ao conviver com jovens aspirantes e voltar a ensinar, Klein reencontrou a paixão pelo oboé. Passou a estudar novas formas de movimentar os dedos, criando estratégias para “enganar” a condição neurológica e conseguir tocar novamente.
Depois de anos de dedicação e adaptação, ele decidiu se reinscrever para a Orquestra de Chicago. Foi aprovado. Estava de volta ao topo, com ainda mais história e profundidade do que antes. Um feito que poucos imaginavam possível.
“A música literalmente salvou minha vida. E é com ela que tento resolver os problemas que não entendo na sociedade; com harmonia, criatividade e beleza”, complementa Alex Klein.
Neste janeiro de 2026, durante a abertura da última semana do Femusc, Alex Klein foi homenageado com o título de Cidadão Catarinense, concedido pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina.
A honraria reconhece sua contribuição cultural ao estado e o impacto transformador do festival que criou em Jaraguá do Sul. A cerimônia aconteceu no Grande Teatro da Scar, com presença de autoridades e alunos.
Performance viral e reconhecimento global
Recentemente, Klein viralizou nas redes sociais ao executar uma performance impressionante: tocou mais de 3 mil notas em apenas 3 minutos. O vídeo rodou o mundo e emocionou milhões de pessoas.
A apresentação não apenas surpreendeu pela técnica, mas também simbolizou tudo que ele superou. Cada nota parecia carregar o peso de sua história. Alex Klein voltou a ser assunto entre os maiores nomes da música clássica. Confira abaixo:
Hoje, ele atua como maestro em orquestras do Brasil, Itália, Portugal e China, mantendo o festival de Jaraguá como base do seu legado social.
Como isso impacta sua vida?
Histórias como a de Alex Klein mostram que Jaraguá do Sul está no centro de transformações reais no mundo da música clássica. O festival criado aqui não só projeta a cidade internacionalmente, como também abre caminhos para centenas de jovens talentos. E mais do que isso, nos lembra que toda queda pode ser uma chance de renascer.
Gabriela Bubniak
Jaraguaense de alma inquieta e jornalista apaixonada por contar boas histórias. Tenho fascínio por livros, música e viagens, mas o que me move é viver a energia de um bom futsal na Arena e explorar o que há de melhor na nossa terrinha.