Nem todo alumínio é igual: como empresa de Jaraguá do Sul separa o metal para reaproveitamento
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Nem todo alumínio é igual: como empresa de Jaraguá do Sul separa o metal para reaproveitamento

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Uma latinha de bebida, uma esquadria de janela e uma peça de automóvel podem ter o alumínio como material principal. Isso, porém, não significa que tenham a mesma composição ou que possam seguir exatamente o mesmo caminho no reaproveitamento. Em Jaraguá do Sul, essa diferença faz parte do trabalho da Sanfro Metais, especializada na coleta, no processamento e no beneficiamento de sucatas industriais.

O que parece um único tipo de metal reúne diferentes ligas, aplicações e exigências de qualidade. Para preparar esses materiais para novos usos, é necessário considerar suas características e separar aquilo que pode comprometer o processamento.

À frente da Sanfro estão os sócios Orlando Stoco Jr. e Marcelo Silva. A empresa jaraguaense conta com uma estrutura planejada para atender às necessidades logísticas, operacionais e ambientais das indústrias parceiras, com equipamentos voltados ao aproveitamento dos materiais.

Empesário Orlando Stoco Jr. | Foto: JDV

Por que nem todo alumínio é igual?

A diferença começa na composição. O alumínio pode ser combinado com outros elementos para formar ligas, desenvolvidas conforme as características necessárias ao produto final. Entre os elementos utilizados estão silício, magnésio e cobre, que ajudam a modificar propriedades como resistência e capacidade de conformação, ou seja, de assumir diferentes formatos.

Assim, a palavra “alumínio” identifica a base do material, mas não descreve sozinha tudo o que existe naquela peça. Uma aplicação pode exigir facilidade para moldagem; outra, maior resistência mecânica. As combinações são escolhidas para atender a essas necessidades.

Essa versatilidade ajuda a explicar por que o metal aparece em produtos tão distintos. Sua relação entre peso e resistência favorece aplicações em estruturas e veículos, enquanto a possibilidade de transformação amplia seu uso em embalagens e outros bens de consumo.

Quando esses produtos ou suas sobras chegam à reciclagem, as diferenças continuam relevantes. Reconhecer a composição permite organizar o material para um processamento compatível com as características pretendidas na próxima utilização.

O alumínio vai além das latinhas

As embalagens de bebidas são uma referência conhecida, mas representam apenas uma das origens da sucata de alumínio. Para a Sanfro, chegam também sobras, aparas, recortes e retalhos gerados durante a fabricação de outros bens.

O beneficiamento inclui limpeza e separação conforme os diferentes tipos de liga. A empresa informa que utiliza máquinas, ímãs e sensores como recursos auxiliares para identificar possíveis contaminações e qualificar os materiais. Depois, o alumínio pode seguir para prensagem, enfardamento ou preparação conforme a necessidade de cada cliente.

A prensagem e o enfardamento organizam fisicamente o material. Já a classificação trata de uma questão diferente: o que compõe aquela sucata e como ela poderá ser aproveitada. São etapas complementares na preparação para os processos seguintes.

Foto: Magnific

Separar as ligas influencia a qualidade

A importância dessa classificação também aparece nas informações técnicas da Aluminum Association, entidade representativa da indústria do alumínio nos Estados Unidos. Segundo a associação, sucatas separadas por composição química preservam maior valor, enquanto misturas de ligas e outros materiais têm menor valorização.

Isso ajuda a entender por que reunir tudo em uma única categoria não resolve o trabalho. Um lote de materiais misturados pode exigir ajustes adicionais para chegar à composição adequada a um novo produto.

Na produção de alumínio a partir de sucata, o material coletado e classificado é fundido. Conforme a aplicação desejada, podem ser acrescentados elementos para obter a liga necessária. O metal pode então assumir formas que servirão à fabricação de chapas, perfis e outros produtos.

O beneficiamento, portanto, prepara a sucata para essa sequência industrial. A classificação contribui para que quem recebe o material tenha condições de trabalhar com sua composição e com os requisitos do produto que pretende fabricar.

Reciclar permite novos usos, com critérios

O alumínio pode passar repetidamente pela reciclagem, preservando suas propriedades fundamentais. Isso não elimina a necessidade de controlar a composição das ligas nem significa que todo o volume recebido seja recuperado sem perdas.

A Aluminum Association explica que pequenas perdas podem ocorrer durante operações industriais ou por oxidação. A entidade também informa que produzir alumínio reciclado utiliza aproximadamente 5% da energia necessária à produção de metal novo a partir de matéria-prima mineral.

Como isso impacta sua vida?

Para quem mora em Jaraguá do Sul, o assunto aproxima a atividade industrial de objetos familiares, como embalagens, janelas e componentes de veículos. Produtos chamados de alumínio podem ter composições diferentes, e essa diversidade acompanha o material quando ele deixa de ser utilizado.

Na rotina das empresas que geram sobras metálicas, conhecer essas diferenças ajuda a compreender a importância da classificação. O trabalho divulgado pela Sanfro mostra uma etapa específica dessa cadeia: preparar materiais com características distintas para que possam ser aproveitados novamente.

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