Cotidiano | 12/06/2026 | Atualizado em: 12/06/26 ás 19:08

Veja o que resistiu dentro da cápsula do tempo enterrada há 50 anos em Jaraguá do Sul

Arca foi selada em 1976 para chegar intacta a 2026; ao ser aberta, a água tinha entrado e levado parte do que estava guardado dentro

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Veja o que resistiu dentro da cápsula do tempo enterrada há 50 anos em Jaraguá do Sul

Equipe técnica realiza a abertura da Arca do Centenário durante cerimônia dos 150 anos de Jaraguá do Sul. | Foto: Prefeitura de Jaraguá do Sul/Divulgação

Em 1976, um grupo de pessoas selou registros de Jaraguá do Sul dentro de uma caixa de metal, enterrou na Praça Ângelo Piazera e combinou que aquilo só seria aberto meio século depois, quando o município chegasse aos 150 anos. A intenção era mandar um recado para quem ainda nem tinha nascido.

Na manhã desta sexta-feira (12), a caixa foi aberta. Porém nem tudo que estava lá dentro resistiu.

Ao destampar a arca, a equipe técnica encontrou água acumulada no interior. A umidade danificou parte dos papéis guardados na época, justamente os itens que mais carregavam texto escrito para ser lido em 2026. Os objetos sobreviveram melhor do que as palavras.

Arca do Centenário retirada da Praça Ângelo Piazera após permanecer enterrada por 50 anos em Jaraguá do Sul
Foto: Prefeitura de Jaraguá do Sul/Divulgação

O que sobreviveu e o que se perdeu

Mesmo com a água, muita coisa resistiu. Os técnicos retiraram da arca moedas, partes de tecido, um chaveiro, o brasão do município, peças publicitárias produzidas para o centenário, jornais da época, um disco de vinil, uma régua e um mini-chapéu, entre outros materiais.

O dano se concentrou no papel. Os documentos, que dependiam da tinta e da fibra para durar, foram os mais afetados pela umidade. O que mais carregava mensagem direta para o futuro foi também o que o tempo corroeu primeiro.

Gente que lembra do que colocou lá

A arca não é abstração para todo mundo em Jaraguá do Sul. Curt Ness, criador de conteúdo e figura conhecida na cidade, estava na Estação Cultural e lembrava do que tinha deixado dentro dela cinco décadas atrás.

“Deixei um cartão da minha empresa e um chaveiro”, conta

Havia na sala outras pessoas que viveram as celebrações do centenário e voltaram para ver a caixa ser aberta. Algumas reconheciam objetos específicos conforme eles eram retirados.

Equipe técnica analisa materiais retirados da Arca do Centenário durante abertura da cápsula do tempo em Jaraguá do Sul
Profissionais identificam e separam materiais encontrados na Arca do Centenário durante abertura realizada na Estação Cultural. | Foto: Prefeitura de Jaraguá do Sul/Divulgação

Uma abertura sob protocolo

A retirada dos itens seguiu um cuidado que o conteúdo da arca justificava. A abertura aconteceu em uma sala preparada para isso, sob protocolo de biossegurança, e só a equipe técnica paramentada e pessoas autorizadas entraram. Os demais convidados acompanharam tudo por uma porta de vidro.

Para o poder público, o gesto de 1976 carrega um significado que vai além dos objetos. “Encontramos história, sentimentos, sonhos e o olhar daqueles que, no passado, pensaram no futuro da nossa cidade”, disse o prefeito Jair Franzner.

A secretária de Cultura, Esporte e Lazer, Ivana Atanásio Dias, puxou a leitura do gesto para o terreno da memória.

“Estarmos aqui hoje é história, significa o valor dado às nossas raízes. Jaraguá do Sul de hoje é a soma de vivências, de influências culturais, de todas as matizes. A história é exatamente isso, nos guia através dos fatos, para que entendamos como chegamos aqui.”

Água acumulada é encontrada dentro da Arca do Centenário aberta após 50 anos em Jaraguá do Sul
Foto: Prefeitura de Jaraguá do Sul/Divulgação

O que acontece com os itens agora

Quem esperava ver os objetos expostos vai precisar de paciência. Por enquanto, nada do que saiu da arca fica em exibição. A equipe técnica tem pela frente um trabalho lento de recuperação, item por item.

Cada peça será separada e colocada para secar em uma secadora de documentos do Arquivo Histórico. Depois vem a estabilização dos materiais.

“Posteriormente, vamos fazer um tratamento com banho e desacidificação nesses documentos, com auxílio de outros técnicos. Na sequência, vamos fazer toda a identificação técnica, fotografar e expor o que for possível”, explicou Silvia Kitta, integrante da equipe técnica da Comissão de Memória e Repertório dos 150 anos.

Como isso impacta sua vida?

A arca foi aberta agora, mas o que estava dentro dela ainda vai voltar a público depois do tratamento, e parte desse acervo vira memória física consultável da cidade. Para quem mora em Jaraguá do Sul, é a chance de ver de perto o que a geração de 1976 julgou digno de atravessar o tempo, e de entender o que a água deixou chegar até aqui.

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Gabriela Bubniak

Jaraguaense de alma inquieta e jornalista apaixonada por contar boas histórias. Tenho fascínio por livros, música e viagens, mas o que me move é viver a energia de um bom futsal na Arena e explorar o que há de melhor na nossa terrinha.

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