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Coluna: Ares primaveris

Uma pintura repleta de cores é bem mais atrativa do que uma tela cinzenta. Primavera, mais do que nunca, virou sinônimo de Esperança

26/09/2021

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Sônia Pillon é jornalista e escritora, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto e Gramática pela Univille. É Presidente de Honra da ALBSC Jaraguá do Sul.

Coluna: Ares primaveris

“O inverno nunca falha em se transformar em Primavera”. A frase de Daisaku Ikeda parece óbvia, mas o sentido vai além da sequência circular das quatro estações. A ideia está ligada diretamente ao imaginário humano, que nos remete a um período gelado, frio e chuvoso, que para muitos é associado à tristeza e ao desalento.
É certo que para as populações mais vulneráveis, o inverno é a estação mais temida do ano. Nem poderia ser diferente. É claro que há os que usufruem das “delícias” da estação mais gélida do ano, mas infelizmente poder manter-se aquecido, bem alimentado e habitar espaços quentes é um privilégio que não atinge todas as camadas sociais.

Especialistas do comportamento humano apontam ainda que regiões onde o sol aparece com menos frequência favorecem a introspecção e os estudos, o que também é muito válido. Mas vamos combinar que uma pintura repleta de cores é bem mais atrativa do que uma tela onde predomina o cinza, não é mesmo?
A Primavera 2021 aportou oficialmente essa semana, mesmo que a florada de algumas árvores tenham insistido em se apresentar antes. Coisas do aquecimento global, que está virando as estações de cabeça para baixo…

Hoje especialmente o sol parece que acordou todo alegrinho. Espalhou os raios solares mais cedo, iluminando e aquecendo o domingo. Percebi que os pássaros na minha janela apareceram mais eufóricos e seguem cantarolando, como a saudar os ares primaveris. Domingo com cara de domingo!

Senti a sinfonia da passarada tão auspiciosa que me peguei em vários momentos fechando os olhos e apurando ainda mais os ouvidos. Nesses breves momentos de leveza, temas como pandemia, desastres ambientais, custo de vida, violências e injustiças param de assombrar.

E o que que seria de nós se o inverno não passasse o bastão para a Primavera? Sem o canto dos pássaros e o colorido das flores para amenizar as agruras do cotidiano? Primavera, mais do que nunca, virou sinônimo de Esperança.

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