Cotidiano | 12/05/2026 | Atualizado em: 13/05/26 ás 00:23

Quais são as 5 cidades mais frias de Santa Catarina?

Cinco municípios catarinenses lideram o ranking de menores temperaturas do Brasil, com recordes que passam dos -10°C e registros recentes de neve.

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Quais são as 5 cidades mais frias de Santa Catarina?

Inverno na Serra Catarinense, região que concentra as cidades mais frias do Brasil. Foto: Setur SC/Divulgação.

Resumo completo

Cidade mais fria do Brasil: Urupema, oficialmente reconhecida por lei federal desde 2021

Recorde absoluto recente em SC: -10,9°C em Bom Jardim da Serra (19/06/2023)

Última neve registrada: 29 de maio de 2025, em quatro cidades da Serra

Distância de Jaraguá do Sul até a Serra Catarinense: cerca de 6 horas de carro

Ponto mais alto habitado do Sul do Brasil: Morro da Igreja, em Urubici, a 1.822 metros

Período de maior frequência de neve: maio a agosto

Santa Catarina é referência nacional quando o assunto é frio. Com altitudes que ultrapassam 1.700 metros em alguns pontos e clima de montanha, o estado concentra algumas das temperaturas mais baixas registradas no Brasil, especialmente entre maio e setembro. Geadas, sincelo e até neve ocorrem com regularidade na Serra Catarinense. A pergunta que volta a cada outono: afinal, quais são as cidades mais frias de Santa Catarina?

Um levantamento do Estadão Summit Mobilidade aponta cinco municípios no topo da lista: Urupema, Bom Jardim da Serra, São Joaquim, Urubici e São Bento do Sul. Os dados de temperatura mais recentes da Epagri/Ciram e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmam o ranking e revelam recordes que poucos brasileiros conhecem.

As 5 cidades mais frias de Santa Catarina

1. Urupema: a Capital Nacional do Frio

Urupema lidera o ranking das cidades mais frias de Santa Catarina
Foto: Marleno Muniz Farias/Divulgação Urupema

Urupema lidera o ranking. Localizada na Serra Catarinense, a área urbana fica a cerca de 1.335 metros de altitude, e o ponto mais alto do município, o Morro das Torres, chega a 1.726 metros. O reconhecimento veio em dezembro de 2021, quando a Lei 14.255 oficializou a cidade como Capital Nacional do Frio do Brasil.

A estação meteorológica da Epagri registrou -9,4°C em julho de 2019, o menor valor já medido na cidade em equipamento padronizado. Em 2025, os termômetros marcaram -8,2°C no Morro das Torres. A cidade tem em média mais de 50 dias de geada por ano e registra neve, em média, cinco vezes a cada inverno. A 7 km do centro fica a Cascata que Congela, queda d’água de 13 metros que se transforma em escultura de gelo quando o frio se mantém negativo por dias seguidos.

Com pouco mais de 2.700 habitantes e área de 350 km², Urupema vive do turismo de inverno, da produção de truta no Rio Caronas e dos vinhos finos de altitude. Para chegar de Jaraguá do Sul, o trajeto passa de 350 km pela BR-282 via Lages, com cerca de 6 horas de viagem.

2. Bom Jardim da Serra: o recorde absoluto de SC

Bom Jardim da Serra é uma das cidades mais frias de Santa Catarina
Neve em Bom Jardim da Serra | Foto: PMRv/Divulgação

Bom Jardim da Serra detém o recorde oficial de menor temperatura registrada em estação padronizada de Santa Catarina: -10,9°C, marcados em 19 de junho de 2023. O número superou os -10°C de São Joaquim de 1991 e colocou o município definitivamente entre os pontos mais frios do país.

A cidade fica a 1.245 metros de altitude, tem cerca de 4.700 habitantes e ocupa uma área de 935 km². No inverno, a média mínima fica perto de 5°C, com noites frequentes abaixo de zero entre junho e agosto. Bom Jardim é a porta de entrada para um dos cenários mais conhecidos de Santa Catarina, a Serra do Rio do Rastro, com 284 curvas que desenham a descida da serra rumo ao litoral sul. Em 2024 e 2025, a cidade registrou neve novamente.

De Jaraguá do Sul, o trajeto até Bom Jardim é de cerca de 325 km, em torno de 5h20 de carro.

3. São Joaquim: a capital nacional da maçã

frio em São Joaquim
Foto: Mycchel Legnaghi/ São Joaquim on line

São Joaquim ocupa a terceira posição, mas sustenta o registro histórico mais simbólico do estado: -10°C em 2 de agosto de 1991. Atualmente, a cidade está a 1.360 metros de altitude e tem cerca de 27 mil habitantes. A neve aparece com regularidade. Em 2024, os termômetros marcaram -7,8°C em 30 de junho, e em maio de 2025 a cidade voltou a registrar o fenômeno.

É a capital nacional da maçã e um dos principais polos de vinho de altitude do Brasil, com vinícolas premiadas que abrem ao público. No inverno, festivais gastronômicos lotam as pousadas. A cidade também é base para quem quer subir até o Parque Nacional de São Joaquim, que abriga parte da Serra Geral e ecossistemas de campos de altitude.

A distância de Jaraguá do Sul é semelhante à de Urupema, em torno de 6 horas pela BR-282.

4. Urubici: o ponto mais alto habitado do Sul do Brasil

Neve em Urubici
Foto: Reprodução/Facebook da Prefeitura de Urubici

Urubici tem o centro a 918 metros de altitude, mas o município abriga o Morro da Igreja, a 1.822 metros, o ponto habitado mais alto do Sul do Brasil. Foi ali, em 29 de junho de 1996, que se registrou de forma extraoficial -17,8°C, a menor temperatura já marcada em território nacional. O dado nunca foi confirmado por estação padronizada, mas entrou para a história da meteorologia brasileira.

A cidade tem cerca de 11 mil habitantes, área de mil km² e vive do turismo o ano todo. Além das geadas e do sincelo, oferece a Pedra Furada, a Serra do Corvo Branco e cachoeiras dentro do Parque Nacional de São Joaquim. Em maio de 2025, Urubici registrou neve junto com as outras três cidades da Serra.

5. São Bento do Sul: o frio do Norte catarinense

São Bento do Sul é uma das cidades mais frias de Santa Catarina
Foto: Turismo São Bento do Sul

São Bento do Sul é a única do ranking fora da Serra Catarinense. Fica no Planalto Norte, a 838 metros de altitude, e tem cerca de 86 mil habitantes. As temperaturas não competem com a Serra, mas o município costuma registrar mínimas próximas a zero no inverno, com geadas frequentes em áreas rurais e nos campos altos.

A cidade carrega forte herança da imigração alemã, com arquitetura, gastronomia e festas típicas. É um polo moveleiro tradicional do Brasil. Para o leitor de Jaraguá do Sul, São Bento é a opção mais acessível geograficamente. A distância é de cerca de 60 km, pouco mais de uma hora de carro pela SC-301. Município limítrofe, é destino de bate-volta no inverno.

Quando neva em Santa Catarina?

Foto Epagri

A neve em Santa Catarina é fenômeno raro, mas não excepcional. Na verdade, ocorre praticamente todo ano, com mais frequência entre maio e agosto. Hoje, o monitoramento é feito pela Epagri/Ciram e pela Defesa Civil estadual..

Os registros recentes confirmam o padrão. Em 2025, a primeira neve do ano caiu em 29 de maio, em Urupema, São Joaquim, Bom Jardim da Serra e Urubici. No ano anterior, o fenômeno foi visto em 10 de agosto, em Urupema, e novamente em Bom Jardim da Serra. Já em 2023, os registros ocorreram em junho. A combinação climática se repetiu nos três anos: massa de ar polar somada a um ciclone extratropical sobre o litoral do Rio Grande do Sul, que injeta umidade na atmosfera enquanto a temperatura cai abaixo de zero.

A Epagri faz uma distinção importante para o turista. Neve é a precipitação de cristais de gelo formados nas nuvens. Chuva congelada é diferente: o floco se forma, derrete ao cair, e volta a congelar antes de atingir o solo. Sincelo é outro fenômeno: a névoa congela em contato com superfícies frias, cobrindo galhos, cercas e postes de uma camada branca. Os três acontecem com regularidade na Serra entre maio e agosto.

Por que a Serra Catarinense é mais fria que o resto do Brasil?

Foto SECOM

O principal fator é a altitude. Quanto maior a elevação em relação ao nível do mar, mais frio o ar. Cada 100 metros de subida reduzem a temperatura em cerca de 0,6°C em média. Em municípios como Urupema e Bom Jardim, com altitudes acima de 1.200 metros, a queda de temperatura é estrutural, não eventual.

A posição geográfica reforça o efeito. Santa Catarina está na trajetória das massas de ar polar que sobem do Sul. Quando essas massas encontram o relevo elevado da Serra, o ar frio se acumula nos vales e perde calor rapidamente nas noites de céu limpo. A vegetação típica de campos de altitude e a baixa umidade do ar nos meses de inverno aceleram o resfriamento por radiação, especialmente nas madrugadas.

A combinação de altitude, latitude e relevo faz da Serra Catarinense um caso raro no Brasil. Em condições normais, o estado supera regiões tradicionalmente associadas ao frio, como Campos do Jordão (SP) e a Serra Gaúcha, em mínimas absolutas.

Como chegar à Serra Catarinense saindo de Jaraguá do Sul

Placa marrom de entrada na Serra Catarinense sobre rodovia, com indicações de Turismo Rural, Serra do Rio do Rastro e Morro da Igreja, ao final do dia.
Placa oficial sinaliza a chegada à Serra Catarinense, região que concentra as cidades mais frias do Brasil. Imagem tratada digitalmente.

A rota mais usada parte de Jaraguá do Sul pela BR-280 até Joinville, segue pela BR-101 até a altura de Itajaí, e pega a BR-470 sentido Blumenau-Rio do Sul. De Rio do Sul, o caminho continua pela BR-470 até Lages, principal entroncamento da região. De Lages, parte-se pela SC-114 ou SC-110 conforme o destino final.

O tempo médio até a Serra Catarinense é de 5h30 a 6h de carro, dependendo da cidade e das condições da rodovia. Lages funciona bem como ponto de pernoite para quem quer dividir a viagem ou esticar o roteiro. As estradas têm trechos asfaltados em todo o percurso, mas vale checar a Defesa Civil em dias de previsão de geada ou neve, já que pontos de altitude podem apresentar pista escorregadia.

Para São Bento do Sul, a logística é completamente diferente. A cidade fica a cerca de 60 km de Jaraguá do Sul, com acesso direto pela SC-301 e pela Estrada Dona Francisca. É a única opção do ranking que cabe em um bate-volta de fim de semana.

Dicas práticas para a viagem

Foto: Mycchel Legnaghi / Divulgação

O planejamento antecipado é decisivo. Pousadas e hotéis nas cidades da Serra Catarinense costumam esgotar com semanas de antecedência quando há previsão de neve. Quem quer aumentar a chance de presenciar o fenômeno deve acompanhar os boletins da Epagri/Ciram e da Defesa Civil estadual, que costumam antecipar a chegada de massas de ar polar e indicar as cidades com maior probabilidade de precipitação invernal.

Roupas adequadas evitam que a viagem vire desconforto. Casaco corta-vento, segunda pele, gorro, luvas e calçado fechado são obrigatórios. Em pontos como o Morro da Igreja ou o Morro das Torres, a sensação térmica pode despencar com o vento, chegando a marcar até -29°C em ondas de frio mais intensas, como ocorreu em Urupema em junho de 2025.

A gastronomia local merece espaço no roteiro. Truta defumada e grelhada (especialidade de Urupema), fondue, vinhos de altitude de São Joaquim, pinhão e pratos da culinária serrana fazem parte da experiência do inverno catarinense.

Como isso impacta sua vida?

A cidade mais fria do Brasil fica a cerca de 6 horas de carro de Jaraguá do Sul. Para quem quer ver geada, sincelo ou (com sorte) neve sem pegar avião, a Serra Catarinense resolve em um fim de semana longo. E São Bento do Sul, vizinha de porta no Planalto Norte, entrega geadas e clima europeu em uma viagem de pouco mais de uma hora. O inverno catarinense é uma das poucas experiências de frio rigoroso acessíveis ao morador do Vale do Itapocu.

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Max Pires

Já criei blog, portal, startup… e agora voltei pro que mais gosto: contar histórias que fazem sentido pra quem vive aqui. Entre um café e um latido dos meus cachorros, tô sempre de olho no que importa pra nossa cidade.

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