Cotidiano | 14/05/2026 | Atualizado em: 14/05/26 ás 11:58

Como Jaraguá do Sul transformou a coleta seletiva em renda para 90 famílias e chegou a 9 mil toneladas recicladas

No Dia Mundial da Reciclagem, neste domingo (17), o sistema do Samae mostra que o saco verde virou também uma cadeia de trabalho que sustenta 11 cooperativas na cidade.

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Como Jaraguá do Sul transformou a coleta seletiva em renda para 90 famílias e chegou a 9 mil toneladas recicladas

Cooperados separam materiais recicláveis coletados pelo Programa Saco Verde em Jaraguá do Sul. Foto: Divulgação/Samae.

Resumo completo

Toneladas recicladas em 2025: 9.116,62

Sacos verdes distribuídos em 2025: 3,2 milhões

Cooperativas credenciadas: 11

Famílias sustentadas pela triagem: cerca de 90

Pontos de Entrega Voluntária: Vila Lenzi, Ilha da Figueira e Nereu Ramos

Materiais coletados nos PEVs em 2025: 315,22 toneladas

A coleta seletiva em Jaraguá do Sul deixou de ser uma campanha de conscientização e virou cadeia produtiva. Neste domingo (17), quando o calendário marca o Dia Mundial da Reciclagem, o município chega à data com 9.116,62 toneladas de materiais recolhidos em 2025 e 90 famílias vivendo da triagem desses resíduos em 11 cooperativas credenciadas pelo Samae.

Maio também é o Mês da Conscientização da Importância da Reciclagem em Jaraguá, marco instituído pela Lei Municipal 9.339/2023, fruto de iniciativa da Câmara de Vereadores Mirim. A coleta seletiva representa hoje 21% do total de resíduos recolhidos no município.

Cooperados trabalham na esteira de triagem de materiais recicláveis em cooperativa credenciada pelo Samae de Jaraguá do Sul.
Trabalhadores de cooperativa credenciada pelo Samae fazem a separação dos materiais coletados na cidade. Foto: Divulgação/Samae.

Quatro anos de crescimento ininterrupto

A série histórica do Samae mostra avanço consistente. Em 2022, a cidade coletou 7.242,34 toneladas de recicláveis. No ano seguinte, o volume subiu para 7.771,02 toneladas. Em 2024, chegou a 8.781,5 toneladas. E em 2025 atingiu as 9.116,62 toneladas registradas até agora.

Em quatro anos, o volume coletado cresceu 26%. Plásticos, papelão, papéis, metais e vidros lideram a lista dos materiais mais separados pelos moradores.

Onésimo Sell, diretor-presidente do Samae de Jaraguá do Sul, sorri durante evento de saneamento.
Onésimo Sell, diretor-presidente do Samae, destaca o crescimento da participação da comunidade no programa de coleta seletiva. Foto: Divulgação/Samae.

Para o diretor-presidente do Samae, Onésimo Sell, o crescimento reflete a maturidade do programa. “A cada ano percebemos um aumento na participação da comunidade no programa de coleta seletiva. Esse resultado é fruto da conscientização das pessoas sobre a importância da separação correta dos resíduos e dos benefícios que a reciclagem traz para o meio ambiente e para a sociedade”, afirma.

A engrenagem por trás do saco verde

O número que dá escala ao sistema raramente aparece nas estatísticas oficiais: 3,2 milhões de sacos verdes foram distribuídos em Jaraguá do Sul em 2025. A entrega acontece nas casas dos moradores, no momento da coleta, em troca do material já separado.

Caminhão da coleta seletiva da Ambiental SC recolhe sacos verdes em rua residencial de Jaraguá do Sul.
Equipe da Ambiental SC realiza a coleta seletiva porta a porta em Jaraguá do Sul. Foto: Divulgação/Samae.

A logística da distribuição funciona como reforço de hábito. Como o morador sabe o dia em que o caminhão passa no bairro, a rotina de separar plástico, papel e vidro se consolida. Quem quiser consultar os dias de coleta seletiva por bairro pode acessar o localizador da Ambiental SC. O resultado da rotina aparece na curva ascendente de toneladas coletadas.

O diretor de Gestão Urbana do Samae, Deverson Simioni, lembra que o saco verde não é a única opção de embalagem aceita. “Reforçamos a importância de mais pessoas realizarem a separação correta dos materiais e descartarem os recicláveis no saco verde ou em qualquer tipo de embalagem, sacolas plásticas, caixas de papelão e sacos de lixo, sempre com os materiais limpos e secos”, explica.

Onde o lixo vira salário

As 9.116,62 toneladas coletadas em 2025 não param no caminhão. Todo o material é encaminhado gratuitamente para as 11 cooperativas de reciclagem credenciadas com o Samae, responsáveis pela triagem e destinação final dos resíduos.

São essas cooperativas que sustentam cerca de 90 famílias no município. O trabalho de separar plástico, papelão e metal vira renda mensal para um grupo de trabalhadores que opera na ponta menos visível do sistema. A coleta seletiva, em Jaraguá, deixou de ser só pauta ambiental e virou também pauta de inclusão produtiva.

Estrutura de Ponto de Entrega Voluntária do Samae em Jaraguá do Sul, com contêineres azuis para descarte de recicláveis.
Os PEVs do Samae funcionam como alternativa à coleta porta a porta nos bairros Vila Lenzi, Ilha da Figueira e Nereu Ramos. Foto: Divulgação/Samae.

A alternativa para quem quer descartar fora da rota

Quem produz volume maior de recicláveis ou perde o dia da coleta no bairro tem mais três opções na cidade. Os Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) do Samae ficam nos bairros Vila Lenzi, Ilha da Figueira e Nereu Ramos e funcionam como complemento à coleta porta a porta.

Em 2025, os três PEVs receberam 315,22 toneladas de materiais. Plásticos, papelão, metais e vidros são os mais entregues nesses pontos. O canal cresce em volume na medida em que mais moradores adotam o descarte separado como rotina.

Como isso impacta sua vida?

O saco verde que chega na sua casa a cada dois meses é o início de uma cadeia que termina no salário de 90 famílias jaraguaenses. Separar o lixo seco do orgânico, manter o material limpo e descartar no dia certo são as três ações que mantêm a cidade nos 21% de coleta seletiva e sustentam um sistema que cresce há quatro anos consecutivos.

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Max Pires

Já criei blog, portal, startup… e agora voltei pro que mais gosto: contar histórias que fazem sentido pra quem vive aqui. Entre um café e um latido dos meus cachorros, tô sempre de olho no que importa pra nossa cidade.

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