Como Jaraguá do Sul transformou a coleta seletiva em renda para 90 famílias e chegou a 9 mil toneladas recicladas
No Dia Mundial da Reciclagem, neste domingo (17), o sistema do Samae mostra que o saco verde virou também uma cadeia de trabalho que sustenta 11 cooperativas na cidade.
Cooperados separam materiais recicláveis coletados pelo Programa Saco Verde em Jaraguá do Sul. Foto: Divulgação/Samae.
Resumo completo
Toneladas recicladas em 2025: 9.116,62
Sacos verdes distribuídos em 2025: 3,2 milhões
Cooperativas credenciadas: 11
Famílias sustentadas pela triagem: cerca de 90
Pontos de Entrega Voluntária: Vila Lenzi, Ilha da Figueira e Nereu Ramos
Materiais coletados nos PEVs em 2025: 315,22 toneladas
A coleta seletiva em Jaraguá do Sul deixou de ser uma campanha de conscientização e virou cadeia produtiva. Neste domingo (17), quando o calendário marca o Dia Mundial da Reciclagem, o município chega à data com 9.116,62 toneladas de materiais recolhidos em 2025 e 90 famílias vivendo da triagem desses resíduos em 11 cooperativas credenciadas pelo Samae.
Maio também é o Mês da Conscientização da Importância da Reciclagem em Jaraguá, marco instituído pela Lei Municipal 9.339/2023, fruto de iniciativa da Câmara de Vereadores Mirim. A coleta seletiva representa hoje 21% do total de resíduos recolhidos no município.

Quatro anos de crescimento ininterrupto
A série histórica do Samae mostra avanço consistente. Em 2022, a cidade coletou 7.242,34 toneladas de recicláveis. No ano seguinte, o volume subiu para 7.771,02 toneladas. Em 2024, chegou a 8.781,5 toneladas. E em 2025 atingiu as 9.116,62 toneladas registradas até agora.
Em quatro anos, o volume coletado cresceu 26%. Plásticos, papelão, papéis, metais e vidros lideram a lista dos materiais mais separados pelos moradores.

Para o diretor-presidente do Samae, Onésimo Sell, o crescimento reflete a maturidade do programa. “A cada ano percebemos um aumento na participação da comunidade no programa de coleta seletiva. Esse resultado é fruto da conscientização das pessoas sobre a importância da separação correta dos resíduos e dos benefícios que a reciclagem traz para o meio ambiente e para a sociedade”, afirma.
A engrenagem por trás do saco verde
O número que dá escala ao sistema raramente aparece nas estatísticas oficiais: 3,2 milhões de sacos verdes foram distribuídos em Jaraguá do Sul em 2025. A entrega acontece nas casas dos moradores, no momento da coleta, em troca do material já separado.
Conteúdos em alta

A logística da distribuição funciona como reforço de hábito. Como o morador sabe o dia em que o caminhão passa no bairro, a rotina de separar plástico, papel e vidro se consolida. Quem quiser consultar os dias de coleta seletiva por bairro pode acessar o localizador da Ambiental SC. O resultado da rotina aparece na curva ascendente de toneladas coletadas.
O diretor de Gestão Urbana do Samae, Deverson Simioni, lembra que o saco verde não é a única opção de embalagem aceita. “Reforçamos a importância de mais pessoas realizarem a separação correta dos materiais e descartarem os recicláveis no saco verde ou em qualquer tipo de embalagem, sacolas plásticas, caixas de papelão e sacos de lixo, sempre com os materiais limpos e secos”, explica.
Onde o lixo vira salário
As 9.116,62 toneladas coletadas em 2025 não param no caminhão. Todo o material é encaminhado gratuitamente para as 11 cooperativas de reciclagem credenciadas com o Samae, responsáveis pela triagem e destinação final dos resíduos.
São essas cooperativas que sustentam cerca de 90 famílias no município. O trabalho de separar plástico, papelão e metal vira renda mensal para um grupo de trabalhadores que opera na ponta menos visível do sistema. A coleta seletiva, em Jaraguá, deixou de ser só pauta ambiental e virou também pauta de inclusão produtiva.

A alternativa para quem quer descartar fora da rota
Quem produz volume maior de recicláveis ou perde o dia da coleta no bairro tem mais três opções na cidade. Os Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) do Samae ficam nos bairros Vila Lenzi, Ilha da Figueira e Nereu Ramos e funcionam como complemento à coleta porta a porta.
Em 2025, os três PEVs receberam 315,22 toneladas de materiais. Plásticos, papelão, metais e vidros são os mais entregues nesses pontos. O canal cresce em volume na medida em que mais moradores adotam o descarte separado como rotina.
Como isso impacta sua vida?
O saco verde que chega na sua casa a cada dois meses é o início de uma cadeia que termina no salário de 90 famílias jaraguaenses. Separar o lixo seco do orgânico, manter o material limpo e descartar no dia certo são as três ações que mantêm a cidade nos 21% de coleta seletiva e sustentam um sistema que cresce há quatro anos consecutivos.
Max Pires
Já criei blog, portal, startup… e agora voltei pro que mais gosto: contar histórias que fazem sentido pra quem vive aqui. Entre um café e um latido dos meus cachorros, tô sempre de olho no que importa pra nossa cidade.