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Coluna: Livros e leitores

Muita gente não sabe, mas o livro não foi escrito para ser objeto de decoração e ostentação na prateleira

12/12/2021

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Sônia Pillon é jornalista e escritora, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto e Gramática pela Univille. É Presidente de Honra da ALBSC Jaraguá do Sul.

Coluna: Livros e leitores

Hoje é o último dia da programação da 14ª Feira do Livro de Jaraguá do Sul. Você já esteve lá para conferir os estandes, a tenda interativa na área externa, e a vasta programação, com autores e artistas nas dependências da Sociedade Cultura Artística (SCAR)? Se ainda não foi, agende-se! Culture-se! Às 19h deste domingo, no Grande Teatro, tem o show de encerramento “Ócios do Ofício”, com Folebaixo e Bruno Karam, de Curitiba. O espetáculo musical apresenta composições inspiradas na obra literária do escritor Manoel Carlos Karam.

É preciso enfatizar que um livro não é apenas um livro. Vai muito além. E jamais deve ser avaliado superficialmente pela capa: embora sejam encontrados livros clássicos e contemporâneos com esmerada qualidade gráfica, também podemos achar preciosidades literárias em brochuras. É preciso “garimpar”, principalmente, pelo conteúdo das páginas.

Muita gente não sabe, mas o livro não foi escrito para ser objeto de decoração e ostentação na prateleira… Conheço pessoas que mantêm acervos particulares apenas por status, sem a mínima intenção de abrir as obras adquiridas e conhecer as histórias, vivenciar as emoções, os dramas e as alegrias contidas em suas páginas. Confesso que já vi se gabarem do número de livros colecionados e confessarem, sem nenhum pudor, que não leram nenhum. Triste constatação. Inevitavelmente vem a pergunta que não quer calar: Não seria melhor doar os livros para uma biblioteca municipal, ou para uma instituição de ensino, para possibilitar a disseminação do conhecimento? É preciso enfatizar que um livro não é apenas um livro.

E quem não conhece aquela “figura carimbada” que comparece aos lançamentos de livros motivada pelo coquetel oferecido, ou apenas para aparecer nas redes sociais? São os “caça-likes” de plantão, uma modalidade que só faz crescer em tempos de competição pelo número de “amigos”, ou seguidores na web.

Tive o privilégio de ser incentivada à leitura desde pequena pela minha mãe, Wilma. Me criei folheando e lendo livros de fábulas, clássicos da literatura infantil. Amei cada página das obras da coleção infantil de Monteiro Lobato antes mesmo de virar série na TV. Foi o começo do caminho, mergulhando em estórias de terras e épocas distantes. Nesse processo, fui da mais bela fantasia à mais triste realidade. De leitora voraz passei a escrever também. Nesse ponto, o Jornalismo contribuiu bastante, também, para os textos pé no chão, bem longe do universo da fantasia, do encantamento e da ludicidade.

A literatura faz a ligação entre a ficção e a realidade, facilita os estudos, traz experiências e possibilita crescer do ponto de vista humano. O poder da palavra escrita não pode ser ignorado. Literatura não é firula.

É preciso enfatizar que um livro não é apenas um livro…

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