Cotidiano | 09/06/2026 | Atualizado em: 09/06/26 ás 17:00

Como Jaraguá do Sul e região estão se preparando para combater o borrachudo antes do verão

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Como Jaraguá do Sul e região estão se preparando para combater o borrachudo antes do verão

Foto: divulgação prefeitura

O controle do borrachudo segue sendo uma preocupação recorrente em propriedades rurais de Jaraguá do Sul e dos demais municípios do Vale do Itapocu. Com impacto na qualidade de vida, na atividade agrícola e até na economia local, o combate ao inseto exige planejamento e conhecimento técnico para ser eficaz.

Foi justamente esse o foco de uma capacitação realizada na manhã desta terça-feira (9), na sede da Associação dos Municípios do Vale do Itapocu (Amvali), reunindo representantes das secretarias de Agricultura da região e do Consórcio Intermunicipal de Gestão Pública (Cigamvali).

Capacitação abordou uso correto do BTI

O treinamento foi conduzido pela bióloga Cris Bomfante, da empresa Agrolíder, e teve como tema o uso estratégico e prático do biolarvicida natural Bacillus Thuringiensis Israelensis (BTI), utilizado no controle biológico do mosquito borrachudo (Simulium spp).

Segundo a especialista, um dos principais desafios é garantir que as aplicações sejam realizadas no momento adequado, respeitando o ciclo de vida do inseto.

“Antes de mais nada é importante que se estabeleça um cronograma para fazer estas aplicações levando em conta o ciclo de vida do mosquito borrachudo, inclusive para evitar o desperdício do produto (BTI)”, afirmou.

De acordo com a bióloga, a fêmea do borrachudo tem ciclo de vida aproximado de 35 dias. Nesse período, realiza de quatro a cinco posturas, com cerca de 500 ovos cada, sendo metade deles futuras fêmeas.

“O macho da espécie é inofensivo para o ser humano. Essencialmente, vive bem menos que a fêmea sendo inofensivo ao ser humano, se alimentando de néctar e morrendo logo após a cópula. Já a fêmea precisa de sangue humano e de animais para o desenvolvimento de seus ovos”, explicou.

Fase aquática é considerada decisiva

Durante a capacitação, Cris Bomfante destacou que grande parte do ciclo de vida do borrachudo acontece em rios e riachos, onde o inseto permanece nas fases de larva e pupa.

Segundo ela, esse período dura entre duas e quatro semanas e representa o momento mais importante para intensificar as ações de controle.

“De duas a quatro semanas. É nessa fase que o controle precisa ser intensificado”, ressaltou.

A profissional também observou que a proliferação do borrachudo vai além de uma questão de saúde pública, gerando reflexos econômicos e ambientais.

Municípios buscam apoio para ampliar programa

Além da orientação técnica, a capacitação também abordou os cuidados necessários para garantir a eficácia do BTI. Embora seja considerado um produto de fácil utilização, a aplicação requer critérios específicos para alcançar os resultados esperados.

Segundo a bióloga, os municípios que integram a Amvali buscam apoio junto ao Governo do Estado para ampliar a disponibilidade do produto e fortalecer os programas de combate ao borrachudo na região.

“Agora no inverno é o melhor momento para começar este trabalho. A gente precisa envolver os munícipes para que nos auxiliem com as aplicações, em especial em áreas de microbacia onde tem mais problema com o borrachudo. Só que não é uma aplicação que se faz de qualquer jeito. Por isso, a necessidade de um treinamento como este”, afirmou.

Jaraguá do Sul distribuiu 486 litros do produto em 2025

Em Jaraguá do Sul, a Secretaria de Desenvolvimento Rural e Abastecimento direcionou, em 2025, 486 litros do biolarvicida natural para 38 propriedades rurais cadastradas realizarem o combate ao borrachudo.

Para o diretor da pasta, Jorge Inácio de Andrade, o treinamento contribui para melhorar a identificação dos focos e definir corretamente as quantidades necessárias do produto.

“Sabemos da eficácia do produto, mas principalmente há a questão do manejo, dos ciclos que precisamos respeitar para ter realmente um controle eficaz conforme o produto atua. Então, essa capacitação, nos ajuda a identificar, principalmente os focos, a se calcular a questão da quantidade a ser aplicadas do BTI”, destacou.

Andrade também avaliou que a continuidade do programa e a orientação técnica aos produtores são fundamentais para os resultados alcançados.

“Iniciativa como esta é muito importante, assim como a continuidade desse programa, o incentivo e a orientação por parte do município. Por outro lado, observamos que boa parte dos nossos agricultores vem fazendo essa aplicação de forma eficaz”, concluiu.

Como isso impacta sua vida?

Quem vive ou trabalha em áreas rurais da região sente diretamente os efeitos da proliferação do borrachudo. O treinamento realizado pela Amvali busca melhorar a eficiência das aplicações do BTI, reduzir desperdícios e fortalecer as ações de controle justamente no período considerado mais adequado para iniciar o combate ao inseto antes dos meses mais quentes do ano.

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