Você sabe como surgiu a Via Verde? A verdadeira história vai te surpreender
Foto: prefeitura de Jaraguá do Sul
A Via Verde em Jaraguá do Sul é hoje um dos espaços mais bonitos e visitados da cidade. Local de caminhada, pedal, lazer em família e contemplação do Rio Itapocu, virou cartão-postal. Mas você sabe como surgiu? não nasceu de um projeto turístico ou paisagístico.
Ela surgiu a partir de uma preocupação técnica com um problema antigo: as enchentes em Jaraguá do Sul.
Antes do parque, o avanço dos aterros
Muito antes de se tornar ponto de encontro da população, a área fazia parte de uma discussão sobre o crescimento de aterros em áreas naturalmente inundáveis, integrado pelo Ministério Público de Santa Catarina, Prefeitura de Jaraguá do Sul e outas entidades.
Esses espaços funcionam como áreas de expansão do rio. Quando o nível sobe, a água precisa ocupar esses locais. Se são aterrados, o volume se espalha para bairros, ruas e regiões urbanizadas.
Quanto menor o espaço disponível para a água, maior o impacto das inundações.
O projeto original previa uma via elevada
A proposta inicial para a região não incluía parque. O plano era construir uma via elevada, acima do nível de inundação do Rio Itapocu.
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Na prática, a rua ficaria seca. Mas criaria uma consequência: funcionaria como uma barreira física, impedindo que a água ocupasse aquela área natural de expansão.
O resultado poderia ser o agravamento das cheias em outras partes da cidade.
A mudança que redefiniu a Via Verde
Quem relata essa transformação é o promotor público Alexandre Schmidt dos Santos, do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Segundo ele, se a via fosse construída sobre aterro, atuaria como uma espécie de represa. A água que deixaria de ocupar aquela área invadiria outros pontos urbanos.
A alternativa proposta foi manter a via no nível natural do terreno, permitindo que, em períodos de cheia, a água ocupasse o espaço de forma controlada.
Em vez de enfrentar o rio, a decisão foi conviver com ele.
Um parque planejado para alagar
A partir dessa lógica surgiu a ideia de implantar um parque linear às margens do rio.
Durante a implantação, o terreno foi rebaixado com a retirada de grande volume de material, ampliando a capacidade de acumulação de água. Por isso, os equipamentos instalados são de concreto, preparados para suportar alagamentos.
Quando o Rio Itapocu sobe, o parque recebe parte do volume de água. Depois que o nível baixa, a área é limpa e volta a ser utilizada.
O lazer é consequência. A função principal é hidráulica.
Os resultados já apareceram
Levantamento apresentado pela Defesa Civil mostrou que, em 2022, os acumulados de chuva foram superiores aos de 2014, ano em que uma grande enchente atingiu a cidade.
Mesmo com mais chuva, não houve inundações da mesma proporção.
Além da Via Verde, outras obras de drenagem e parques com a mesma lógica contribuíram para esse cenário.
Em episódio recente, com o Rio Itapocu atingindo 5,10 metros, o parque novamente absorveu parte do volume de água. Sem essa área disponível, bairros, empresas e regiões urbanizadas poderiam ter sido atingidos.
Como isso impacta sua vida?
A Via Verde não é apenas um espaço de lazer.
Ela funciona como uma área estratégica de contenção das cheias em Jaraguá do Sul. Sempre que o parque alaga, está cumprindo exatamente a função para a qual foi pensado: proteger áreas residenciais, comércios e empresas do impacto direto da inundação.
Entender isso muda a percepção sobre o espaço. O alagamento não representa falha. Representa prevenção.
Marcio Martins
Profissional da comunicação desde 1992, com experiência nos principais meios de Santa Catarina e no poder público. Observador, contador e protagonista de histórias, conheço Jaraguá do Sul como a palma da mão