Jaraguá Futsal | 24/07/2026 | Atualizado em: 24/07/26 ás 07:28

Jornalista reúne anos de pesquisa e cria o maior acervo de dados sobre o Juventus e o Jaraguá Futsal; confira

Movido pela paixão ao esporte, o jornalista Henrique Porto transformou décadas de pesquisa em um acervo colaborativo para preservar a memória esportiva de Jaraguá.

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Jornalista reúne anos de pesquisa e cria o maior acervo de dados sobre o Juventus e o Jaraguá Futsal; confira

Jornalista e pesquisador Henrique Sudatti Porto reuniu anos de pesquisa em plataformas colaborativas dedicadas à história do Grêmio Esportivo Juventus e do Jaraguá Futsal. | Foto: Arquivo Pessoal

O esporte faz parte da identidade de Jaraguá do Sul. Ao longo das últimas décadas, os clubes da cidade colecionaram títulos, personagens e histórias que ajudaram a construir essa tradição. Manter viva essa memória, porém, exige dedicação, por ser um trabalho contínuo de pesquisa e documentação.

Há anos, o jornalista Henrique Sudatti Porto dedica parte do seu tempo a esse desafio. Depois de reunir milhares de informações sobre o Grêmio Esportivo Juventus e o Jaraguá Futsal, ele transformou esse acervo em duas plataformas colaborativas abertas ao público, aproximando torcedores, pesquisadores e a própria comunidade da história esportiva da cidade.

Além de consultar dados e documentos, os usuários também podem contribuir com fotos, súmulas e outras informações, fortalecendo um projeto que nasceu da paixão pelo esporte e hoje busca preservar esse patrimônio coletivo.

Tela inicial da plataforma criada por Henrique Porto com dados históricos da Associação Desportiva Jaraguá.
A plataforma reúne estatísticas, resultados, elenco, calendário, artilheiros e outras informações históricas dos clubes. | Foto: Reprodução/Henrique Porto

>> Clique aqui para acessar a plataforma do Juventus
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Um projeto impulsionado pela paixão por esporte

A relação de Henrique com o esporte começou ainda na infância, em Jundiaí (SP), onde nasceu. Incentivado pelo primo de segundo grau, Gilberto Sudatti, já falecido, ele e o irmão acompanhavam diferentes modalidades esportivas e frequentavam competições desde pequenos. Aos 12 anos, mudou-se para Jaraguá do Sul com a família e passou a acompanhar de perto a história das equipes daqui.

Da paixão pelo esporte veio também a profissão de jornalista esportivo; atuou na imprensa regional e na comunicação do esporte ligada à Prefeitura da cidade, acompanhando de perto atletas, clubes e competições. Em 2013, seguiu novos rumos profissionais e, com mais tempo para se dedicar a pesquisas, chegou a escrever dois livros – A primeira vez do Moleque e Pé-frio, a história dos jogos sob neve no Brasil – e passou a organizar e ampliar o acervo que vinha construindo ao longo dos anos.

Henrique Sudatti Porto entrevista treinador durante cobertura esportiva em Jaraguá do Sul.
Antes de se dedicar à pesquisa histórica, Henrique Porto trabalhou na cobertura esportiva da região. | Foto: Arquivo pessoal

Assim Henrique foi reunindo resultados, escalações, públicos, artilheiros, fotos, súmulas e outros documentos históricos das equipes. O trabalho era feito nas horas livres, sempre com a ideia de que aquelas informações poderiam ter alguma utilidade no futuro.

Essa percepção ganhou força nos últimos anos. Ao acompanhar discussões nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, ele percebeu que torcedores, jornalistas e pesquisadores frequentemente buscavam respostas para perguntas sobre a história dos clubes, mas encontravam dificuldade para localizar informações confiáveis.

Quando viu que a base de dados já havia alcançado um nível de maturidade que permitia atender diferentes perfis de usuários, colocou a ideia em prática. Mas ele faz questão de destacar que o trabalho está longe de ser concluído. Pelo contrário: a plataforma foi criada justamente para que a comunidade também participe desse processo de preservação da memória esportiva.

“Jamais conseguirei completar esse trabalho sozinho. Sempre existe uma foto esquecida, uma súmula guardada, um recorte de jornal ou uma informação que alguém pode acrescentar. Tornando esse material público, as pessoas também conseguem colaborar com correções e novos documentos.”

>> Como contribuir: Informações, fotografias, documentos e correções podem ser enviadas para jaraguaesportes@gmail.com. Todo o material passa por conferência antes de ser incorporado ao acervo, e os colaboradores recebem os devidos créditos. O projeto também aceita apoio financeiro para a manutenção e o desenvolvimento das plataformas.

A inteligência artificial como aliada

Ao decidir transformar o acervo em uma plataforma aberta ao público, Henrique se deparou com um novo desafio: desenvolver um sistema sem ter experiência em programação. Foi nesse momento que a inteligência artificial passou a fazer parte do projeto.

“Eu não sou programador. Fui conversando com a inteligência artificial, estudando junto com ela e ganhando confiança para fazer acontecer. Ela ajudou principalmente na transferência do banco de dados e nas tarefas mais técnicas, que sozinho eu não conseguiria desenvolver.”

Segundo ele, a IA acelerou um processo que, sozinho, provavelmente levaria muito mais tempo para ser concluído. Ainda assim, ele explica que a tecnologia só foi útil porque havia uma base de dados construída ao longo dos anos.

Henrique Sudatti Porto posa com bola de futebol, símbolo da pesquisa sobre a memória esportiva de Jaraguá do Sul.
Henrique transformou a paixão pelo esporte em profissão e projetos ao longo dos anos. | Foto: Arquivo pessoal

Quando decidiu transformar o acervo em uma plataforma aberta ao público, Henrique percebeu que a programação era apenas uma parte do processo. O que realmente fez diferença foi a base de dados construída com o tempo.

“Mas o maior desafio mesmo foi construir uma planilha sólida durante anos. Se eu não tivesse essa base organizada, dificilmente conseguiria transformá-la em uma aplicação.”

As duas plataformas foram desenvolvidas com a mesma estrutura. Assim, sempre que uma nova funcionalidade é criada, ela pode ser incorporada simultaneamente aos sistemas.

Curiosidades reveladas pelos dados

Ao longo dos anos dedicados à pesquisa, Henrique também encontrou curiosidades que dificilmente seriam percebidas sem este trabalho de catalogação tão detalhado. Uma das que mais chamam a atenção envolve justamente um comparativo entre os dois clubes.

Apesar de terem sido fundados em épocas diferentes e disputarem modalidades distintas, Juventus e Jaraguá Futsal (Associação Desportiva Jaraguá) possuem um número de partidas disputadas surpreendentemente semelhante.

“Ainda faltam algumas partidas para catalogar, principalmente do futsal, no início da história, mas quando esse trabalho estiver concluído acredito que os números ficarão ainda mais próximos.”

Um sonho que vai além dos dados e livros

As plataformas não representam o ponto final desse trabalho. Henrique diz que o grande sonho é ver toda essa história ganhar também um espaço físico, dedicado à preservação da memória esportiva de Jaraguá do Sul. Um local para revisitar trajetórias que ajudaram a construir a identidade esportiva do município.

“Assim como existe o Museu WEG, eu gostaria que um dia a cidade tivesse um Museu do Esporte. Um espaço onde crianças, escolas e a comunidade possam conhecer a história dos nossos atletas, clubes e modalidades.”

Sem saber ainda como esse sonho poderá se concretizar, ele continua fazendo a sua parte. Amplia o acervo, pesquisa documentos, confere informações, recebe contribuições da comunidade e até resgata peças históricas para que, talvez, possam fazer parte desse espaço no fututo.

Como costuma resumir, seu trabalho segue um lema simples: “Resgatando o passado, reportando o presente e resguardando o futuro.”

Henrique Sudatti Porto fotografa partida do Grêmio Esportivo Juventus em Jaraguá do Sul.
Foto: Arquivo pessoal

Como isso impacta sua vida?

A nova plataforma facilita o acesso a informações históricas sobre o Juventus e o Jaraguá Futsal para torcedores, jornalistas, pesquisadores e estudantes. Além de preservar parte da memória esportiva da cidade, o projeto também permite que a própria comunidade participe enviando documentos, fotos e correções, ajudando a construir um acervo coletivo que poderá servir às próximas gerações.

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Gabriela Bubniak

Jaraguaense de alma inquieta e jornalista apaixonada por contar boas histórias. Tenho fascínio por livros, música e viagens, mas o que me move é viver a energia de um bom futsal na Arena e explorar o que há de melhor na nossa terrinha.

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