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Coluna: Dias de pérolas

É interessante pensar que uma pérola nasce através de um processo de defesa contra corpos estranhos. Ao receber um glóbulo de calcário, uma pedra minúscula, uma concha de molusco se fecha e lentamente inicia o processo que gerará uma cápsula gelatinosa (…). Um processo semelhante a esse estamos passando no planeta.

26/03/2020

Por

Sônia Pillon é jornalista e escritora, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto e Gramática pela Univille. É Presidente de Honra da ALBSC Jaraguá do Sul.

Coluna: Dias de pérolas
Dias de pérolas  – Por Sônia Pillon 
 
Sempre gostei de pérolas. Arredondadas,  de cor bege clara brilhante, as pérolas sempre tiveram destaque entre os adornos que eventualmente uso no dia a dia. Anéis, brincos,  colares… Bijuterias, é  claro! Até porque uma pérola “verdadeira”, mesmo cultivada, é uma joia não tão acessível para quem é assalariado, com tantas prioridades mais prementes… Porém,  o
efeito visual e a elegância que essa gema preciosa confere, na minha opinião,  é o mesmo, encanta os olhos! 
 
Outra vantagem é que a pérola combina com os mais diversos estilos e atravessa os séculos sem “cair de moda”.
 
Recentemente foi divulgada a notícia da descoberta da pérola mais antiga já encontrada. O que se sabe é que foi encontrada em uma ilha próxima a Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes e teria 8 mil anos.  Uma relíquia, sem dúvida!
 
É interessante pensar que uma pérola nasce através de um processo de defesa contra corpos estranhos. Ao receber um glóbulo de calcário, uma pedra minúscula, uma concha de molusco se fecha e lentamente inicia o processo que gerará uma cápsula gelatinosa. Após um período de reclusão, aquela pedrinha se transforma em uma peça  nacarada, pronta para ser lançada e admirada por sua beleza sem igual.
 
Um processo semelhante a esse estamos passando no planeta. Por conta do novo coronavírus, nos recolhemos dentro de nossas casas, como a concha que foi surpreendida pela pedra que a feriu, obrigando-a ao fechamento para o resto do mundo. 
Nos forçamos a “voltar para a toca”, aos nossos lares.
 
Se por um lado a pandemia nos deixou amedrontados e nos obrigou a intensificar os hábitos de limpeza e higiene pessoal, também  nos dá a oportunidade de aproveitar o tempo em família.  De nos doarmos para nossos filhos,  pais e avós. De resgatar laços, aparar arestas, ressignificar as relações humanas. Re-unir, ainda que por meios eletrônicos. 
Dizer “eu te amo”, “estou com saudade”, “me perdoe”, “conte comigo”…
 
Aproveitar a oportunidade para fazer a diferença na forma de interagir com as pessoas,  daqui para frente. Valorizar os profissionais atuam na retaguarda nesse momento.
 
A pandemia vai passar, o barco vai seguir em frente, apesar de tudo. Para os que aproveitarem, os “dias de pérolas” não serão em vão. E você, leitor, está cultivando uma “pérola” enquanto está em quarentena?
 

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