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Coluna: Duas estrelas brilham no céu

Mais do que destaques das artes cênicas por serem multifacetados, Tarcísio Meira e Paulo José deixaram um legado de generosidade e simplicidade, qualidades raras entre as celebridades contemporâneas.

15/08/2021

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Sônia Pillon é jornalista e escritora, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto e Gramática pela Univille. É Presidente de Honra da ALBSC Jaraguá do Sul.

Coluna: Duas estrelas brilham no céu

Por Sônia Pillon

Eram dois profissionais do mundo da arte. Muito mais do que destaques das artes cênicas, admirados por seus talentos multifacetados, eles eram realmente queridos pelo público. E não somente pelo carisma e indiscutível capacidade artística. A generosidade e a simplicidade eram características que marcaram a vida deles nos bastidores do teatro, cinema e televisão.

Em todos os aspectos, não faltavam testemunhos de que ambos eram seres verdadeiramente humanos, delicados no trato e com profundo respeito para com todos. Sem sombra de dúvida, qualidades cada vez mais raras no “mundo das celebridades”, em que a busca pela fama e a ostentação é tão vazia quanto efêmera.

E apesar de desenvolverem o mesmo ofício e serem tão conhecidos, tinham características e trilharam trajetórias diferentes.

Enquanto um era apontado como o maior galã de todos os tempos e um dos ícones da teledramaturgia brasileira, o outro se destacava interpretando personagens que retratavam as fraquezas humanas, suas grandes fragilidades, apostava em trabalhos de direção e na formação de atores. Um encantava dando vida ao personagem “Capitão Rodrigo”, do saudoso Érico Veríssimo, e o outro emocionava ao resgatar o “Gentileza”, bem ao estilo hippie, com a máxima: “Gentileza gera gentileza”. Por sinal, nunca se viu tanta falta de gentileza como nesses tempos de cancelamentos e haters nas redes sociais.

Poucas vezes esses dois gigantes da arte de encenar atuaram juntos, mas quando aconteceu, foram em momentos marcantes, como na profética despedida em que prometiam se encontrar no céu…

Quis o destino que a partida dos dois acontecesse com poucas horas de diferença, chocando o país, justamente em um período de tantas perdas irreparáveis causadas pela pandemia. Certamente são duas estrelas que passaram a brilhar intensamente em outra esfera, deixando pra trás um rastro de imensa saudade. Perdas irreparáveis e insubstituíveis.

Gratidão pelo legado inestimável, Tarcísio Meira e Paulo José!

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