Juventus Jaraguá | 09/05/2026 | Atualizado em: 10/05/26 ás 11:19

Presidente do Juventus diz que deixa o cargo se aparecer projeto SAF viável: “não tenho cadeira cativa”

Em entrevista, Paulo Ricardo Marcelino fala em recuperação judicial, dispensas, três reforços e abre as portas do clube para quem puder entregar mais.

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Presidente do Juventus diz que deixa o cargo se aparecer projeto SAF viável: “não tenho cadeira cativa”

Foto: Divulgação

Resumo completo

Quem fala: Paulo Ricardo Marcelino, 31 anos, presidente do Grêmio Esportivo Juventus

Recuperação judicial: dívida original de cerca de R$ 10 milhões, com aproximadamente 50% de desconto negociado

Custo tributário mensal: cerca de R$ 45 mil

Movimentação no elenco: três atletas dispensados, três contratações se apresentam na segunda-feira

SAF: clube em conversas para a transformação, sem prazo definido

O futuro do Grêmio Esportivo Juventus passa por uma equação que mistura sobrevivência financeira, reformulação do elenco e a possibilidade de uma transformação societária. Em entrevista à rádio CBN Floripa, o presidente Paulo Ricardo Marcelino, de 31 anos, falou abertamente sobre o momento do clube de Jaraguá do Sul, sobre o andamento da recuperação judicial e sobre a própria permanência no cargo.

A declaração mais forte veio quando o presidente foi questionado sobre o futuro pessoal à frente do clube. “Eu não tenho cadeira cativa. Se alguém puder entregar mais do que eu posso, cara, eu não tenho vaidade nenhuma quanto a isso”, afirmou. Marcelino disse que a porta está aberta para quem chegar com um projeto viável, inclusive via SAF (Sociedade Anônima do Futebol).

Paulo Ricardo Marcelino, presidente do Juventus de Jaraguá do Sul, sentado diante de microfone em mesa institucional, com bandeira ao fundo
Paulo Ricardo Marcelino, presidente do Juventus, fala sobre recuperação judicial e SAF

A abertura para a SAF e a permanência do presidente

A fala sobre a possibilidade de deixar o cargo veio dentro de uma resposta longa, na qual Marcelino reforçou que continua no comando e que não pretende abandonar o processo de recuperação judicial. “Eu não vou abandonar o clube, não vou abandonar a recuperação judicial porque isso é um compromisso do meu CPF e muito sério”, disse.

Mesmo assim, o presidente foi explícito ao colocar o cargo à disposição caso surja um projeto melhor. Segundo ele, a posição já é conhecida pela diretoria e pelos patrocinadores. “Se tiver alguém que possa fazer mais do que eu, trazer solução para os nossos problemas, eu não tenho cadeira cativa aqui”, repetiu, citando a SAF e a própria cidade como caminhos possíveis para uma nova gestão.

O processo de transformação em SAF, segundo Marcelino, está em conversas. O presidente não detalhou prazos, valores ou nomes envolvidos, e pediu paciência ao torcedor. A possibilidade aparece no mesmo momento em que outros clubes brasileiros, de portes variados, vêm migrando para o modelo, que permite a entrada de investidores na gestão do futebol.

A recuperação judicial e o equilíbrio das contas

O presidente apontou a recuperação judicial como o principal êxito da gestão. O clube enfrentava o risco de leilão e chegou a precisar pagar uma petição para evitar a medida. Diante da pressão, Marcelino disse que precisou escolher entre manter contratos com atletas até dezembro ou priorizar a sobrevivência institucional.

A escolha foi pela instituição. Segundo ele, 90% dos atletas aceitaram o acordo proposto, e os outros 10% tiveram a chance de entrar na recuperação judicial, opção que poucos aceitaram até agora. A dívida que era de cerca de R$ 10 milhões foi negociada com aproximadamente 50% de desconto, o que o presidente considera um marco da gestão.

O equilíbrio, no entanto, segue apertado. O clube paga cerca de R$ 45 mil por mês apenas em obrigações tributárias, valor que se soma às despesas correntes do campeonato. “Você não pode falhar nem uma vez na recuperação judicial, é um compromisso muito grande, é muito dinheiro, futebol é caro”, afirmou. A auditoria do clube, segundo ele, é feita pela Receita Federal a cada 30 dias, com acompanhamento de um administrador judicial.

Jogador do Juventus disputa lance durante partida na Arena TopSun
“clube não aceita continuar na parte de baixo da tabela” Foto: Richard Ferrari
/Juventus

Dispensas, reforços e a briga pela permanência

No campo, a prioridade declarada é a permanência na competição. Marcelino disse que o clube não aceita continuar na parte de baixo da tabela e tratou a vitória do próximo domingo como necessária para dar tranquilidade ao elenco e à comissão técnica.

Para tentar reagir, a diretoria promoveu mudanças no grupo durante a semana. Três atletas foram dispensados por desempenho considerado abaixo do esperado, e três novos jogadores devem se apresentar na segunda-feira. O presidente não citou nomes, mas afirmou que os reforços trazem mais competitividade ao elenco.

A meta declarada é equilíbrio dentro e fora de campo. Voos maiores, segundo Marcelino, ficam para um segundo momento. “A nossa realidade hoje é o equilíbrio, dentro de campo e dentro das contas também”, resumiu.

Como isso impacta sua vida?

O Juventus é o clube de futebol da cidade. Para o torcedor jaraguaense, a entrevista entrega duas informações práticas: o clube segue de pé e dentro do calendário do campeonato, mas o comando atual está formalmente disposto a sair se aparecer projeto melhor. Quem acompanha o clube passa a ter, a partir de agora, um cenário declarado pelo próprio presidente em que a discussão sobre SAF deixa de ser hipótese de bastidor e entra no debate público.

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Max Pires

Já criei blog, portal, startup… e agora voltei pro que mais gosto: contar histórias que fazem sentido pra quem vive aqui. Entre um café e um latido dos meus cachorros, tô sempre de olho no que importa pra nossa cidade.

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