Presidente do Juventus diz que deixa o cargo se aparecer projeto SAF viável: “não tenho cadeira cativa”
Em entrevista, Paulo Ricardo Marcelino fala em recuperação judicial, dispensas, três reforços e abre as portas do clube para quem puder entregar mais.
Foto: Divulgação
Resumo completo
Quem fala: Paulo Ricardo Marcelino, 31 anos, presidente do Grêmio Esportivo Juventus
Recuperação judicial: dívida original de cerca de R$ 10 milhões, com aproximadamente 50% de desconto negociado
Custo tributário mensal: cerca de R$ 45 mil
Movimentação no elenco: três atletas dispensados, três contratações se apresentam na segunda-feira
SAF: clube em conversas para a transformação, sem prazo definido
O futuro do Grêmio Esportivo Juventus passa por uma equação que mistura sobrevivência financeira, reformulação do elenco e a possibilidade de uma transformação societária. Em entrevista à rádio CBN Floripa, o presidente Paulo Ricardo Marcelino, de 31 anos, falou abertamente sobre o momento do clube de Jaraguá do Sul, sobre o andamento da recuperação judicial e sobre a própria permanência no cargo.
A declaração mais forte veio quando o presidente foi questionado sobre o futuro pessoal à frente do clube. “Eu não tenho cadeira cativa. Se alguém puder entregar mais do que eu posso, cara, eu não tenho vaidade nenhuma quanto a isso”, afirmou. Marcelino disse que a porta está aberta para quem chegar com um projeto viável, inclusive via SAF (Sociedade Anônima do Futebol).

A abertura para a SAF e a permanência do presidente
A fala sobre a possibilidade de deixar o cargo veio dentro de uma resposta longa, na qual Marcelino reforçou que continua no comando e que não pretende abandonar o processo de recuperação judicial. “Eu não vou abandonar o clube, não vou abandonar a recuperação judicial porque isso é um compromisso do meu CPF e muito sério”, disse.
Mesmo assim, o presidente foi explícito ao colocar o cargo à disposição caso surja um projeto melhor. Segundo ele, a posição já é conhecida pela diretoria e pelos patrocinadores. “Se tiver alguém que possa fazer mais do que eu, trazer solução para os nossos problemas, eu não tenho cadeira cativa aqui”, repetiu, citando a SAF e a própria cidade como caminhos possíveis para uma nova gestão.
O processo de transformação em SAF, segundo Marcelino, está em conversas. O presidente não detalhou prazos, valores ou nomes envolvidos, e pediu paciência ao torcedor. A possibilidade aparece no mesmo momento em que outros clubes brasileiros, de portes variados, vêm migrando para o modelo, que permite a entrada de investidores na gestão do futebol.
A recuperação judicial e o equilíbrio das contas
O presidente apontou a recuperação judicial como o principal êxito da gestão. O clube enfrentava o risco de leilão e chegou a precisar pagar uma petição para evitar a medida. Diante da pressão, Marcelino disse que precisou escolher entre manter contratos com atletas até dezembro ou priorizar a sobrevivência institucional.
Conteúdos em alta
A escolha foi pela instituição. Segundo ele, 90% dos atletas aceitaram o acordo proposto, e os outros 10% tiveram a chance de entrar na recuperação judicial, opção que poucos aceitaram até agora. A dívida que era de cerca de R$ 10 milhões foi negociada com aproximadamente 50% de desconto, o que o presidente considera um marco da gestão.
O equilíbrio, no entanto, segue apertado. O clube paga cerca de R$ 45 mil por mês apenas em obrigações tributárias, valor que se soma às despesas correntes do campeonato. “Você não pode falhar nem uma vez na recuperação judicial, é um compromisso muito grande, é muito dinheiro, futebol é caro”, afirmou. A auditoria do clube, segundo ele, é feita pela Receita Federal a cada 30 dias, com acompanhamento de um administrador judicial.

/Juventus
Dispensas, reforços e a briga pela permanência
No campo, a prioridade declarada é a permanência na competição. Marcelino disse que o clube não aceita continuar na parte de baixo da tabela e tratou a vitória do próximo domingo como necessária para dar tranquilidade ao elenco e à comissão técnica.
Para tentar reagir, a diretoria promoveu mudanças no grupo durante a semana. Três atletas foram dispensados por desempenho considerado abaixo do esperado, e três novos jogadores devem se apresentar na segunda-feira. O presidente não citou nomes, mas afirmou que os reforços trazem mais competitividade ao elenco.
A meta declarada é equilíbrio dentro e fora de campo. Voos maiores, segundo Marcelino, ficam para um segundo momento. “A nossa realidade hoje é o equilíbrio, dentro de campo e dentro das contas também”, resumiu.
Como isso impacta sua vida?
O Juventus é o clube de futebol da cidade. Para o torcedor jaraguaense, a entrevista entrega duas informações práticas: o clube segue de pé e dentro do calendário do campeonato, mas o comando atual está formalmente disposto a sair se aparecer projeto melhor. Quem acompanha o clube passa a ter, a partir de agora, um cenário declarado pelo próprio presidente em que a discussão sobre SAF deixa de ser hipótese de bastidor e entra no debate público.
Max Pires
Já criei blog, portal, startup… e agora voltei pro que mais gosto: contar histórias que fazem sentido pra quem vive aqui. Entre um café e um latido dos meus cachorros, tô sempre de olho no que importa pra nossa cidade.