Fotos antigas relembram a história do Carnaval em Jaraguá do Sul
Foto: Arquivo
A história do Carnaval de Jaraguá do Sul já tem cerca de 100 anos e, durante esse período, movimentou salões, clubes e ruas da cidade. A celebração da festa, claro, foi passando por transformações ao longo dessas décadas e, para a nossa sorte, muitas delas foram preservadas em fotos.
De acordo com Silvia Kita, “nos anos 1920 havia no Distrito de Jaraguá alguns bailes e tardes dançantes na época do Carnaval”. Naquele período, o clima festivo também se refletia no comércio local.
Segundo relata, eram vendidas serpentinas, máscaras, lança-perfumes e confetes nas lojas de papelaria e os bailes aconteciam em diversos salões.

“Próximos ao Centro temos Salão Lorenzen, Salão Buhr, Sociedade Atiradores, mais tarde Sociedade Boa Esperança, Clube Aymoré, inicialmente no prédio de Tufie Mahfud e depois no prédio escolar da Comunidade Evangélica. Os convidados estavam sempre bem trajados em suas vestimentas coloridas, típicas do momento e se a ocasião exigia, também tinham as máscaras”, conta Silvia.
Cortejos pela ponte coberta e incentivo de lideranças
Já na década de 1930, segundo a historiadora, o desfile saía da Sociedade Atiradores Jaraguá, passava pela ponte coberta Abdon Batista e percorria as ruas Marechal Floriano e Marechal Deodoro.
Silvia Kita aponta ainda que, nessa época, o médico Álvaro Batalha, baiano radicado na cidade, foi um dos incentivadores da realização de desfiles, bailes de máscaras, concursos de trajes e alegorias.
Conteúdos em alta
Outro marco importante citado por ela é a criação da escola Estrela D’Alva, em 1938, por Manoel Rosa (Manequinha), com o nome de Bloco da Catarina. “Ela começou a participar do Carnaval somente em 1950, e a escola é considerada a mais antiga representante do Carnaval de Jaraguá do Sul”, diz.

Blocos tradicionais e grandes desfiles
Com o passar do tempo, outros blocos foram criados. Silvia cita “Em Cima da Hora”, “Samba no Pé” e “Sem Preconceito”, que juntamente com a Estrela D’Alva passaram a representar o Carnaval da cidade no desfile de blocos.
Um dos momentos marcantes ocorreu em 1975. De acordo com a pesquisadora, a escola de samba comandada por Perí Quirino da Cruz, do bairro Nova Brasília, realizou um grande desfile da Praça da Prefeitura até a Igreja Matriz, assistido por cerca de 5 mil pessoas.





A fase dos desfiles anuais até 2016
A partir de 1983 os desfiles carnavalescos passaram a contar com promoção da Prefeitura e apresentação de grupos e escolas de samba do município, assim como premiações. Esses eventos perduraram até 2016.
Ou seja, ao fazer um resgate histórico do Carnaval de Jaraguá, Silvia Kita explica que, no início, os desfiles de rua eram feitos por pequenos grupos. Já na década de 1950, eles passaram a ter mais componentes e bateria. E, ao chegar aos anos 1980, com apoio da administração pública, os desfiles tornaram-se anuais, com premiação de blocos.

Entre as escolas e blocos citados por Silvia estão Estrela D’Alva, Unidos da Brasília, Bafinho, primeiro colocado em 1988, Sem Preconceito, fundado por Vera Lúcia Silva, Em Cima da Hora, Império da Fênix, Verde e Rosa e Despertar do Amanhã.

Personagens que ajudaram a construir essa história
Além de Álvaro Batalha e Manoel Rosa, o Carnaval de Jaraguá do Sul contou com outros nomes importantes.
Entre eles estão Perí Quirino da Cruz e sua esposa Alcione, responsável pelas roupas, e Leocádio Osmar Rodrigues, conhecido como Fio, presidente da Sociedade União: todos ligados à Escola de Samba Unidos da Brasília.
Nos anos mais recentes, a historiadora cita ainda os carnavalescos Iracema Pinheiro, Dona Janete Marcos Rosa, da Verde e Rosa, Jorge Murilo Rosa e Nego Sid (Sidnei Cruz).

Como isso impacta sua vida?
Resgatar a história do Carnaval de Jaraguá do Sul é também preservar a memória cultural da cidade. Ao conhecer os blocos, os personagens e os espaços que já foram palco da folia, a comunidade reconhece parte da sua própria trajetória.
Mais do que festa, o Carnaval fez parte da vida social de Jaraguá do Sul por décadas e ajudou a construir vínculos, tradições e lembranças que atravessam gerações.