Cotidiano | 20/01/2026 | Atualizado em: 20/01/26 ás 17:54

[FOTOS] Motogiro: como um grupo de amigos fez Jaraguá do Sul virar capital das motos nos anos 2000

Evento que nasceu de passeios entre amigos levou Jaraguá ao topo dos encontros motociclísticos do Brasil.

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[FOTOS] Motogiro: como um grupo de amigos fez Jaraguá do Sul virar capital das motos nos anos 2000

Fotos: Max Pires/Paulo HP

O Motogiro de Jaraguá do Sul foi mais do que um simples encontro de motociclistas, ele foi parte da identidade cultural da cidade por mais de duas décadas. Realizado entre 1991 e 2013, o evento atraiu milhares de pessoas e se consolidou como um dos mais importantes festivais motociclísticos do Brasil.

Nesta matéria especial e recheada de nostalgia, o JDV relembra os momentos que tornaram o Motogiro tão marcante aqui para a cidade e também para a região.

Motogiro no início dos anos 90 – Foto Paulo HP no grupo Antigamente Jaraguá do Sul

O nascimento de uma paixão sobre rodas

Tudo começou em 1988, quando um grupo de amigos se reunia aos sábados na Praça Ângelo Piazera para fazer passeios de moto até as praias da região. No retorno, paravam para tomar caldo de cana e encerravam o dia novamente na praça.

O grupo inicial era formado por Zonta, Carlos, César, Paulo, Bruno e Jaime (conhecido como Branco). Com o tempo, os passeios se tornaram mais frequentes e organizados, levando à formação de uma diretoria: Volney Paulo Zonta (Zontinha) como presidente, Carlos vice-presidente, Bruno tesoureiro e César como secretário.

Cartaz da última edição do evento

Durante as reuniões semanais, surgiu a ideia de dar um nome ao grupo. Várias sugestões foram cogitadas, como Alto Giro, Motogrupo e Giro Moto. No fim, a sugestão que pegou foi “Motogiro” – uma referência direta aos giros de moto que o grupo fazia. Assim nascia o Motogiro Moto Clube de Jaraguá do Sul.

A ascensão do maior encontro motociclístico da região

Nos anos seguintes, os encontros ganharam corpo. Inicialmente, eram realizados no Parque Malwee e depois em locais como o restaurante Gargamel, na Reinoldo Rau. Conforme o número de motociclistas convidados aumentava – vindos de cidades como Florianópolis, Itajaí, Curitiba – o evento foi transferido para a Praça Ângelo Piazera, com apresentações empolgantes, como manobras radicais e os famosos “zerinhos”.

Esses giros, muitas vezes até estourar os pneus, faziam a plateia ir ao delírio e se tornaram uma das marcas registradas das primeiras edições.

Shows ocorriam na Praça Ângelo Piazera durante o evento

Durante os anos 2000, o Motogiro viveu seu auge. Para comportar o crescente público, o evento foi transferido para o Parque Municipal de Eventos, no bairro Barra do Rio Molha.

O apoio da Prefeitura foi fundamental: houve repasses financeiros, apoio logístico e inclusão no calendário oficial da cidade. O Motogiro passou a atrair motociclistas de todo o Brasil e da América Latina.

Almoço realizado no Parque MAlwee

A edição de 2005 foi especialmente marcante. Segundo os organizadores, cerca de 2.500 motos estiveram presentes e o público total chegou a aproximadamente 6 mil pessoas durante os três dias de evento.

A cidade viveu dias de movimento intenso, com impacto direto na hotelaria, gastronomia e comércio local. Para muitos, esse foi o ponto mais alto do evento e o marco definitivo da identidade motociclística de Jaraguá do Sul.

Logo do Motogiro

Muito mais que motos: um festival para toda a família

Apesar do nome, o Motogiro nunca foi apenas um encontro para motociclistas. Era um festival completo, com programação voltada para todos os públicos.

Famílias inteiras marcavam presença no parque para curtir as bandas de rock, os estandes de equipamentos e a gastronomia local. As crianças se encantavam com as motos diferentes, enquanto os adultos aproveitavam o clima de confraternização.

Motogiro 2001, quando o evento ainda era realizado na Praça Ângelo Piazera – Foto Max Pires

O evento também ficou conhecido pelas manobras radicais. Equipes especializadas se apresentavam com wheeling, “zerinho” e outras acrobacias. Em algumas edições, havia ainda desfiles motociclísticos pelas ruas da cidade, o que reforçava a presença do Motogiro na vida urbana de Jaraguá do Sul.

O fim de uma era e a força da memória

A última edição do Motogiro ocorreu em setembro de 2013. O que muitos não sabem é que o evento foi proibido de continuar no Parque Municipal de Eventos após reclamações de barulho por parte de moradores vizinhos.

Segundo os organizadores, o Ministério Público e a Prefeitura barraram novas edições no local. A alternativa oferecida foi a Arena Jaraguá, mas o espaço não dispunha da estrutura necessária para um evento daquele porte.

Show de acrobacias – Foto Max Pires

“Durante anos, tentativas de retomar o evento foram frustradas. Em paralelo, outros eventos menores surgiram, mas sem o mesmo peso simbólico e impacto econômico. Vale lembrar que o Motogiro gerava renda para o comércio, esgotava a capacidade hoteleira de Jaraguá e até de cidades vizinhas como Blumenau e Joinville. Parte dos lucros era revertida para entidades como a APAE e hospitais, o que também reforçava seu valor comunitário”, relembra o ex-presidente do clube Zonta.

Ao longo de sua história, o clube teve três principais presidentes: Zonta, que permaneceu no cargo por cerca de 10 anos, seguido por Célio Eisenhut e depois Rafael Nazário. Cada um contribuiu de forma decisiva para manter o Motogiro ativo e em crescimento.

Na direita da foto, Celio Eisenhut presidente do Motogiro

Como isso impacta sua vida?

O Motogiro marcou uma geração e deixou um legado afetivo e econômico em Jaraguá do Sul. Sua memória inspira novos eventos, aquece o turismo local e fortalece o sentimento de pertencimento da comunidade motociclística. Celebrar essa história é manter viva uma parte da identidade jaraguaense.

Galeria de fotos

Confira alguns dos registros feitos por mim, Max Pires, da edição de 2006 do Motogiro:

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Max Pires

Já criei blog, portal, startup… e agora voltei pro que mais gosto: contar histórias que fazem sentido pra quem vive aqui. Entre um café e um latido dos meus cachorros, tô sempre de olho no que importa pra nossa cidade.

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