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Coluna: Ganhar e perder

“Espírito competitivo” não se restringe ao esporte. Começa na infância e extrapola o limite do aceitável quando a competitividade se torna predatória.

11/07/2021

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Sônia Pillon é jornalista e escritora, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto e Gramática pela Univille. É Presidente de Honra da ALBSC Jaraguá do Sul.

Por Sônia Pillon

O Brasil perdeu a Copa América! Messi venceu o “duelo” contra Neymar e a comemoração foi azul e branco em plena casa verde e amarela. O Maracanã virou “Maracanazo”, feito imediatamente associado à Copa do Mundo de 1951, quando os uruguaios conquistaram a taça justamente na inauguração do Maraca.

Sim, o Brasil superou os demais países sulamericanos e, incontestavelmente, chegou à Final com méritos. Lutou, lutou, porém, é preciso admitir que os nossos vizinhos platinos jogaram melhor e souberam aproveitar a oportunidade de gol. O choro de Neymar foi muito mais mostrado do que a festa do adversário. Bola pra frente, Brasil! Bora identificar as falhas e se preparar para os novos embates!

Lamentavelmente, para um país ultracompetitivo como o nosso, conquistar o vice-campeonato, ainda mais do arquirrival, vale praticamente nada. Triste mentalidade, essa!

É fácil constatar que esse “espírito competitivo” não se restringe ao esporte. Começa na infância, na família e na escola. Extrapola o limite do aceitável quando a competitividade se torna predatória. Uma criança que não foi ensinada a lidar com as frustrações de uma derrota no torneio escolar,  a ter fair play, dificilmente lidará de forma saudável com essas circunstâncias quando crescer. Não aprenderá a respeitar e a reconhecer as qualidades do adversário, ou concorrente, porque o ego falará mais alto. Em situações extremas, optará por vencer a qualquer custo, inclusive partindo para a violência.

Sempre lembro de situações recorrentes que encontramos todos os dias no trânsito, como a “dificuldade” que alguns motoristas encontram em respeitar as regras estabelecidas, o semáforo, a faixa de pedestre e os limites de velocidade das vias. Isso sem falar naquela característica quase infantil de querer ultrapassar sempre, transformando o veículo em uma arma e comprometendo a própria vida e a dos outros.

 Assistir alguém passar na sua frente não deve ser motivo de raiva, ou vergonha. Não é motivo para se sentir derrotado. Pelo contrário, deve ser um fator de estímulo para o aprimoramento e a superação pessoal. Ganhar e perder faz parte da vida.

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