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A história de quando o Presídio de Jaraguá do Sul usava gansos para evitar fugas
Resumo da matéria
O que eram: seis gansos usados como alarme antifuga no Presídio Regional de Jaraguá do Sul Quando: a prática vigorou por cerca de um ano, e em 2011 já era rotina na unidade De onde veio a ideia: do modelo da penitenciária São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis Por que gansos: custo menor que o de cães, menos doenças e instinto territorial Quem adotou: o então diretor da unidade, Cleverson Henrique Drechsler Situação hoje: a prática não existe mais
Antes das câmeras e dos sistemas modernos de segurança, o Presídio Regional de Jaraguá do Sul teve um reforço de vigilância pouco comum: seis gansos que circulavam pelo pátio e alertavam os agentes com uma grande barulheira diante de qualquer movimento estranho.
A experiência, que em 2011 já fazia parte da rotina da unidade, durou cerca de um ano e ficou marcada como uma das histórias mais curiosas da segurança pública da cidade.

A barulheira que entregava qualquer movimento
A ideia de trocar cães por aves surgiu na inauguração da então nova ala feminina da unidade. Em vez de manter um canil, a direção apostou em seis gansos espalhados pelo pátio. O resultado era uma vigilância sonora, e bastante eficiente.
“É uma barulhada sem fim. Qualquer movimento, o bando já faz tumulto e alerta quem está de prontidão no sistema de segurança”, explicou Cleverson Henrique Drechsler, diretor do presídio na época.
Os gansos eram alimentados com milho e sobras de verduras da cozinha do presídio, o que tornava a manutenção mais barata que a de um cachorro.
Além disso, as aves adoeciam menos e tinham instinto territorial: ninguém invadia o espaço delas sem provocar alarde. Mas havia um motivo mais sutil, e é o que torna a história interessante.
O canil antigo ficava virado para as celas. Com a convivência diária, os cães acabavam se tornando amigos dos detentos, o que enfraquecia a função de guarda. Os gansos, não. Não se comoviam com o tratamento que recebiam dos presos e estavam sempre prontos para dedurar qualquer movimentação. Era uma fidelidade que o cachorro, ali, não conseguia manter.

Uma tática mais velha que se imagina
A ideia de confiar a segurança de espaços aos gansos é antiga. A tradição romana conta que, em 390 a.C., durante a invasão dos gauleses, foi o alarido das aves sagradas do templo de Juno, no Capitólio, que despertou os soldados e evitou que a fortaleza caísse de surpresa numa investida noturna. No relato, os cães de guarda nada perceberam. Foram os gansos que deram o alerta.
O mesmo instinto que teria salvado Roma é o que, muito depois, colocou seis gansos no pátio de um presídio catarinense.

Uma solução que veio da Capital
Mas este não era um modelo exclusivo do presídio da cidade. O modelo já era usado no Complexo Penitenciário do Estado, em São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis; foi de lá que a direção da unidade jaraguaense tirou a ideia.
A aposta de São Pedro de Alcântara deu tão certo que se tornou referência. Mais de uma década depois, os gansos seguem na função por lá e ganharam repercussão nacional.
Com o tempo, o reforço da segurança na unidade jaraguaense seguiu outro caminho, com câmeras de monitoramento, muro de proteção e uma estrutura de revista mais rigorosa para as visitas. Os gansos saíram de cena, e a curiosa guarda emplumada virou memória.

Como isso impacta sua vida?
Para quem mora em Jaraguá do Sul, a história dos gansos é um lembrete de como a cidade já improvisou soluções diante de problemas concretos, neste caso, as fugas e a superlotação que marcaram o presídio no começo da década passada. Hoje a segurança da unidade é outra, mas a memória do bando de gansos no pátio diz algo sobre engenhosidade local que nenhum equipamento de alta tecnologia substitui.
>> Nota da redação: Ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas como apoio editorial na organização de informações e cruzamento de dados. Porém, a apuração, análise, redação e edição do conteúdo foram realizadas pela equipe jornalística do JDV, com base em registros históricos e informações das fontes consultadas.
