Guaramirim | 14/09/2023 | Atualizado em: 14/09/23 ás 11:34

Guaramirim realiza ações sobre prevenção a suicídios

A programação inclui o desenvolvimento de atividades especiais com foco na prevenção ao suicídio, por meio de hábitos e cuidados com a saúde mental no cotidiano.

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Guaramirim realiza ações sobre prevenção a suicídios

Setembro é o mês dedicado à conscientização sobre a importância da saúde mental, à disseminação de informações de apoio e de prevenção ao suicídio. Para reforçar a importância do tema, o Centro de Atenção Psicossocial de Guaramirim conta com programação especial no mês de setembro. A programação inclui o desenvolvimento de atividades especiais com foco na prevenção ao suicídio, por meio de hábitos e cuidados com a saúde mental no cotidiano.

O tema “Saúde mental se faz com várias mãos” estará presente nas atividades já realizadas semanalmente com os pacientes e a comunidade que frequenta o CAPS. Além disso, também será realizada ação de panfletagem e distribuição de banners no semáforo da Rua 28 de agosto com a presença da equipe e pacientes do CAPS. O objetivo é atuar ativamente na conscientização da importância da vida e ajudar na prevenção ao suicídio, tema que ainda é visto como tabu.

Já no dia 25 de setembro será realizada roda de conversa com a presença de profissionais que integram a rede de saúde mental do município, em conjunto com a equipe do Hospital Santo Antônio.

As ações vão contar com o apoio do CVV (Centro de Valorização da Vida) de Jaraguá do Sul, por meio dos materiais de divulgação do tema e participação de membros nas atividades.

 

COMO FAZER – Em Guaramirim, a porta de entrada para o tratamento em saúde mental se dá nas Unidades de Saúde. O paciente procura a Unidade e é atendido pelo Clínico Geral que, após a avaliação, inicia o tratamento ou encaminha para o CAPS. Em caso de emergência, a orientação é buscar atendimento no Pronto Socorro do Hospital Santo Antônio. Há ainda o contato do Centro de Valorização à Vida (CVV), pelo telefone 188. O número funciona 24h por dia, todos os dias da semana.

Para mais informações e orientações sobre serviços voltados à saúde mental e à prevenção do suicídio, a população pode entrar em contato diretamente com o CAPS, pelo (47) 3163-1889 ou (47) 3376-2526 (WhatsApp). O endereço da unidade é Rua Victor Bramorski, 208.

 

Número de suicídios cresceu mais de 11% no Brasil no ano passado 

 

Domingo, 10 de setembro, foi o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, marcando a campanha Setembro Amarelo, que ocorre ao longo de todo o mês com o objetivo de alertar a população sobre a realidade do suicídio e suas formas de prevenção.

O número de suicídios no Brasil cresceu 11,8% em 2022 na comparação com 2021. O levantamento faz parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho. Em 2022, foram 16.262 registros, uma média de 44 por dia. Em 2021, foram 14.475 suicídios. Em termos proporcionais, o Brasil teve 8 suicídios por 100 mil habitantes em 2022, contra 7,2 em 2021.

Segundo Monica Machado, psicóloga, fundadora da Clínica Ame.C, pós-graduada em Psicanálise e Saúde Mental pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein e apresentadora do podcast Ame.Cast, o suicídio é uma decisão baseada no desespero do indivíduo, que acaba enxergando na morte a única maneira de se libertar de uma angústia que parece infindável. 

“A idealização suicida pode surgir de um sofrimento psíquico em que a pessoa não consegue mais lidar com sua própria existência. Sendo assim, o suicídio pode ser considerado como o desfecho de uma série de variáveis que se acumularam na história do indivíduo e chegaram ao limite total das suas próprias emoções”, diz Monica Machado.

Entretanto, para Danielle H. Admoni, psiquiatra geral da infância e adolescência, supervisora na residência da Universidade Federal de São Paulo e especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria, o ato suicida nem sempre envolve planejamento. “Em muitos casos, a pessoa pode cometer suicídio por impulso, sem ter demonstrado previamente a intenção”, diz.

 

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Todos podemos ajudar a partir da percepção dos sentimentos 

 

O tema deste Setembro Amarelo é “Se precisar, peça ajuda”. No entanto, de acordo com Danielle Admoni, há casos em que o próprio indivíduo pode não perceber que está à beira do seu limite. “Os sintomas podem se confundir com uma exaustão típica da vida que levamos hoje. Muitas vezes, tanto a pessoa como os outros que estão à sua volta só se dão conta da gravidade quando o indivíduo já chegou na fase da ideação suicida”, pontua a psiquiatra.

Quando falamos de alguém que está com depressão, por exemplo, o suporte de familiares e amigos é fundamental, mas muitos ainda têm dificuldade de lidar com transtornos mentais. De acordo com o “barômetro da depressão”, estudo e relatório publicado pela Fundação Alemã de Auxílio a Vítimas da Depressão (Stiftung Deutsche Depressionshilfe), 73% dos parentes de pessoas em episódios depressivos se sentiram responsáveis por não terem percebido o sofrimento antes.

Segundo o estudo, o quadro só se tornou notório quando o comportamento daquela pessoa foi ao extremo: 84% dos pacientes se afastaram completamente da vida social durante episódios depressivos, enquanto 72% não se sentiram capazes de se conectar com outras pessoas. Além disso, 45% dos acometidos pela depressão acabam deixando seus parceiros. 

“Daí a importância de prestar atenção à sua volta, saber reconhecer quando alguém está passando por um momento difícil e tentar uma abordagem empática”, frisa a psicóloga Monica Machado.

 

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O que leva alguém a cogitar o suicídio? 

 

Ainda que o suicídio esteja associado a uma complexa interação de fatores psicológicos, biológicos e genéticos, bem como culturais e socioambientais, há dois aspectos que prevalecem nessa tomada de decisão. 

Conforme a Associação Brasileira de Psiquiatria e o Conselho Federal de Medicina, a tentativa prévia de suicídio é um fator preditivo isolado importante. Segundo a OMS, pessoas que tentaram suicídio têm de 5 a 6 vezes mais chances de fazer novamente. Além disso, 50% daqueles que se suicidaram já haviam tentado anteriormente. 

Já os transtornos mentais são citados em praticamente todos os estudos como as principais causas do ato. A OMS estima que 97% das pessoas que cometeram suicídio tinham algum tipo de transtorno mental, muitas vezes, não diagnosticado, frequentemente não tratado, ou não tratado de forma adequada.  Depressão, transtorno bipolar, alcoolismo, abuso/dependência de outras drogas, transtornos de personalidade e esquizofrenia são as condições mais associadas ao comportamento suicida.

 

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Camille Moreland

Estudante da 5ª fase de Design, curiosa por natureza e apaixonada pelo que faz.

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