Janeiro Roxo: como uma doença antiga e com tratamento gratuito ainda desafia Jaraguá do Sul
Foto: Divulgação/Prefeitura de Jaraguá do Sul
Em cada início de ano a campanha Janeiro Roxo reacende um alerta sobre a hanseníase, doença infecciosa que, mesmo sendo antiga e com tratamento gratuito, ainda desafia a saúde pública em diversas regiões do país. Em Jaraguá do Sul, o cenário não é diferente: embora os números sejam relativamente baixos, a presença de casos ativos mostra que a doença continua circulando e exige atenção pela gravidade.
Mesmo com tratamento eficaz e disponível na rede pública, a hanseníase ainda enfrenta obstáculos para ser controlada. Muita gente desconhece os sinais da doença ou demora para procurar ajuda por medo ou preconceito. Além disso, muitos dos casos identificados já estão em estágio mais avançado, o que mostra que o diagnóstico precoce ainda é um desafio.
A doença é causada por uma bactéria que atinge principalmente a pele e os nervos. Se não for diagnosticada logo no início, pode provocar danos permanentes, como perda de sensação e incapacidades físicas. Os sintomas mais comuns incluem manchas na pele (esbranquiçadas, avermelhadas ou acastanhadas) com perda ou diminuição de sensibilidade, formigamento, dormência, lesões que não cicatrizam, espessamento de nervos e queda de pelos nas áreas afetadas.

A boa notícia é que o tratamento está disponível gratuitamente nas UBSs e, quando iniciado precocemente, tem altíssima taxa de cura. Mas para isso, é essencial saber reconhecer os sinais e não ter medo de procurar ajuda.
Oscilação de casos e desafio da detecção precoce
Segundo dados do Informe Epidemiológico 2025 da Secretaria Municipal de Saúde de Jaraguá do Sul, a hanseníase apresentou um comportamento oscilante nos últimos cinco anos na cidade. O ano de 2024 registrou o pico de ocorrências, com cinco casos notificados. Já em 2023 e 2025, houve apenas um caso em cada ano, o que indica menor frequência, mas não elimina a circulação do agravo no município.
Outro dado preocupante é a prevalência de casos multibacilares, forma mais transmissível da doença, em todos os anos analisados. Esse perfil reforça a necessidade de detecção precoce para evitar complicações e interromper a cadeia de transmissão.
Conteúdos em alta
Clique e confira o Informe Epidemiológico 2025 – Hanseníase.
A maioria dos casos ocorre entre adultos e idosos. As faixas etárias de 50 a 59 anos e de 60 a 69 concentram o maior percentual de diagnósticos, o que pode indicar atraso na identificação da doença. Esse fator é preocupante porque a hanseníase, quando não tratada a tempo, pode causar incapacidades físicas permanentes.
Embora haja predominância de casos em homens, em 2025 o único caso registrado foi em uma mulher.
Onde buscar ajuda em Jaraguá do Sul
Ao identificar sinais da doença, a população deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima.
Todas as UBS oferecem avaliação clínica inicial, encaminhamento para diagnóstico, tratamento gratuito com Poliquimioterapia (PQT) e orientações para prevenção de incapacidades. O atendimento é sigiloso e garantido pelo SUS.
Como isso impacta sua vida?
Apesar de curável, a hanseníase ainda circula em Jaraguá do Sul e pode passar despercebida, gerando complicações evitáveis. Identificar sinais precocemente e buscar atendimento nas UBS ajuda a proteger não só quem tem a doença, mas toda a comunidade. O Janeiro Roxo é um convite para quebrar o estigma, promover informação e cuidar da saúde coletiva.
Gabriela Bubniak
Jaraguaense de alma inquieta e jornalista apaixonada por contar boas histórias. Tenho fascínio por livros, música e viagens, mas o que me move é viver a energia de um bom futsal na Arena e explorar o que há de melhor na nossa terrinha.