Igreja Matriz de Jaraguá do Sul: a história de como surgiu um dos maiores símbolos da cidade
Fiéis participam de celebração na Igreja Matriz São Sebastião em Jaraguá do Sul | Foto: olange Hilário/Pascom
A Igreja Matriz São Sebastião, um dos principais marcos históricos de Jaraguá do Sul, carrega uma trajetória marcada por esforço coletivo, decisões polêmicas e forte participação da comunidade.
A história da Igreja começa ainda em 1912, quando a paróquia foi fundada em Jaraguá do Sul. Antes da construção atual, outras duas igrejas ocuparam o espaço, acompanhando o desenvolvimento da cidade e o aumento da população.

Na época, havia também uma tradição que influenciava a localização dos templos. Muitos acreditavam que as igrejas deveriam ser construídas em locais altos, visíveis de qualquer ponto da cidade. Essa escolha também tem significado teológico, já que morros e montes simbolizam um lugar de encontro com Deus e oração.
Crescimento da cidade motivou nova construção
Com o passar dos anos, Jaraguá do Sul cresceu rapidamente. A população saltou de cerca de 8 mil habitantes em 1912 para mais de 23 mil em 1960, segundo dados do IBGE. Esse aumento tornou o espaço da antiga igreja insuficiente.
Diante disso, em 1956, a comunidade, junto com o padre Orlando Kleiss, iniciou o processo de demolição da antiga estrutura para dar lugar a um novo templo, maior e mais adequado à realidade da cidade.

O desmonte da antiga igreja começou em 1957, liderado pelo padre Donato Weimes e com forte participação da comunidade. Homens, mulheres e crianças se envolveram diretamente no trabalho.
Conteúdos em alta
Um dos fatos mais marcantes deste processo foi o reaproveitamento dos materiais. Enquanto o prédio era desmontado, mulheres e crianças limpavam os tijolos que seriam utilizados na nova construção. Além disso, a atividade, realizada diariamente, acabou se tornando também um momento de convivência e lazer.

A demolição foi concluída em 2 de abril de 1958. A partir daí, começaram as obras da nova igreja, com base em trabalho voluntário de fiéis, coordenados pelo padre Donato.
Projeto gerou discussão e mudanças
Durante a construção, um dos pontos de maior debate foi o projeto da fachada. O primeiro desenho, elaborado pelo arquiteto Simão Gramlich a pedido do padre Alberto Jakobs, previa uma estrutura hexagonal.
No entanto, o padre Donato decidiu que o projeto deveria ser refeito. Segundo ele, o modelo seria caro e resultaria em uma igreja menor do que o necessário. O religioso teve papel fundamental em todo o processo, e também era responsável por buscar recursos para viabilizar a obra.

Ainda em 1958, a obra avançou significativamente. A escadaria de acesso começou a ser construída e a laje já estava pronta.
No início de 1959, as paredes estavam erguidas. Em abril daquele ano, teve início a colocação do telhado, etapa que exigiu a intervenção de dois engenheiros de Porto Alegre, devido a dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores na estrutura.
Em 1961, a igreja já estava praticamente concluída, com estrutura e telhado finalizados e uma das torres construída. A finalização ocorreu em 1962, com a conclusão da segunda torre e dos detalhes internos, culminando em uma grande festa de inauguração.

Vitrais contam histórias e educam
Um dos destaques da igreja são os vitrais, que têm função além da estética. Eles representam uma forma de catequese, ensinando e evangelizando por meio das imagens.
Durante o dia, a luz do sol ilumina os vitrais para quem está dentro da igreja. À noite, a iluminação interna permite que as imagens sejam vistas do lado de fora.

Todos os vitrais foram produzidos em Porto Alegre e adquiridos por meio de doações de famílias influentes de Jaraguá do Sul. O custo total foi de 2 milhões de cruzeiros – centenas de milhares de reais hoje em dia.
Sinos e estrutura preservam a história
Apesar da modernização com sinos eletrônicos, a igreja ainda preserva elementos originais. Um dos sinos da época da construção permanece em uma das torres e é utilizado em ocasiões especiais, como a morte de bispos ou do papa.

A torre esquerda abriga esse sino e também uma escadaria de madeira construída por volta de 1959, que segue em bom estado de conservação até hoje.
A igreja passou por uma importante reforma a partir de janeiro de 2005. Entre os trabalhos realizados, está a restauração dos vitrais, conduzida por uma empresa de São Paulo.
A obra foi acompanhada pelas arquitetas Rafaela Asprino e Ruth Borgmann, junto com o então pároco, padre Sildo César da Costa.

O padroeiro e sua história de fé
São Sebastião, padroeiro da igreja, tem uma trajetória marcada pela fé e resistência. Nascido na atual França e criado na Itália, ele seguiu carreira militar no Império Romano, sem abandonar o cristianismo.
Mesmo diante da perseguição, ajudou outros cristãos e chegou a converter diversas pessoas. Após ser denunciado, foi condenado à morte por flechas, mas sobreviveu. Mais tarde, voltou a confrontar o imperador e acabou executado definitivamente.
Reconhecido como protetor contra a fome, a peste e a guerra, São Sebastião é uma figura central na tradição cristã e dá nome a importantes cidades, como o Rio de Janeiro.
Como isso impacta sua vida?
Conhecer a história da Igreja Matriz São Sebastião é entender como a comunidade de Jaraguá do Sul se organizou, trabalhou junta e construiu um dos seus principais símbolos. Mais do que um espaço religioso, o local representa união, esforço coletivo e identidade cultural que ainda hoje fazem parte do dia a dia da cidade.
Maria Eduarda Günther
Jornalista em formação na FURB, nascida em Jaraguá. Cresci entre filmes, livros e peças teatrais. Após criar conteúdo para redes socias sobre Formula 1 e esportes descobri a paixão por jornalismo e a área de comunicação. Nunca perco a oportunidade de conhecer novos lugares e novas histórias por ai.