Cotidiano | 13/04/2026 | Atualizado em: 13/04/26 ás 17:13

O que tornou Jaraguá do Sul uma cidade referência em reciclagem no Brasil?

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O que tornou Jaraguá do Sul uma cidade referência em reciclagem no Brasil?

Saco verde utilizado na coleta seletiva em Jaraguá do Sul | Foto: Divulgação/Samae Jaraguá do Sul

O destino das coisas que jogamos no lixo passou a ganhar ainda mais atenção nos últimos anos, principalmente pelos impactos no meio ambiente. Nesse contexto, Jaraguá do Sul começou a se destacar pela forma como enfrenta esse desafio.

A cidade alcançou um índice de 21% de reciclagem, resultado de um sistema estruturado de coleta seletiva aliado à adesão dos moradores.

Esse desempenho contrasta com a realidade nacional. O Brasil produz cerca de 90 milhões de toneladas de lixo por ano, mas recicla apenas 7,5% dos resíduos, e cerca de 15,4% sequer é coletado. Além disso, o país ainda mantém aproximadamente 3 mil lixões ativos e perde cerca de R$ 120 bilhões por ano com a reciclagem ineficiente.

O projeto que tornou isso possível: sacos verdes!

Enquanto isso, por aqui, um projeto que começou com a coleta seletiva evoluiu ao longo dos anos até se tornar um modelo consolidado. O programa de reciclagem da cidade, que teve início em 2013 como Recicla Jaraguá, surgiu com uma proposta direta, incentivar a separação de recicláveis por meio de uma embalagem padronizada.

Com o passar do tempo, a iniciativa foi sendo ajustada e ganhou mais estrutura. A mudança mais significativa veio a partir de 2018, quando o Samae assumiu a gestão dos resíduos sólidos, ampliando a integração com cooperativas de recicladores e fortalecendo as ações educativas.

Caminhão de coleta seletiva recolhendo sacos verdes em rua de Jaraguá do Sul
Coleta seletiva com uso de sacos verdes em Jaraguá do Sul | Foto: Divulgação/Samae de Jaraguá do Sul

Mudança que começou dentro de casa

Mais do que facilitar a coleta, o programa ajudou a mudar hábitos. A separação do lixo passou a fazer parte da rotina de muitos moradores, criando uma relação mais direta com o destino dos resíduos. Os sacos verdes, usados para materiais recicláveis, são entregues nas casas, o que mantém o tema presente no dia a dia.

A distribuição também funciona como incentivo. Os novos sacos são entregues no momento da coleta a cada dois meses, em troca do material já separado. Como os moradores sabem os dias da coleta no bairro, fica mais fácil se organizar, o que aumentou o engajamento da população.

>> Para conferir os dias de coleta em cada bairro, basta acessar o link: https://ambiental.sc/localizador/.

Com o tempo, esse comportamento deixou de depender apenas do incentivo inicial e passou a ser mantido no dia a dia, mostrando que o impacto vai além da logística e alcança a consciência ambiental dos moradores.

Crescimento contínuo ao longo dos anos

Os números mostram que esse avanço não aconteceu de forma isolada. Em 2022, foram coletadas 7.242,34 toneladas de materiais recicláveis. Em 2023, o volume subiu para 7.771,02 toneladas e, em 2024, chegou a 8.781,5 toneladas. Já último ano de 2025 fechou com um total de 9.431,8 toneladas.

A sequência de crescimento indica um sistema cada vez mais consolidado, com maior adesão da população e evolução na capacidade de coleta e triagem.

Trabalhadores fazem triagem de materiais recicláveis em cooperativa de Jaraguá do Sul
Trabalhadores realizam separação de materiais recicláveis em cooperativa – Foto: Prefeitura de Jaraguá do Sul | Foto: Divulgação/Samae de Jaraguá do Sul

Um cenário nacional que ainda enfrenta desafios

Enquanto algumas cidades avançam, o Brasil ainda lida com dificuldades estruturais na gestão de resíduos. A falta de infraestrutura e a bitributação sobre materiais recicláveis são apontadas como entraves para o avanço da economia circular, modelo que busca reduzir desperdícios e ampliar o reaproveitamento.

Outro ponto de atenção está no lixo eletrônico. O país é o quinto maior produtor mundial desse tipo de resíduo, com cerca de 100 mil toneladas geradas por ano, mas a destinação correta ainda é limitada.

Impacto que vai além do meio ambiente

O avanço da reciclagem também tem reflexos sociais. O modelo adotado em Jaraguá do Sul envolve cooperativas responsáveis pela triagem dos materiais, contribuindo para a geração de renda e fortalecendo a economia local.

Esse aspecto amplia o alcance da iniciativa, que deixa de ser apenas ambiental e passa a atuar também como ferramenta de inclusão produtiva.

De referência local a exemplo para outras cidades

Com resultados consistentes ao longo dos anos, o modelo de Jaraguá do Sul passou a chamar atenção de outros municípios. A experiência local já motivou visitas técnicas e passou a ser observada como referência em iniciativas semelhantes.

Esse movimento mostra como uma ação que começou de forma simples pode evoluir e ganhar relevância além dos limites da cidade.

Como isso impacta sua vida?

A forma como o lixo é separado dentro de casa pode parecer algo pequeno, mas faz parte de um sistema maior. Em um país que ainda enfrenta dificuldades na reciclagem, exemplos como o de Jaraguá do Sul mostram que organização, participação e continuidade nas ações podem melhorar a qualidade de vida e reduzir impactos no meio ambiente.

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Gabriela Bubniak

Jaraguaense de alma inquieta e jornalista apaixonada por contar boas histórias. Tenho fascínio por livros, música e viagens, mas o que me move é viver a energia de um bom futsal na Arena e explorar o que há de melhor na nossa terrinha.

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