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Baixista que tocou com Elba Ramalho e João Bosco confirma presença no Jarajazz 2026; veja os detalhes
O Jarajazz 2026 terá como atração principal um músico que passou décadas dividindo o palco com alguns dos nomes mais conhecidos da música brasileira. O baixista, compositor e arranjador Ney Conceição, que já trabalhou com Hermeto Paschoal, João Bosco, Dominguinhos e Elba Ramalho, estará em Jaraguá do Sul para apresentar o show de lançamento do álbum Marinas.
Natural de Belém do Pará, Ney construiu uma carreira que passou por mais de 200 gravações na Amazônia, turnês internacionais e apresentações em diferentes regiões do Brasil. Agora, levará ao público jaraguaense um repertório autoral acompanhado por músicos da própria cidade.
Em entrevista exclusiva ao JDV, o artista falou sobre as expectativas para a apresentação no Jarajazz, que terá músicas de seu novo álbum e participação de instrumentistas locais. Ney também comentou o crescimento dos festivais de jazz no Brasil e a importância das iniciativas de incentivo à cultura para manter esses eventos.
De Belém do Pará para os palcos internacionais
A trajetória de Ney Conceição começou na capital paraense, onde iniciou a carreira como músico autodidata. Ainda na região Norte, trabalhou com artistas como Nilson Chaves e Pinduca e participou como baixista de mais de 200 discos.

Ainda na Amazônia, participou como baixista de mais de 200 discos, experiência que ajudou a construir sua formação musical antes de buscar novos caminhos fora da região.
Em 1996, mudou-se para o Rio de Janeiro. Na cidade, conheceu músicos como Sebastião Tapajós e Robertinho Silva, com quem passou a trabalhar em gravações e apresentações internacionais.
A mudança abriu espaço para colaborações com artistas de diferentes gerações e estilos. Entre os nomes que fazem parte de seu currículo estão Airto Moreira, Danilo Caymmi, Dominguinhos, Gonzalo Rubalcaba, João Donato, Hermeto Paschoal, Naná Vasconcelos, Paulo Moura e Sivuca.
Um dos capítulos da trajetória de Ney Conceição foi a formação do Nosso Trio, ao lado do guitarrista Nelson Faria e do baterista Kiko Freitas.
O grupo lançou o CD Vento Bravo e o DVD Nosso Trio Ao Vivo. Entre 2003 e 2010, a formação também acompanhou o cantor e compositor João Bosco, participando das gravações do álbum Malabaristas do Sinal Vermelho e do DVD Obrigado Gente.

O Nosso Trio ganhou espaço no circuito internacional, realizando mais de dez turnês pela Europa, além de uma passagem pelos Estados Unidos. No Brasil, o grupo percorreu diferentes cidades com apresentações e workshops.
Os anos com Elba Ramalho e a descoberta do Brasil além das capitais
Mesmo depois de trabalhar com tantos artistas, Ney guarda uma lembrança especial do período em que acompanhou Elba Ramalho, entre 2010 e 2018.
Segundo o baixista, todos os encontros profissionais contribuíram para sua formação, mas os anos ao lado da cantora permitiram conhecer regiões do Brasil que dificilmente entrariam em um roteiro restrito às grandes cidades.
“Todos os trabalhos que eu fiz foram muito importantes para a minha formação musical. Todos me deram uma coisa diferente um do outro. Mas, especialmente, os anos que eu toquei com a Elba Ramalho foram uns anos incríveis, porque realmente eu conheci o Brasil a fundo”, contou.
Para ele, essa experiência ultrapassou os palcos.
“Conhecer o Brasil não é conhecer as capitais. É conhecer os interiores, o sertão, o agreste, o litoral, o Pantanal. Isso foi muito enriquecedor, tanto para a minha música quanto para a minha pessoa também.”
O músico também destacou as viagens internacionais realizadas com João Bosco, que lhe permitiram conhecer diferentes países.
Entre 2016 e 2018, Ney participou ainda de O Grande Encontro, projeto que reuniu Elba Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo em apresentações pelo Brasil e pela Europa.
Ney Conceição apresentará as seis músicas do álbum Marinas no Jarajazz
Além da trajetória como instrumentista de outros artistas, Ney Conceição desenvolveu uma carreira autoral. Seu primeiro álbum solo, lançado em 2006, contou com produção do pianista Luiz Avellar.
Desde então, lançou trabalhos como Swingado, Alô, Alô Interior, O Melhor de José Roberto Bertrami, Bons Tempos e 50tão, este último com influências caribenhas e da música da América Central.
Seu décimo trabalho solo, Marinas, foi concebido como uma suíte musical formada por composições autorais. O projeto reúne participações de músicos como Luiz Otávio, Marcelo Martins, Carlos Bala, Bernardo Bosisio e Eduardo Cubano Espasande.
No Jarajazz 2026, o público poderá ouvir as seis músicas do álbum, além de interpretações de compositores brasileiros.
“É o show de lançamento do Marinas. As seis músicas do álbum Marinas e alguns standards da música brasileira, como o Palco, do Gilberto Gil, o Azul, do Djavan, que a gente toca ali no final, que a gente até canta e faz essa troca com o povo, o povo cantando junto também”, explicou.
Outra particularidade da apresentação será a participação de músicos de Jaraguá do Sul. Segundo Ney, a organização dessa formação está sendo conduzida por Eneias, que prepara os detalhes para os ensaios.
“Vou tocar com os músicos da cidade, locais. O Eneias está armando para mim tudo isso aí e eu estou muito ansioso para conhecê-los e fazer o nosso ensaio para fazer uma apresentação linda em praça pública. Estou muito feliz.”
Os festivais de jazz estão ganhando espaço no Brasil
Com experiência em festivais e apresentações pelo país, Ney Conceição avalia positivamente o momento da música instrumental brasileira.
Na visão do músico, o número de eventos ligados ao jazz tem crescido, assim como a variedade de estilos que encontram espaço nessas programações.
“O Brasil tá num lugar muito bacana de festivais de jazz. Eu tenho tocado em muitos festivais, em muitos locais, e tem aumentado muito. Esse nome jazz atrai muita coisa. E ele pode ser misturado também com várias coisas, forró jazz, samba jazz”, afirmou.

Ney também destacou a importância das leis de incentivo à cultura para a realização desses eventos.
“Eu espero que essas coisas continuem acontecendo por muito tempo para poder viabilizar esses festivais todos pelo Brasil. Porque é um país tão lindo, tão rico, tão miscigenado. E eu espero que continue tendo mais festivais pra gente tocar.”
Ney fala sobre a expectativa de tocar em Jaraguá
Apesar de já ter realizado apresentações em diferentes cidades catarinenses, Ney Conceição não se recorda de ter tocado em Jaraguá do Sul. O baixista já passou por Joinville, Blumenau, Itajaí, Navegantes e Florianópolis, mas acredita que a participação no Jarajazz poderá marcar seu primeiro encontro com o público jaraguaense.
A expectativa, segundo ele, está principalmente na relação construída entre os músicos e a plateia durante a apresentação.
“Eu tô muito ansioso pra trocar essa energia com o povo daí. Porque fazer show é uma troca de energia. Você manda uma energia do palco e essa energia vem da plateia de volta pra você. Então eu tenho certeza que essa troca vai ser muito legal aí em Jaraguá do Sul.”
A apresentação acontecerá em praça pública, conforme antecipado pelo artista. A data, o horário e o local específico ainda precisam ser confirmados com a organização do Jarajazz 2026.