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JDV é um dos 20 veículos escolhidos pela Google News Initiative para laboratório de estudo no Brasil
A equipe do JDV foi selecionada entre mais de 200 inscrições para programa da Google News Initiative, ao lado de veículos como Estadão, Metrópoles e Forbes Brasil.
Foto: Gabriela Bubniak/JDV
A inteligência artificial já mudou a forma como as pessoas encontram e se relacionam com a notícia, e redações do país inteiro tentam descobrir o que fazer com isso sem abrir mão dos princípios e ética jornalística. O JDV entrou agora em um programa voltado a transformar experimentação com IA em métodos aplicáveis à rotina das redações.
O veículo de Jaraguá do Sul é uma das 20 organizações jornalísticas selecionadas para o Lab de IA para Negócios Jornalísticos, promovido pela Google News Initiative em parceria com a Blue Engine Collaborative.
Foram mais de 200 inscrições de todo o país, e o JDV é a única redação do Vale do Itapocu no grupo; de Santa Catarina, os únicos são o JDV e o ND Mais, de Florianópolis.
Quem são os 20 selecionados
A turma mistura portes e formatos. Estão nela revistas nacionais, portais de economia, jornais tradicionais de capital e redações do interior, o que é a lógica declarada do programa: reunir veículos locais, nativos digitais, organizações de jornalismo investigativo, mídia sem fins lucrativos e marcas jornalísticas tradicionais. Veja a lista:
- Grupo Abril
- Bons Fluidos | Perfil
- Brazil Journal
- CartaCapital
- ESTADÃO
- Folha de Pernambuco
- Grupo Folha do Mate
- Forbes Brasil
- A Cidade On (Grupo EP)
- Diário do Vale (Grupo Pançardes)
- InfoMoney
- JDV | Jornalismo de Valor
- Matinal
- Metrópoles
- Super Rádio Tupi
- ND Mais
- O Popular | Grupo Jaime Câmara
- Revista Qualé
- Poder360
- Jornal O Alto Uruguai
O grupo do JDV no laboratório
Os 20 veículos foram divididos em quatro grupos de trabalho, cada um acompanhado por um mentor. O JDV integra o grupo formado por CartaCapital, Estadão, Grupo Folha do Mate e Super Rádio Tupi, participando de três meses de sessões conjuntas e troca de experiências entre redações de diferentes portes e perfis.
A mentoria será com Bárbara Zarpelon, head de marketing da Vakinha e IA coach da Blue Engine Collaborative para a Google News Initiative desde março de 2025, com passagens pelo iFood e pelo Grupo RBS.
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Três meses para tirar o projeto do papel
O programa não se limita a apresentar ferramentas. Durante três meses, as equipes trabalham sobre problemas reais das próprias operações, com a tarefa de identificar oportunidades, escolher quais desafios valem ser resolvidos e desenhar soluções aplicáveis à rotina da redação.
A estrutura combina workshops práticos, mentoria individual e em grupo, e o desenvolvimento de um protótipo funcional. Ao final, os projetos de melhor desempenho recebem apoio técnico da Plexus para a implementação.
Além de Bárbara Zarpelon, a turma conta com os mentores Leonardo Stamillo, Melissa Beltrão e Talita Boros, sob coordenação de Sabrina Passos Cimenti, da Blue Engine. Os eixos definidos pelo Google são engajamento de audiência, diversificação de receita e eficiência operacional.
O projeto desenvolvido pelo JDV ao longo do laboratório será apresentado ao público no fim do programa, em outubro.
A régua que o JDV usa para a IA
O JDV já utiliza inteligência artificial em parte da rotina jornalística, mas a ferramenta tem um papel definido: apoiar o trabalho da equipe, não substituir decisões editoriais.
Na prática, a IA ajuda em tarefas como análise de dados, organização de informações e desenvolvimento de ideias. A escolha do caminho da reportagem, das fontes consultadas e das perguntas feitas nas entrevistas continua sendo responsabilidade dos jornalistas.
“A IA aqui entra como um segundo cérebro. Ela nos ajuda a analisar dados, compilar informação e colocar ideia no papel mais rápido, e tira da frente o trabalho repetitivo. Mas ela não decide nada. Quem escolhe o caminho que a notícia vai seguir, quem escolhe as fontes, quem entrevista, é a equipe”, afirma Max Pires, diretor do JDV.
Essa visão também orienta o manual de regras da NasceCom, rede que reúne o JDV e outros veículos regionais. A tecnologia é tratada como ferramenta de apoio.
Para Max Pires, o laboratório da Google News Initiative pode ajudar o JDV a transformar experiências do dia a dia em um processo mais estruturado.
“A ferramenta está disponível para todo mundo, e é aí que está o diferencial: ela potencializa o conhecimento de quem já tem repertório. Com esse programa queremos sair do uso intuitivo e chegar num uso com método, sendo mentorado por quem faz isso em escala mundial e trocando três meses com outras redações.”
Como isso impacta sua vida?
Nada muda amanhã na notícia que você lê em Jaraguá do Sul. O que muda é o critério: a partir de agora a redação passa três meses testando, com método e mentoria, onde a tecnologia ajuda e onde ela não entra. E deixa isso escrito, para que o leitor possa cobrar.
Gabriela Bubniak
Jaraguaense de alma inquieta e jornalista apaixonada por contar boas histórias. Tenho fascínio por livros, música e viagens, mas o que me move é viver a energia de um bom futsal na Arena e explorar o que há de melhor na nossa terrinha.