Cotidiano | 23/04/2026 | Atualizado em: 23/04/26 ás 17:19

VÍDEO: jovem de Jaraguá do Sul voltou a mover a perna após tratamento experimental com polilaminina

O avanço foi registrado em vídeo e compartilhado nas redes sociais, marcando um momento importante na recuperação após o acidente que sofreu em janeiro.

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VÍDEO: jovem de Jaraguá do Sul voltou a mover a perna após tratamento experimental com polilaminina

Foto: Reprodução/Instagram @_eduardasouz_

Um movimento pequeno, mas com um significado enorme. Foi assim que a jaraguaense Eduarda Atkinson descreveu o momento em que conseguiu mexer a perna novamente, após meses sem qualquer resposta motora.

O avanço aconteceu dias depois de passar por um procedimento com polilaminina, substância desenvolvida em laboratório e estudada pelo potencial de auxiliar na regeneração da medula espinhal.

O registro foi feito no dia 9 de abril, nove dias após o tratamento realizado em Foz do Iguaçu, no Paraná (veja o vídeo ao fim da matéria).

“Quando eu percebi que consegui mexer a perna novamente, foi um misto de surpresa, emoção e alívio. Depois de tudo que eu passei, parecia algo muito distante”, contou.

Segundo ela, o instante foi vivido com intensidade ao lado das pessoas mais próximas. “Pra mim, pros meus pais e pro meu namorado, que estavam comigo, foi um avanço gigante. Depois que consegui, eu não queria mais parar”, relatou.

Equipe médica realiza procedimento com polilaminina em paciente com lesão medular
Procedimento realizado em hospital de Foz do Iguaçu | Foto: Reprodução/Instagram @_eduardasouz_

O acidente e uma mudança brusca na rotina

A vida de Eduarda mudou completamente em janeiro deste ano. Ela sofreu um acidente na rodovia SC-110, entre Jaraguá do Sul e Pomerode, após uma saída de pista.

Com a colisão, teve fratura na coluna e uma lesão medular, que resultou na perda dos movimentos das pernas. Desde então, passou a enfrentar uma nova realidade, marcada por desafios físicos e emocionais.

Eduarda Atkinson movimenta a perna durante reabilitação após lesão medular em Jaraguá do Sul
Eduarda registra momento em que volta a mexer a perna durante recuperação | Foto: Reprodução/Instagram @_eduardasouz_

A rotina, que antes seguia um ritmo comum, passou a ser organizada em torno da reabilitação. Sessões frequentes de fisioterapia, adaptações no dia a dia e um processo contínuo de aceitação fazem parte desse novo cenário.

Mesmo diante das dificuldades, Eduarda destaca a importância da rede de apoio e de como ela mesma tem se surpreendido com a própria força.

“Tem dias muito difíceis de encarar essa situação, mas eu escolho continuar tentando, mesmo quando parece pouco”, afirmou.

Exposição nas redes sociais virou parte do processo

Compartilhar a própria recuperação não foi uma decisão imediata. Eduarda conta que pensou bastante antes de tornar público um momento tão pessoal.

“No começo, eu não sabia se deveria expor algo tão íntimo, mas percebi que dividir isso podia ajudar outras pessoas e também me ajudar a enxergar o quanto eu estou evoluindo”, explicou.

Com o tempo, as publicações passaram a ter um papel importante, tanto como registro da evolução quanto como forma de conexão com outras pessoas que enfrentam situações semelhantes.

Além disso, a resposta do público acabou criando uma rede de apoio que ultrapassa o ambiente familiar, trazendo incentivo em momentos difíceis.

Busca por tratamento exigiu decisões difíceis

Durante o processo, nem todos os caminhos estiveram disponíveis na cidade. Segundo Eduarda, algumas possibilidades de tratamento não avançaram em Jaraguá do Sul.

A decisão foi buscar alternativas fora da cidade. “Eles não se contentaram com o ‘não’. Se não era em Jaraguá, então seria em outro lugar”, disse. Foi assim que a família chegou até Foz do Iguaçu, onde encontrou a possibilidade de realizar o procedimento com polilaminina.

Eduarda Atkinson durante viagem de helicóptero para tratamento em Foz do Iguaçu
Eduarda e acompanhante durante deslocamento para realização do procedimento | Foto: Reprodução/Instagram @_eduardasouz_

Chegar até o local do procedimento foi mais um desafio dentro de todo o processo.

“Nas condições em que eu estou, com costelas fraturadas e a coluna lesionada, parecia impossível. Seriam quase 14 ou 15 horas de viagem de carro, com dor”, contou nas redes.

Segundo ela, um empresário ajudou a tornar o deslocamento possível ao viabilizar a viagem de helicóptero até Foz do Iguaçu.

Tratamento experimental e os sinais iniciais de resposta

O procedimento realizado utiliza a polilaminina, uma substância desenvolvida em laboratório a partir da laminina, proteína presente no corpo humano e importante para o crescimento das células – especialmente no sistema nervoso.

A proposta é que essa estrutura ajude na recuperação de lesões na medula espinhal. Quando ocorre esse tipo de lesão, a comunicação entre o cérebro e o corpo é interrompida e o próprio organismo forma uma cicatriz que dificulta a regeneração.

Nesse contexto, a polilaminina pode atuar como um suporte para o crescimento dos neurônios, com potencial de auxiliar na recuperação dos movimentos.

frasco de polilaminina usado em procedimento experimental para lesão medular
Substância é aplicada em procedimentos experimentais para lesão medular | Foto: Divulgação/Cristália

Apesar disso, os estudos ainda estão em fase inicial. A substância foi testada em animais e em um grupo pequeno de humanos, com resultados variados.

Especialistas alertam que até parte dos pacientes com lesão medular pode apresentar alguma recuperação ao longo do tempo, mesmo sem esse tipo de intervenção. Por isso, ainda não é possível afirmar que os avanços observados estejam diretamente ligados ao uso da polilaminina.

A Anvisa autorizou o início da fase 1 dos estudos clínicos, etapa que avalia a segurança da substância em humanos. Outras fases ainda serão necessárias para comprovar a eficácia.

Segundo Eduarda, a avaliação médica é positiva, mas feita com cautela.

“Os médicos veem esse avanço como algo muito positivo e importante dentro do meu quadro. Eles mantêm uma postura cautelosa, porque a reabilitação neurológica é imprevisível”, explicou.

Recuperação continua com foco na reabilitação

Apesar do avanço, o processo de recuperação ainda exige constância e paciência. A jovem segue com fisioterapia e acompanhamento contínuo, respeitando o tempo do próprio corpo.

“As próximas etapas do meu tratamento seguem focadas na reabilitação. Vou continuar com a fisioterapia, que tem sido essencial, e possivelmente associar outros estímulos conforme a evolução”, disse.

Cada pequeno progresso passa a ter um significado ampliado dentro desse contexto, reforçando a importância de manter a disciplina e o acompanhamento profissional. Enquanto segue nessa jornada, Eduarda continua compartilhando sua evolução, transformando o próprio processo em uma forma de incentivo para outras pessoas.

Como isso impacta sua vida?

Histórias como a de Eduarda mostram como avanços na medicina, mesmo ainda em fase experimental, podem abrir novas possibilidades para pacientes com lesões graves. Ao mesmo tempo, reforçam a importância da reabilitação contínua, do apoio familiar e da persistência diante de desafios que mudam completamente a rotina.

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Maria Eduarda Günther

Jornalista em formação na FURB, nascida em Jaraguá. Cresci entre filmes, livros e peças teatrais. Após criar conteúdo para redes socias sobre Formula 1 e esportes descobri a paixão por jornalismo e a área de comunicação. Nunca perco a oportunidade de conhecer novos lugares e novas histórias por ai.

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