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Mulheres entre costuras

No Dia da Mulher, uma homenagem às costureiras da região, que representam não só Jaraguá como parte da história

08/03/2019

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No dia da mulher, o JDV homenageia uma classe importante não só para Jaraguá do sul, mas para todo o Vale do Itapocu: as costureiras, que representam uma parte significativa do setor têxtil da região. O presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário, Neocir Dal-Ri, estima que dos 24 mil trabalhadores do segmento registrados em em empresa de Jaraguá, Guaramirim, Schroeder, Massaranduba e Corupá, 10 mil são costureiras e, desse total, quatro mil dessas profissionais estão em Jaraguá do Sul.

A homenagem às mulheres costureiras também se justifica pelo fato de que entre vários acontecimentos que levaram à criação de um dia especial para as mulheres um deles foi o incêndio numa fábrica de camisas em Nova York, ocorrido em 25 de março de 1911, que matou 146 pessoas, das quais 129 mulheres. Acredita-se que muitas delas eram costureiras. O número de vítimas se explica pelas péssimas condições de trabalho e porque uma porta estava fechada para impedir a fuga das trabalhadoras.

As costureiras sempre estiveram na história, desde os primórdios. Segundo arqueólogos, as primeiras costureiras foram mulheres da era das cavernas. Pois elas começaram confeccionando roupas com peles de animais. Sem contar que os ossos, destes mesmos bichos, eram utilizados como agulhas.Para as costureiras, o dia começa muito cedo e para muitas não tem hora pra acabar. Muitas vezes, são elas que sustentam a casa, os filhos e a família com o ofício de costurar.

Falar sobre o trabalho das costureiras reveste-se de importância, porque as mulheres sempre estiveram envolvidas em atividades que, embora consideradas essenciais para a sobrevivência e para a manutenção do bem-estar dos membros das suas famílias, nem sempre são valorizadas. Mas, encontramos três costureiras, em Jaraguá , de mão cheia e com histórias inspiradoras para representar esse dia 8 de março, Dia da Mulher, dia das que lutam com a delicadeza de uma flor de algodão.

Lucimar Morais, 42 anos: Costura desde os 15 anos. Aprendeu a profissão em centro espírita no município Pato Branco/PR, trabalhando como voluntária, produzindo enxovais para bebês. “Apaixonei-me pela costura e nunca mais parei”, lembra. Já trabalhou em outras funções, mas desde que está em Jaraguá, há 12 anos, a costura foi a renda principal da família por sete anos. Do total de sete filhos, cinco deles foram sustentados com o atelier da mãe. O marido não é brasileiro, veio de Istambul para o Brasil. Até que a documentação dele estivesse legalizada, para que pudesse trabalhar sem problemas, Lucimar precisou ensiná-lo a costurar. E ele aprendeu. Atualmente, tem outro emprego, mas nas horas livres pega junto no atelier. “Minha mãe sempre falava, na mesa de costura nunca falta o pão. E nunca faltou mesmo”, lembrou Lucimar.

Elo de Paula, 51 anos: Aprendeu a costurar aos 12 anos com a avó. Diz que foi hereditário, “está no sangue”. Nunca teve outra profissão na vida a não ser costurar. Sustentou três filhos com a costura e se mantém até hoje com a profissão. Sabe trabalhar com todas as máquinas, do começo à conclusão de uma peça. Do desenvolvimento até produção final da roupa. Teve atelier por 10 anos em São Bento do Sul e mudou-se para Jaraguá em 2010. Aqui também outro atelier de costura, até 2016. Atualmente, ela é modelista e prototipista para uma marca de roupas casual. “Esse é meu mundo, meu universo particular”, declara.

Neusa Pedri, 58 anos: Aprendeu a costurar aos 14 anos na Marisol, em 1975, e permaneceu na empresa até 1989. Depois, trabalhou por 10 anos na extinta Dalcelis. Nunca trabalhou em outra área. A costura foi a primeira e a única profissão da vida. “Adoro o que eu faço, eu amo costurar”. Atualmente, tem uma pequena facção que, com o trabalho do marido, mantém a casa, a família e os sonhos. “Não fiquei rica, mas meu esposo trabalhando e eu na facção, temos nossa casa, nosso carro, nossas filhas cursaram a faculdade, dá pra levar uma vida equilibrada”.

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As grandes costureiras que se destacaram na história da moda mundial foram Rose Bertin e Coco Chanel. Rose foi uma costureira famosa do século 18, uma estilista que vestiu com bom gosto toda a corte da França. Além de ser amiga da rainha Maria Antonieta. Coco Chanel revolucionou a moda do século 20.

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