Curiosidades | 08/03/2026 | Atualizado em: 07/03/26 ás 10:51

11 histórias de mulheres que ajudaram a construir e transformar Jaraguá do Sul

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11 histórias de mulheres que ajudaram a construir e transformar Jaraguá do Sul

Foto: hemeroteca digital

Ao longo da história, mulheres tiveram papel importante na construção de Jaraguá do Sul. Em diferentes áreas da vida comunitária, lideraram iniciativas que contribuíram para o desenvolvimento da cidade.

Professoras, empreendedoras, esposas e voluntárias ajudaram a formar a cidade como ela é hoje.

No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o JDV relembra algumas dessas trajetórias que marcaram a história local. São narrativas sobre força e dedicação em busca de direitos, avanços e novas oportunidades para a comunidade.

Constância Piazera

Constância Piazera, esposa de Ângelo Piazera, um dos pioneiros do desenvolvimento de Jaraguá do Sul, teve uma vida dedicada à religião, às causas sociais e à educação familiar.

Entre as contribuições deixadas para a cidade, está a doação do terreno onde foi construída a primeira prefeitura de Jaraguá do Sul, realizada poucos anos após a emancipação do município.

foto: Family Search/arquivo familiar

Seu nome também foi eternizado na Creche Constância Piazera, construída em terreno cedido por sua neta Lolita Stein, em reconhecimento à trajetória e ao legado da família para a comunidade local.

Cristina Enriconi Marcatto

Cristina Enriconi Marcatto nasceu no Rio Grande do Sul e mudou-se para Jaraguá do Sul em 1923, período em que a cidade ainda consolidava suas bases econômicas e sociais.

Ao lado do marido, João Marcatto, participou da fundação da histórica Fábrica de Chapéus Marcatto, empreendimento que se tornaria uma referência no desenvolvimento industrial local.

Além da atuação no empreendedorismo, Cristina também participou de ações sociais, religiosas e comunitárias, contribuindo para a vida comunitária e deixando um legado importante na história da cidade.

Em reconhecimento à contribuição da família para a comunidade, seu nome foi dado a uma escola no bairro Jaraguá Esquerdo. Foi a família Marcatto, que doou o terreno para a construção da unidade.

Margarete Schlünzen

Margarete Schlünzen, nascida na Alemanha em 1900, foi esposa do pastor Ferdinand Schlünzen, fundador do Colégio Evangélico Jaraguá.

Ela teve atuação ativa na comunidade local e integrou a Oase (Ordem Auxiliadora das Senhoras Luteranas), participando de ações de apoio e convivência entre as mulheres da igreja. Sua presença era marcada pelo incentivo e pelo cuidado com as companheiras de fé.

Margarete também trouxe para a comunidade a tradição do teatro de animação Kasperl, um teatro de bonecos típico da Alemanha, apresentado para crianças da comunidade luterana em idade escolar.

Imagem ilustrativa IA JDV

Sua chegada à escola era saudada com a expressão “moin”, uma variação de guten Morgen (“bom dia”, em alemão). A repetição da saudação pelas crianças acabou originando o apelido “Moin Moin”, pelo qual ela passou a ser conhecida de forma carinhosa.

Margarete faleceu em setembro de 1973 e recebeu diversas homenagens da comunidade local.

Adélia Piazera Fischer

Adélia Piazera Fischer, filha de Ângelo Piazera e Constância Piazera, destacou-se na vida cultural e social de Jaraguá do Sul como pianista e professora.

Casada com Francisco Fischer, teve atuação marcante em causas sociais, participando de iniciativas voltadas ao apoio comunitário e à promoção de ações beneficentes.

Entre suas atividades, foi presidente da entidade Pró-Proventório, dedicada à arrecadação de recursos para a construção do Proventório Catarinense, instituição voltada a abrigar crianças cujos pais estavam acometidos de hanseníase. Também participava de apresentações beneficentes como pianista, contribuindo com a música em eventos solidários.

Em 8 de junho de 1956, Adélia e o marido fundaram a Scar (Sociedade Cultura Artística), instituição que se tornaria uma das principais referências culturais da cidade.

Foto: hemeroteca digital/colorização IA JDV

A iniciativa surgiu inicialmente para abrigar uma pequena orquestra formada por amigos músicos, que se reuniam em saraus e recitais nas tardes de domingo, fortalecendo a vida cultural da comunidade.

Ilse Kohlbach

Bertha Gertrude Ilse Goetzke Kohlbach nasceu em 1º de fevereiro de 1921, em Halle an der Saale, na Alemanha.

Ainda criança veio com a família para o Brasil e passou a viver em Jaraguá do Sul, onde chegou aos três anos de idade. Aos 12 anos, mudou-se para Curitiba, em busca de aprimoramento nos estudos e oportunidades de trabalho.

Foi na capital paranaense que conheceu Heinz Kohlbach, que trabalhava na oficina da Casa Suíça, loja de materiais elétricos. O casal se casou em 1943 e, no ano seguinte, mudou-se para Jaraguá do Sul, onde iniciou uma trajetória empreendedora.

Foto: arquivo familiar

Com poucos recursos, abriram uma oficina de consertos elétricos. Heinz atuava na parte técnica, enquanto Ilse cuidava da administração e das finanças, participando diretamente da gestão do negócio.

Em 1960, venderam a loja e passaram a dedicar-se exclusivamente à indústria, fundando a Kohlbach, empresa de motores elétricos e geradores que se tornaria uma das maiores indústrias de Jaraguá do Sul, permanecendo sob responsabilidade da família até 1996.

Ilse também foi uma das fundadoras da Famac, empresa na qual permaneceu atuando até a véspera de seu falecimento, em dezembro de 2000.

Reconhecida pela dedicação ao trabalho e pela participação ativa nos negócios da família, Ilse Kohlbach teve papel importante na história empresarial e industrial de Jaraguá do Sul.

Inês Zabotti

Inês Zabotti foi a primeira diretora leiga do hospital de Jaraguá do Sul, ou seja, a primeira responsável pela administração da instituição que não fazia parte de uma congregação religiosa.

Ela assumiu a função em 1949, em um período em que o hospital ainda tinha forte atuação de ordens religiosas na gestão e nos serviços prestados à comunidade.

Inês permaneceu no cargo até a chegada das irmãs da Congregação da Divina Providência, que posteriormente assumiram a direção da instituição.

Maria Umbelina da Silva

Entre as mulheres que marcaram a história de Jaraguá do Sul está Maria Umbelina da Silva, personagem importante na formação da comunidade negra da cidade.

Ela chegou à região como babá dos filhos de Emílio Carlos Jourdan, responsável pelo projeto de colonização do Estabelecimento Jaraguá. Após a saída da família branca da região, Maria permaneceu na cidade e passou a fazer parte da construção da comunidade local.

Foto: Arquivo Histórico de Jaraguá do Sul

Ao longo da vida, criou sete filhos, entre eles Emílio da Silva, que se tornaria um dos principais historiadores de Jaraguá do Sul. Maria também foi avó de Eggon da Silva, um dos fundadores da multinacional WEG, hoje uma das maiores indústrias do Brasil.

Grupos de mulheres que ajudaram a construir Jaraguá do Sul

Além das trajetórias individuais, a história de Jaraguá do Sul também foi marcada pela atuação de mulheres que se organizaram em grupos para atender necessidades da própria comunidade.

E essas organizações femininas se tornaram parte importante da vida da cidade, mobilizando pessoas, estruturando iniciativas e contribuindo para transformar desafios cotidianos em ações concretas de cuidado e apoio à população.

Irmãs da Divina Providência

A Congregação das Irmãs da Divina Providência assumiu a direção do Hospital São José, em Jaraguá do Sul, no ano de 1960.

Durante sua atuação, foram responsáveis por diversas obras que ampliaram e qualificaram o atendimento aos pacientes, incluindo melhorias na ala médica e no pronto-socorro.

Foto: Hospital São José

Também iniciaram a ala da maternidade, inaugurada em 1969, além da instalação da farmácia hospitalar, estruturas que contribuíram para fortalecer os serviços oferecidos à comunidade.

Ao longo dos anos, outras melhorias foram implantadas, como a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a clínica médica, um novo pronto-socorro e as alas de cardiologia e ortopedia.

Além da atuação na área da saúde, as religiosas também tiveram presença na educação. Administraram o Colégio São Luís até a transferência da instituição para a Congregação dos Irmãos Maristas. Posteriormente, assumiram a gestão do Colégio Divina Providência, atual Bom Jesus.

Ordem Auxiliadora das Senhoras Luteranas (Oase)

A OASE de Jaraguá do Sul foi criada em 8 de novembro de 1931, inicialmente com o nome de Associação Feminina.

A iniciativa surgiu a partir da necessidade de contratar uma parteira formada e qualificada para atender mulheres durante o parto. A decisão foi motivada pela morte de uma jovem mãe, fato que mobilizou a comunidade para buscar formas de melhorar o atendimento às gestantes.

Desde o início, a associação teve como objetivo prestar assistência a doentes e gestantes, além de atuar em ações de beneficência voltadas à comunidade.

Em 1954, a entidade passou a se chamar Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas, mantendo o trabalho de apoio social e comunitário.

Oase Barra do Rio Cerro – Foto Portal Luterano

Ao longo das décadas, a organização contribuiu com a comunidade luterana nas áreas social, educacional e de saúde, além de colaborar com as atividades da própria Igreja. Atualmente, a OASE está presente em diversas comunidades luteranas de Jaraguá do Sul.

Irmãs Franciscanas de São José

As religiosas da Congregação Franciscana de São José foram as primeiras responsáveis pelo cuidado com os doentes no recém-fundado Hospital de Jaraguá do Sul.

A presença das irmãs na cidade começou em 1936, quando foram convidadas pelo então administrador da instituição, padre Romualdo Alberto Jacobs, para assumir o atendimento aos pacientes.

Foto: Hospital São José

Desde então, passaram a atuar diretamente no cuidado com os doentes e no funcionamento do hospital, contribuindo para a organização e o fortalecimento dos serviços prestados à comunidade em um período em que a estrutura de saúde da cidade ainda estava em formação.

Irmãs de Maria de Schoenstatt

As religiosas da Congregação alemã Maria de Schoenstatt chegaram a Jaraguá do Sul em 1939 para atuar no Hospital São José.

Na instituição, desempenharam funções importantes no atendimento à comunidade, trabalhando como parteiras e enfermeiras em um período em que os serviços de saúde da cidade ainda estavam em consolidação.

Foto: Hospital São José

As irmãs permaneceram no hospital até 1949, quando o atendimento passou a ser realizado por enfermeiras leigas.

Como isso impacta sua vida?

A história de Jaraguá do Sul também foi construída pela dedicação de mulheres que atuaram na comunidade ao longo das décadas, deixando contribuições que ainda hoje se refletem em instituições, serviços e iniciativas presentes no cotidiano da cidade.

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Marcio Martins

Profissional da comunicação desde 1992, com experiência nos principais meios de Santa Catarina e no poder público. Observador, contador e protagonista de histórias, conheço Jaraguá do Sul como a palma da mão

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