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Coluna: Pelas crateras, mirando o planeta azul..

Ao escrever crônicas e contos, me sinto como se tivesse alçando voo, entrando em processo de alunissagem. Pisando na superfície lunar, pelas crateras, mirando o planeta azul? Sim, por um breve espaço de tempo, até concluir e ouvir o chamado da mente: Terra chamando! Terra chamando!

06/11/2019

Por

Sônia Pillon é jornalista e escritora, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto e Gramática pela Univille. É Presidente de Honra da ALBSC Jaraguá do Sul.

Das recordações que me trazem lúdicas lembranças, uma das mais marcantes é quando costumava ficar na janela, mirando a lua, e as estrelas mais brilhantes, procurando localizar as constelações. Durante a infância, na casa dos meus avós maternos, em Porto Alegre, onde o ritmo era mais cadenciado e sobrava tempo para observações e boas conversas, eu conferia no calendário mensal as mudanças da lua.

Na casa da oma Clara, lia muito aqueles “almanaques” distribuídos nas farmácias (ou pharmacias, que garantiam ter “remédio” para tudo nesta vida!). Ela colecionou esses livretos, ricamente ilustrados, por décadas, como se fossem relíquias! Bons tempos que deixaram saudades…

Lembro bem que esses impressos, à época tão disputados pelos consumidores, entre outras coisas abordavam as fases lunares e suas influências: na agricultura, no crescimento capilar e até no humor das pessoas. Li certa vez que especialmente os períodos de lua cheia são caracterizados por provocarem ações passionais, muitas delas acabando na delegacia…

Na adolescência, a Astrologia me fascinava, especialmente em relação à influência desse satélite misterioso, que os astrólogos chamam de “planeta”, regente dos nascidos no signo de Câncer…

E como ficar indiferente às referências ao Apolo 11, ao voo espacial norte-americano que levou os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin a pisarem na lua pela primeira vez? Lá se vão 50 anos, completados no dia 20 de julho deste ano, e até hoje esse feito tão aclamado por uns (e negado por outros!), mexe com o imaginário humano.

Tudo isso, aliado a uma imaginação fértil, à curiosidade aguçada  de uma criança que se surpreendia ao descobrir o mundo, e ao espírito sonhador, possivelmente levaram minha oma à afirmar, certo dia, se referindo a mim: “Esta guria está sempre no mundo da lua!”. E não é que ela estava certa?!

E foi justamente por essa frase tão reveladora e marcante que não tive dúvida em escolher “No Mundo da Lua” para a minha coluna de literatura. Ao escrever crônicas e contos, me sinto como se tivesse alçando voo, entrando em processo de alunissagem. Pisando na superfície lunar, pelas crateras, mirando o planeta azul? Sim, por um breve espaço de tempo, até concluir e ouvir o chamado da mente: Terra chamando! Terra chamando! Nesse momento, o cotidiano e seus desafios diários voltam a falar mais alto e preciso retornar imediatamente. É hora de colocar os pés bem fixos no chão, como tem que ser…

 

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